Motor

Test-drive

Ford Ranger fica mais macia e equipada, mantendo a robustez, os motores e até os preços

por Rodrigo Mora 7 Nov 2019 18:12

Maior feira de tecnologia agrícola do país, a Agrishow fechou a 25ª edição com R$ 2,9 bilhões em negócios, superando em 6,4% o volume registrado em 2018. O movimento foi recorde: durante os cinco dias de evento, no início de maio, 159 mil pessoas passaram pela feira, que ocorre em Ribeirão Preto (SP).

 

Os números refletem o bom momento do agronegócio, que por sua vez tem influência direta no mercado de picapes – seu maior consumidor é o profissional desse setor. Embora seja comum ver picapes no trânsito urbano, o maior consumidor está no campo.

 

Por isso o mercado está agitado: Nissan Frontier, Chevrolet S10 e Toyota Hilux ganharam novidades recentemente, enquanto a Volkswagen Amarok terá a potência do seu motor V6 – já o mais poderoso da categoria, com 225 cavalos e 56,1 kgfm de torque – incrementada até o fim do ano. É claro que a Ford Ranger não assistiria de braços cruzados à movimentação das rivais.

 

Dona de 23,1% do mercado global de picapes em 2018, quando foram comercializadas mais de um milhão de unidades, a Ford mexeu bem na Ranger (a segunda colocada no ranking nacional, liderado pela Toyota Hilux) para a linha 2020. Segundo a marca, foram 600 peças redesenhadas.

A principal mudança está na suspensão, que teve a barra estabilizadora redesenhada e elementos de coxinização refinados. A Ford diz que assim a picape ficou mais confortável tanto no asfalto quanto na terra, e na prática isso nos pareceu condizente.

 

Outra novidade aliada do uso diário está na tampa da caçamba. Antes da assistência nela aplicada, o usuário tinha 12 quilos para erguer ou amparar. Agora, essa é uma força equivalente a 3 quilos.

 

No visual, apenas um leve “tapa” na grade, nas rodas e no interior, além de um conjunto ótico formado por Xenon e LED. Há também uma nova cor, a Azul Belize.

 

IMPRESSÕES

 

Uma decepção surge antes de começarmos o test-drive: onde está o ajuste de profundidade do volante? Essa gentileza permitiria ao condutor afastar o banco um pouco mais para trás e assim evitar de encostar o joelho direito na quina do console central.

 

No entanto, essa talvez seja a única ressalva que a Ranger merece. Logo na saída do teste precisamos manobrar, e de cara a picape mostrou que tem uma direção leve sem ser frouxa. O acabamento da cabine esmerado nos detalhes e o painel é repleto de informações, bonito e fácil de ler.

O sistema multimídia SYNC 3 segue como uma referência no segmento, tanto pela facilidade de operação, quanto pelo visual “clean”. Quanto ao espaço, sempre escolha viajar na frente, pois como em toda picape dessa categoria, o banco traseiro não é o melhor lugar para estar, e a Ranger não é exceção.

 

Foram mantidos também os motores 2.2 (160 cv e 39,2 kgfm de torque) e 3.2 (200 cv e 47,9 kgfm) – este último o que testamos. Acoplado a um câmbio automático de seis marchas, é o único cinco-cilindros do mercado e garante bom desempenho à picape, tanto em arrancadas no semáforo, quanto no folego necessário para manter um bom ritmo na estrada. No off-road, não alta torque para subir pirambeiras das ais inclinadas.

 

E no que a Ranger dá mais dor de cabeça à concorrência é a lista de equipamentos, farta e com algumas exclusividades, como sistema anticapotamento, controle adaptativo de carga, piloto automático adaptativo, sistema de permanência em faixa e farol alto automático, que diminui o facho de luz ao cruzar com outro veículo no sentido contrário.

 

A Ranger também parece ser boa em mágica, pois os preços não foram alterados: a versão XLS 2.2 4×2 segue partindo de R$ 128.250, enquanto o topo da gama, a LTD 3.2 4×4, continua nos R$ 188.990.

 

Rodrigo Mora

Rodrigo Mora é jornalista especializado no segmento automotivo. Ele assina o blog Mora Nos Carros.

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