Motor

A Rav4 cresceu!

Em Buenos Aires, testamos o novo SUV médio da montadora japonesa, que chega ao mercado com um sistema híbrido de até 222 cv e promessa de consumo de carro 1.0 dentro da cidade.

por Rodrigo Mora 28 Mai 2019 10:42

Foi em 1997 que a Toyota deu os primeiros passos sobre o terreno da eletrificação, com duas apostas que nasceram juntas: uma versão puramente elétrica da primeira geração do RAV4 e o híbrido Prius. O sedã “venceu” o braço de ferro por ser mais viável num mundo onde as baterias eram ainda mais caras e a estrutura pública para recarga ainda mais escassa.
“A tecnologia híbrida nasceu das demandas não atendidas pela plataforma exclusivamente elétrica. O RAV4 elétrico era carríssimo. E naqueles tempos o range anxiety era ainda mais crítico. Mas você vê alguns ainda rodando na Califórnia, por exemplo”, relembra Miguel Fonseca, vice-presidente da Toyota do Brasil. “Range anxiety” é o termo usado para traduzir o medo do motorista de não chegar ao seu destino por falta de bateria ou de pontos de recarga. Num elétrico, essa preocupação é constante, exigindo planejamento do usuário antes de qualquer saída de casa. Num híbrido, é nulo.

 

Novo modelo híbrido do SUV chega ao mercado

 

Pouco mais de vinte anos depois, o RAV4 tem novamente um motor elétrico, mas agora são três deles (dois para as rodas da frente e um para as de trás) acoplados em um 2,5 litros quatro-cilindros de injeção direta. Juntos, somam 222 cavalos de potência e 20,6 kgfm de torque e entregam consumo de 14,3 km/l na cidade e 12,8 km/h na estrada, segundo a Toyota – o modelo recebeu nota A do Inmetro em eficiência energética.
As duas versões oferecidas no Brasil são a S (R$ 165.990) e SX (R$ 179.990). De acordo com as estimativas da marca, o novo RAV4 deve ter 5.000 unidades emplacadas por ano, sendo a versão de entrada responsável por 70% das vendas. Até o fim de 2019, a empresa calcula que terá vendido 9.000 modelos eletrificados, contabilizando-se aí o SUV estreante, o novo Corolla, o Prius e todos os Lexus. Como em todo Toyota, a garantia é de três anos para o carro e de oito para o sistema híbrido.

 

 

IMPRESSÕES
O novo RAV4 é construído sobre a arquitetura TNGA, que é a mais recente plataforma global da marca. Trata-se de uma base para todos (ou quase todos) os veículos que varia no tamanho, na aplicação e na sofisticação dos componentes. E que é dividida em famílias: a TNGA que serve ao Prius e ao Corolla é a C, enquanto a desta quinta geração do RAV4 – que é a mesma do Camry – é a K. Diz a Toyota que a nova arquitetura aumentou em 60% a rigidez torcional do chassi, deixou a direção mais precisa e responsiva, melhorou a distribuição de peso e deixou a suspensão (double wishbone) mais eficiente. Pena que praticamente não houve teste-drive para experimentar tais avanços – apenas um vai e vem de uns 500 metros sobre asfalto e uma volta de extensão similar sobre a grama para simular um off-road leve.
O que deu para notar, sim, é que um RAV4 que cresceu 10 milímetros na largura e 30 milímetros na distância entre-eixos ficou mais confortável internamente. Nunca esbarrei no braço de quem ia de passageiro nos modelos anteriores, e parece que agora essa chance diminuiu.
O posto de comando é um lugar agradável de estar. Todo carro deveria ter o console central mais elevado, como agora tem o RAV4. A alavanca do câmbio diminuta não atrapalha a movimentação da mão em busca da carteira e do celular no porta-objetos à sua frente, os comandos do ar-condicionado são grandes e de fácil interpretação e o volante, além de boa pegada e diâmetro correto, tem ótimo grau de profundidade no ajuste.
Os bancos são massudos, bem confortáveis, e com memória para o do motorista. Mas um extensor de assento cairia bem. A central multimídia é fácil de usar, mas o painel à frente do motorista (igualmente de sete polegadas) chama mais atenção – bem desenhado, simples de ler e com muitas informações.
Quem está acostumado com a sisudez dos Toyotas atuais vai se surpreender com a atmosfera do RAV4, que ainda tem bom acabamento, mesmo quando usa plástico, como nas portas.

 

RIVAIS
A Toyota elenca como principais rivais do novo RAV4 Volkswagen Tiguan e Chevrolet Equinox. Mas não descarta Jeep Compass Diesel, por exemplo. Questão é: o que o consumidor deste patamar quer? Se for esportividade e prazer ao volante, Equinox e Tiguan talvez sejam mais indicados. Off-road de verdade? Compass na cabeça. Mas, se a ideia é entrar para o mundo dos híbridos, aí é com o RAV4. www.toyota.com.br

 

Rodrigo Mora

Rodrigo Mora é jornalista especializado no segmento automotivo. Ele assina o blog Mora Nos Carros.

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