Le mans
Motor

De Porsche até Le Mans

Nossa trip da Alemanha à França, à bordo dos novos Porsche 911 e Panamera.

29 Jul 2018 13:22

Uma experiência completa. Uma experiência com a marca Porsche. Carbono UOMO embarcou nessa trip, à convite da montadora alemã, para acompanhar o desempenho do Porsche Team numa das provas mais tradicionais e charmosas do automobilismo mundial: as 24h de Le Mans. Mas chegaríamos lá de um jeito diferente.
Após uma imersão na marca, durante um tour de quatro horas pelo Porsche Museum, fomos levados até o estacionamento do quartel general da montadora. O motivo era simples: receber o briefing e as chaves do Porsche que pilotaríamos até Le Mans, para assistir à prova. Sim, encaramos uma viagem de 1.400 km por paisagens de cinema entre a Alemanha e a França. No estacionamento, aquela ansiedade: qual seria o carro que escolheram para a Carbono: Aquele Panamera na exótica cor Mamba Green? O Macan pintado de Night Blue? Ou, quem sabe, vamos com os cabelos ao vento num 718 Boxster?
Mal tomo as chaves da mão do assessor da Porsche e começo a apertar o botão de destravar as portas como alguém que insiste em chamar um elevador emperrado no 19o andar. Enfim, um 911 Targa GTS cinza petróleo dá aquela piscadinha com as luzes de direção. “Sim, sou eu. Saia do estado catatônico e entre logo”.

Panamera e 911 GTS na trip até Le Mans: experiência pura


Welcome aboard

Me acomodo nos bancos revestidos em Alcantara, e a posição de guiar naturalmente perfeita do quinquagenário cupê pede poucos ajustes, feitos de modo elétrico. Na central multimídia simples, intuitiva e confortavelmente às mãos de condutor e passageiro, digito “Le Mans” no GPS. Contorno a Porscheplatz sob chuva, tomo a direção correta e assim começa a jornada.
Seremos acompanhados por outro colega jornalista, guiando sua Panamera Turbo na mesma cor Crayon do meu 911.
Estrada à frente e o pega-pega foi inevitável. De um lado, nosso 911 de motor 3.0 de seis cilindros, 450 cv, 56,1 kgfm de torque e câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas. Porta-malas de 125 litros e espaço apenas para dois. Na outra ponta, o Panamera com motor 4.0 V8 de 550 cv e 78,5 kgfm de torque, transmissão de oito marchas, 500 litros de porta-malas, mais luxo na cabine e lista de equipamentos sensivelmente mais extensa.
Logo chegamos às ‘autobahns’, as estradas alemãs sem limite de velocidade em certos trechos. Bastava o sinal mágico de velocidade liberada, e o Panamera disparava na frente do 911. Pé esmagando o acelerador, e o 911 começa uma busca implacável, como um falcão em busca da presa. Motor gritando agudo, encorpado, soltando aquele típico “fffffffrrrrrr” dos seis cilindros boxer. Nas curvas, quase sempre acima dos 200 km/h, o cupê encostava no grande sedã, pedindo passagem. Impávido, na mão, se mantém firme.
Repetimos essa “temporada de caça” outras dezenas de vezes, até que entramos num trecho com velocidade limitada. Mãos suadas pela adrenalina, e o revestimento de Alcantara do volante absorve todo o nervosismo. O 911 muda imediatamente de personalidade e se acalma, como se não tivesse batido nos 255km/h apenas 20 segundos atrás. Dissimulado.

Trecho francês
A primeira parada é em Trier, cidade mais antiga da Alemanha. Fotos da praça principal, selfies com a Porta Nigra ao fundo, e o clássico schnitzel de almoço. Estrada novamente, e 911 e Panamera seguem na velocidade cruzeiro a 200 km/h. De repente, tchau Alemanha, oi França. Adeus também ao prazer sem limites: na terra do Charles Aznavour, o limite é de 130 km/h. Como combinado, era hora de pular para o Panamera e sentir seu interior mais luxuoso, painel e central multimídia hi-tech, console central que mais parece o de um Boeing.
A noite cai quando aportamos no Chateau Etóges, na região de Champagne. Há um certo constrangimento em chegar com dois Porsches num hotel, mesmo que ele seja tão chique. Porque não era nossa intenção fazer com que os hóspedes saíssem do seu sossego para fotografar a dupla no estacionamento.
Honestamente? Já jantei em hotéis no Brasil que faziam uma comida mais sofisticada, saborosa e farta logo ali, em Campos do Jordão. Tudo bem que a seleção de queijos na sobremesa traz nomes que eu nunca tinha ouvido falar, mas mesmo assim… Fora a taxa de 80 euros para usar a piscina do spa.

O Porsche 911 da Carbono Uomo pelas estradas da Alemanha e França.

Reta final
Na saída do Etóges, uma passada em Épernay, ali perto, onde se concentram as grandes produtoras da bebida como Moët & Chandon, Don Perignon e Mumm, além de outras não tão famosas, como Pol Roger ou Collard-Picard. Não, não fiz um tour por nenhuma delas. Sim, eu sei que devia. Fica para as 24 Horas de Le Mans de 2019.
Chegamos, enfim, e não somos os únicos que fizeram a viagem de carro. Há motorhomes, motos, vans. Carros da Inglaterra, França, Alemanha, Espanha. O trânsito é intenso. E parece que chegar de carro à uma das provas mais tradicionais do automobilismo mundial tem um charme especial. Se os pilotos ficam as 24 horas, alternadamente, correndo sob chuva, de madrugada, com frio, fome, é uma espécie de tributo a eles chegar lá guiando. E ter percorrido 1.400km à bordo de duas máquinas como essas, com pitstop em hotel de luxo e passando por paisagens de sonho, até que não foi tão sacrificante assim.
Veja à seguir alguns momentos da prova.

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