Motor

Novo iPace

Pilotamos o novo modelo da Jaguar para comprovar que carro elétrico pode ser espaçoso, luxuoso e divertido ao volante.

por Rodrigo Mora 21 Mai 2019 16:00

Carros elétricos parecem (e são, na prática) ainda distantes da realidade brasileira. Mas o fato é que já são dois deles por aqui: BMW i3 e agora o Jaguar I-Pace, que estreia por R$ 449.190. Sem falar nos que estão chegando – Renault Zoe, Nissan Leaf e Chevrolet Bolt – e nos híbridos, que somam cerca de 20 modelos. Uma versão mais barata do novo Jaguar – sem as rodas aro 20, o teto solar panorâmico e o smartphone pack – existe oficialmente e custa R$ 437 mil. Mas, segundo Paulo Manzano, diretor de marketing da Jaguar Land Rover, “será uma versão bem menos demandada, e portanto oferecida apenas por encomenda”.

 

 

Entre as tantas diferenças entre i3 e I-Pace, a principal é existencial: enquanto o diminuto BMW é geralmente o carro de solteiros ou o segundo de uma família, o Jaguar pode ser o único de uma casa com casal e filhos. Não apenas pela autonomia maior – 470 km contra 335 km do alemão – mas pelas dimensões: com 2,99 metros de entre eixos e 656 litros de porta-malas. No i3, são 2,57 m e 260 litros. Mas também é mais barato, partindo de R$ 205.950. Ou seja: o I-Pace quebra o paradigma de que elétricos são modelos secundários. Com o I-Pace, a eletricidade como combustível deixa de ser o plano B para ser o A. Mas, como ocorre em relação a qualquer carro eletrificado, ainda existem muitos questionamentos. Vamos lá:

 

1.Como recarregar?
A BMW espalhou recarregadores pelas principais capitais e até abriu um corredor de postos de reabastecimento de elétricos entre São Paulo e Rio de Janeiro. Já a Volvo está num processo de instalação de 250 postos para ajudar na popularização de seus três modelos híbridos. E a Porsche vai vender o Taycan, a partir de 2020, já acompanhado do recarregador. No caso do I-Pace, quem pagar os R$ 449.190 pelo veículo deverá desembolsar mais R$ 13.000 por um carregador de 7,4Kwh e outros R$ 2.151,23 pela instalação na residência, no trabalho ou na casa de veraneio.
Segundo a marca, a recarga completa em tomada comum leva cerca de 12 horas. Quem espetá-lo num carregador de 100 kW, terá 80% de energia em até 40 minutos. Contudo, a Jaguar acredita que os cerca de 100 postos montados nas concessionárias da marca, mas os públicos (em shoppings e afins) atenderão a demanda do cliente, que tem a seu favor ainda uma autonomia de até 480 km. Manzano afirmou que “outros pontos, fora da concessionária, estão em estudo, mas ainda não confirmados”.

 

 

2.E como anda?
O som de um enorme deslocamento de ar avisa que o I-Pace vem com vontade pela reta principal do Autódromo Velocittà. Aquele barulho lembra o prenúncio de uma tempestade apocalíptica. Não é o berro de um V8, mas impressiona até mais. Como um raio, passa rápido e logo desaparece. O que se ouve em seguida é o cantar dos pneus curva após curva. Carro elétrico numa pista parece tolice, mas o Jaguar revela intimidade com a coisa. A volta começar com uma recomendação no mínimo sacana: com o carro totalmente parado, afunde o pé no acelerador de uma só vez. Toda ação tem uma reação, mas esta é desproporcional e aquele típico palavrão de espanto inevitavelmente é cuspido pela boca.

 

 

“O corpo é lançado contra o banco” – aquele clichê que todo jornalista automotivo tem por obrigação evitar – se atualiza: “a cabeça é lançada contra o encosto com sério risco de um traumatismo craniano”. Culpa dos instantâneos 69,6 kgfm do torque, gerado pelos dois motores, um em cada eixo. Tal disposição faz do I-Pace essencialmente um carro d e tração integral, o que dá pra notar pela estabilidade e segurança nas curvas. Aos poucos, o motorista vai percebendo que basta uma leve inclinação do volante que o I-Pace se apoia na roda traseira externa e contorna as curvas com pinta de carro esportivo. Até sentimos a carroceria inclinar, mas isso é sinônimo de diversão, não de preocupação. E se no final da reta beliscamos os 180 km/h, é porque são 400 cv à disposição.

 

 

Depois de duas voltas, a última é devagar. É quando notamos como o I-Pace é suave, dócil e luxuoso. O volante não é sisudo como nos demais modelos da marca, tem ótima pegada e diâmetro certo. A central multimídia traz o padrão, mais o status da bateria. E é simples de manusear e ler as informações. Um dos recursos interessantes é a intensidade da ação regenerativa dos freios: “baixa” deixa o freio-motor leve; “alta” aumenta a atuação e permite que em algumas situações o pedal do freio nem seja usado pra frear ou diminuir consideravelmente a velocidade.

 

 

O espaço é ótimo, os bancos são confortáveis, mas o do motorista dicaria melhor com um extensor de assento, mimo que muito carro custando a metade tem. E a visibilidade traseira não é das melhores, prejudicada pelo estilo. Mas quem liga, quando se está diante de um divisor de águas da história do automóvel? www.jaguarbrasil.com.br

 

 

Rodrigo Mora

Rodrigo Mora é jornalista especializado no segmento automotivo. Ele assina o blog Mora Nos Carros.

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