Trip

Speakeasy à Francesa

A noite parisiense tem alguns dos melhores spots para beber coquetéis em todo o mundo. Veja cinco deles, em um curto trajeto a pé

1 Mar 2018 12:53

Por Marcelo Sant’Iago

Se você está procurando um guia com lugares para beber vinho em Paris, este artigo não é para você. Agora, se procura lugares para bons drinques na capital francesa, leia com atenção. A região do Marais reúne alguns dos melhores bares da cidade, dois deles incluídos na edição deste ano do The World’s 50 Best. E o melhor é que você pode fazer tudo a pé e, se estiver animado, em uma única noite.

PAS DE LOUP
É um pequeno bar em frente a uma praça. Durante o happy hour, das 18h às 20h, serve drinques por 9 euros (o preço normal é 12) para um público na faixa de 25 anos a 35 anos ao som de clássicos da disco music. Experimente o refrescante Psicotheque, feito com pisco, Byrrh (tradicional aperitivo da região dos Pirineus), suco de grapefruit, melancia e licor crème de mûre (amora). Se você gosta de algo mais forte, vá de Mezcal Negroni, que, além do defumado destilado mexicano, leva os franceses Suze e Lillet Blanc, em uma versão do chamado White Negroni. Para acompanhar, pequenas porções de queijo feta marinado no azeite.

LE MARY CELESTE
A minutos a pé do Pas de Loup está este bar, que, em 2015 e 2016, esteve na lista dos cem melhores do mundo. Apesar de não figurar na lista de 2017, o bar continua cheio e servindo bons coquetéis. Fique de olho na sugestão do dia. O bar é dominado pelo balcão central e fica em uma encruzilhada de três ruas, o que lhe dá um formato interessante.

LITTLE RED DOOR
Ainda no Marais, mais quatro minutos e você chega a um dos melhores bares da cidade e do mundo: o Little Red Door. Presença constante na lista dos 50 melhores, este ano como 11º colocado. A experiência começa ainda na rua. Você com certeza irá precisar de um tempo para entender como entrar, mas a “pequena porta vermelha”, inspirada em Alice no País das Maravilhas, é garantia de que você está no lugar certo. O menu em si é uma verdadeira obra de arte, e a única coisa que me incomodou foi o excesso de moscas de frutas próximo ao balcão.

CANDELARIA
É o 19º melhor bar do mundo. Aqui a pegada é completamente diferente. Trata-se de um verdadeiro speakeasy, ou seja, um bar escondido, invisível para quem passa na rua. Para não estragar muito a surpresa, minha sugestão é parar na minúscula e modesta taqueria e forrar o estômago com os deliciosos tacos, antes de procurar a entrada para o bar. Ah, tem também um caldinho de feijão bem gostoso, que leva o nome de Frijoles. O Candelaria é um bar de alma latino-americana, então prepare-se para muitos drinques com tequila, mezcal, pisco e cachaça. Para beber, comece com um clássico da casa, o picante Guepe Verte: tequila infusionada com jalapeño, mel de agave, suco de limão, folhas de coentro e pepino fresco.

BISOU
Se você não soubesse, provavelmente iria ignorar o bar, mas foi um dos mais recomendados por todos os bartenders com quem conversei e um dos de que mais gostei. Ele abriu no início de 2017 com uma proposta ousada: não tem menu, os coquetéis são criados conforme o paladar do convidado. É inspirado no nova-iorquino Attaboy, que também não tem carta de driques. Minha sugestão é sentar no balcão e conversar com Niko, o bartender da casa. Ele foi muito certeiro em todos os meus pedidos. Mas faça um favor a você mesmo: não peça um negroni nem um gim-tônica. Deixe a imaginação voar, conte a ele os sabores que te agradam e não irá se arrepender. O bar tem uma bela variedade de bebidas típicas francesas, que funcionam muito bem em coquetéis de todos os tipos. Tomei um delicioso Martinez com Bonal, aperitivo à base de quinina, no lugar do vermute tinto.

HEMINGWAY BAR
Para quem procura um ambiente mais refinado, típico dos bares de hotel, as dicas são fora do Marais: vá ao inigualável e tradicionalíssimo Ritz Hotel. No ambiente aconchegante, romântico e cheio de história, prepare-se para pagar bem caro pelo privilégio de beber as criações de Colin Field, como seu Serendipity, que leva calvados (brandy francês de maçã), folhas de hortelã, suco de maçã e champanhe.

HARRY’S NEW YORK BAR
Por último, mas não menos importante, este bar está encravado em uma pequena travessa da Rue de La Paix, entre a Opéra Garnier e a Place Vendôme. Criado, em 1923, por Harry MacElhone é para lá que segue todo bebedor que se preze pelo menos uma vez na vida. Vá de Scofflaw, criado na casa na época em que a lei seca imperava nos EUA. A coquetelaria não para de crescer em Paris e é uma deliciosa aventura experimentar drinques com bebidas difíceis de se encontrar fora da França. Santé!

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