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Ricardo Pereira

Nossa capa da Carbono Uomo #11

por Artur Tavares 3 Dez 2018 21:06

O verão português já chegava ao fim quando Ricardo Pereira fez as malas com a família e retornou para o Brasil. De volta ao Rio de Janeiro após uma temporada na terra natal, iniciou uma bateria de gravações de três diferentes longas-metragens – um deles, Os Homens São de Marte, também teve cenas rodadas em Nova York. Tão requisitado em Lisboa como no Projac, aproveitou o tempo que teve por lá para filmar Golpe de Sol, que estreou no circuito internacional de festivais de cinema em outubro, o reality show Sem Cortes e os primeiros capítulos do folhetim Alma e Coração, a nova novela da SIC, a irmã portuguesa da Globo. Ricardo Pereira recebeu Carbono Uomo para um tour pelas ruas da efervescente Lisboa, e nos contou sobre sua carreira, negócios e a vida em família.

 

 

“Acho que o artista não deve ficar só em um lugar”, ele começa dizendo, com a mesma voz tranquila que acompanha todas suas falas. “Eu já tinha uma carreira como ator de televisão e teatro em Portugal quando fui trabalhar pela primeira vez no Brasil, em 2004. Desde então, as escolhas dos papéis, seja onde for, têm a ver com o desafio artístico.” Com 18 anos de carreira, quase 15 deles carregando o posto de ator internacional mais bem-sucedido em telas brasileiras, Ricardo Pereira fez dessa busca algo incansável. Em seu currículo estão 36 participações em novelas e seriados, 35 filmes e outras 15 peças de teatro. “Não só no Brasil e em Portugal”, ele lembra, “como na França, na Espanha e agora em mercados hispânicos como Colômbia e México. Isso para mim é muito gratificante, mostra a evolução.” Dono de quatro restaurantes e uma pizzaria na badalada Lisboa, Ricardo reserva o tempo livre para se dedicar à esposa, Francisca, com quem é casado desde 2010, e aos três filhos, Vicente, Francisca e Julieta: “Além dos desafios, sempre penso no bem-estar da minha família. Sou paizão, eles sempre me acompanham para os diferentes países em minhas gravações”.

 

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Embora o casal seja português, as três crianças têm sangue carioca. O ator atribui o fato à gratidão que tem pelo Brasil: “Não foi só uma opção pelo trabalho, porque eu estava gravando lá. Acho que tem muito a ver com o fato de a gente amar esse país e querer marcar nossos momentos de namorados e casados nessa nação que nos acolheu, que tantas alegrias nos trouxe e nos tem dado. Foi um desejo nosso, quase uma homenagem. Ficamos felizes que aconteceu desse jeito.” Ricardo havia acabado de estrear em Aquele Beijo, novela de Miguel Falabella, quando Vicente nasceu, em novembro de 2011. O primogênito e suas duas irmãs não tiveram um ano de vida sequer morando em um mesmo lugar. Para o ator, trata-se de estabelecer raízes por onde passam: “Eles acabam sendo do mundo, assim como nós, e isso é muito bom. Abre horizontes. As crianças têm amigos em cada um dos países. Dá uma dimensão de que o mundo é grande, bacana. Traz conhecimento, deve ser experimentado, aproveitado e vivido. Eles gostam e sentem saudades dos dois países, e isso é ótimo, porque criará memórias que marcarão para sempre”.

 

 

Neste ano, a busca por algo novo levou Ricardo ao papel do vilão Virgílio, na novela Deus Salve o Rei. Na primeira trama medieval da história da Globo, o personagem, “cheio de camadas de envolvimento, olhares diretos, força, sedução, delicadeza, paixão louca por uma mulher”, cobiçava a rainha Amália, vivida por Marina Ruy Barbosa, em disputa com os irmãos Afonso e Rodolfo de Monferrato, protagonizados por Rômulo Estrela e Johnny Massaro, respectivamente. “Deus Salve o Rei foi um trabalho maravilhoso, que me emocionou muito na reta final. Foi uma novela que extrapolou a televisão, comunicou muito nas redes sociais, a maior até hoje em alcance de digital media na TV Globo”. Vivendo entre os países que hoje atraem atenções internacionais pelas mais distintas maneiras, Ricardo olha para sua terra natal com o otimismo de quem viu uma crise passar: “Houve um período de instabilidade a partir de 2007, mas o país soube dar a volta, segmentar bem seus negócios e se entender dentro do contexto mundial, com características que se direcionam para o turismo e também para as produções artesanais, como azeites, sapatos, cortiças e vestuário”, ele diz. Seus restaurantes são exemplos de locais que aproveitaram o boom recente de Lisboa: “De frente para o Tejo, o Ministerium Cantina é um restaurante de cozinha rápida, de esplanada, para as pessoas que saem dos cruzeiros. O Hot Dog Lovers, o melhor cachorro-quente do mundo, fica na avenida Liberdade, onde você pode desfrutar o centro de Lisboa. A Marisqueira Azul é uma cervejaria típica de frutos do mar no Mercado da Ribeira. O Duplex, de comfort food, está na rua Cor-de-rosa, a mais trendy de Lisboa, segundo o jornal The New York Times”.

 

Casaco TOMMY HILFIGER — malha e calça CALVIN KLEIN — bota TIMBERLAND

 

Sobre as sementes que plantou em Portugal e no Brasil, e o futuro em que virá para elas, Ricardo Pereira tenta mostrar prudência: “Tento educar meus filhos com os valores em que acredito, meus e da minha mulher, mas deixando eles voarem bastante nessa caminhada cheia de experimentações. Enquadrá-los no mundo é explicar as coisas boas e ruins da vida, mostrar as dificuldades que todos nós temos, mas também deixar que caiam algumas vezes para se levantar sozinhos”. Assim como ele mesmo decidiu enfrentar o mundo em busca de seus sonhos, Ricardo acha que essa liberdade deve continuar: “As quedas que eles sofrem sem poder dispor do amparo das nossas mãos são as que fazem deles melhores pessoas, que geram uma raça que é muito importante na vida. A minha geração teve que aprender por si só, portanto acho que o protecionismo não é bom. É bom escutar todo mundo, entender a personalidade de cada filho, dividir com quem está ajudando na criação das crianças. Nós acertamos e erramos, mas com calma e compreensão tentamos dar a melhor educação possível.”

 

 

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.

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