Motor

Força bruta

Vistamos nos EUA a trilha que atesta: esses Jeeps são “casca-grossa”

13 Dez 2019 16:06

Rodrigo Mora, de Chelsea, Michigan (EUA)

 

Talvez não pareça, mas Renegade e Compass não foram criados apenas para a selva urbana. Durante um dia, Carbono UOMO experimentou o que é atravessar a trilha Lyman, no Chelsea Proving Grounds, em Michigan, nos Estados Unidos. É o playground a Jeep, onde a marca americana dá o selo Trail Rated – algo como “classificado como trilheiro” – aos seus modelos mais aventureiros. Uma espécie de atestado “casca-grossa”.

 

Mas bancar o carro do Tarzan não é para qualquer um. Só os modelos da versão Trailhawk – equipada exclusivamente com motor 2.0 turbodiesel, de 170 cv e 35 kgfm de torque, câmbio automático de nove marchas e tração 4×4 – têm competência para encarar um off-road real. E custa caro: são R$ 145.990 pelo Renegade e R$ 181.990 pelo Compass.

 

 

São cinco obstáculos que os jipes têm que atravessar para ganhar o selo Trail Rated: Tração: “ajuda a manter controlado o movimento de avanço na neve, no gelo, na areia e na lama”; Distância do solo: “ângulos de entrada, transposição e saída otimizados para vencer troncos, pedras e terrenos irregulares”; Articulação: “quando uma ou mais rodas estão suspensas, o sistema 4×4 ajuda as demais a manter o contato com o solo por mais tempo, para se moverem firmemente à frente”; Manobrabilidade: ”direção precisa e distância entre-eixos otimizadas permitem a navegação especializada em todos os momentos”; Travessia de água: “adicionais vedações elétricas e da carroceria e uma tomada de ar em posição alta para atravessar trechos de água”.

 

Cada item tem sua própria métrica. “Dependendo da habilidade, o carro tem mais pontos numa escala formada por algoritmos próprios”, nos explica Bernie Trautmann, chefe de desenvolvimento de veículos off-road da Jeep.
Na distância do solo, o Renegade chega a 22,1 centímetros, enquanto o Compass não passa de 21,6 e picape Gladiator crava 28,2 cm. Quanto à capacidade de imersão, os SUVs urbanos empatam com 48,3 centímetros, enquanto os valentões Wrangler e Gladiator afundam 76,2 cm. E por aí vai…

 

 

“Nosso carro mais capaz é o Wrangler Rubicon de duas portas. Não apenas pelos benefícios dos eixos blocantes, mas também pelo seu entre-eixos curto, o que melhora o grau do ângulo de transição”, continua Trautmann. “Essa é a parte objetiva. E há também as subjetivas, como visibilidade, contato com a natureza, sensação de estar ao ar livre, pois parte do ato de dirigir é subjetivo. Eu sinto de uma forma e você, de outra”, conclui.

 

Claro que cada carro tem seu propósito. “Toda vez que desenvolvemos uma plataforma nova pensamos no que aquele carro deve ser bom. Nem todos querem ser um Wrangler. O Renegade tem outra proposta, e por isso sua tração eletrônica não precisa ser tão poderosa quanto a mecânica. E estamos bem com isso”, explica o engenheiro, que tem quatro Jeeps em casa, um para cada situação.

 

SELVA DE PEDRA

 

Começamos pelo Compass, o mais “civil” dos modelos da Jeep, que mostrou desenvoltura em todos os obstáculos. Até naqueles mais intimidadores, como o de travessia de uma lamaçal digno de filme de terror. Eu não teria encarado se estivesse numa trilha qualquer, sem a certeza de que já haviam passado ali antes.

 

 

Mas o Compass passou apenas sacolejando a carroceria, sem titubear. Talvez o desafio que mais exponha a distância entre os modelos mais “civis” e os mais “guerrilheiros” seja o da articulação, onde as rodas afundam em crateras posicionadas diagonalmente. A sensação é que Renegade e Compass vão tombar quando a roda dianteira direita afunda no buraco e as demais ficam no ar. Mas é só manter a calma e esperar o equilíbrio estabilizar. Um leve toque no acelerador e o carro avança, pendendo para o outro lado, como se fosse uma gangorra.

 

Depois montamos na Gladiator, a picape baseada no Wrangler que provavelmente será o único carro capaz de andar sobre a Terra devastada após um Armageddon.

 

Na travessia d’água, o lamaçal virou uma poça de parquinho infantil. Na articulação, chegamos a pensar “o que fizeram com o obstáculo que estava aqui?”, tal a tranquilidade da picapona rodar sobre os buracos. E o que pareceu o Everest pro Compass numa subida de rampa, a Gladiator encarou como um degrau.

 

E a melhor notícia: a Gladiator desembarca por aqui no segundo trimestre de 2020.

 

Será um dos próximo 10 lançamentos prometidos pela Jeep no Brasil.

 

 

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