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Muito além do cafézinho

Fundador do Santo Grão, cafeteria que se tornou endereço obrigatório em São Paulo, Marco Kerkmeester diz que vende amor, não café.

por Fabiano Mazzei 14 Jan 2019 14:21

Com 15 anos no mercado, oito lojas e entrando em 2019 com planos de expansão confirmados, o Santo Grão é um dos cases de sucesso na cena gastronômica paulistana. Com dois públicos distintos – business durante o dia, lazer à noite –, a cafeteria se destaca por seus cafés especiais, claro, mas muito também por conta do ambiente amigável e por um atendimento descontraído, executado por jovens que têm a cara dos próprios clientes. Por trás deste sucesso, o fundador e idealizador da marca, o neozelandês Marco Kerkmeester. Almoçamos com ele e contamos os seus planos para a empresa que deve confirmar um faturamento perto dos R$ 40 milhões em 2018, plano para abertura de lojas em 2019 e de como faz para manter a marca em evolução.

 

Carbono Uomo – Como surgiu a ideia de abrir o café?
Marco Kerkmeester – Foi há 17 anos. Era diretor na IBM, morei na Ásia por 10 anos, em Cingapura por seis meses.E não era feliz. Bebia muito café e trabalhei muito em cafeterias. Gostava do ambiente da cafeteria não só para criar os projetos de trabalho, mas para conversar com as pessoas de forma mais natural. E, falando com minha noiva na época, que era brasileira, decidimos vir ao Brasil e começar um negócio que unisse isso: ambiente e pessoas.

 

Carbono – Hoje já são oito lojas e plano de expansão. O que torna o Santo Grão um sucesso?
Marco – É que não vendemos café, vendemos amor. No que fazemos, no que produzimos. Isso tem a ver com o nosso atendimento. Respeitamos a integridade dos nossos clientes, mas também do nosso time. Aqui ninguém trabalha para o Santo Grão, mas para eles mesmos. E fazem isso sem regras, com amor. Se o cliente espera um atendimento “sim, senhor; não, senhor”, não é aqui. Até porque, não conheço nenhuma mulher que goste de ser chamada de “senhora” (risos).

 

Muitas vezes, o próprio CEO assume o papel de garçom e faz o atendimento na casa, nos Jardins

 

Carbono – Mas há um treinamento específico para isso?
Marco – Sim, mas não treinamentos de garçom. Investimos em cursos para que eles sejam eles mesmos e que tenham iniciativa. Santo Grão vem de ‘Santo Graal’, o cálice sagrado de Cristo. Mas também é uma referência do grão que todos trazemos dentro de nós. E a nossa missão é criar ambientes onde este grão possa germinar e florescer não só dentro dos clientes, mas da equipe.

 

Carbono – Vocês lançaram cafés que não são denominados pela origem da produção, mas por perfis de personalidade. Por que?
Marco – O que é um café ‘Sul de Minas’? Agora, o que é um café ‘cosmopolita’? Relax? Roots? Muito mais fácil de entender. Essa é a ideia. Assim como as pessoas, cada café tem características diferentes entre si. Mas somos iguais na essência!

 

Carbono – Este é o desafio neste segmento tão competitivo das cafeterias: criar novidades?
Marco – Acredito na evolução das espécies e também dos negócios. Nosso desafio é criar um ambiente de trabalho onde as pessoas se sintam à vontade para criar, ter iniciativa e apresentar ideias. Os cafés com personalidade, o questionário para os clientes, o Kombutcha, que é uma bebida próbiótica que lançamos há dois meses… até mesmo o cardápio tem pratos que são inovações propostas pelo time, não por mim. Gosto disso, ver que cada loja tem o seu jeito, a sua gestão, conforme os sócios locais. Que cada um desenvolva a sua maneira de fazer, respeitando a integridade de cada um.

 

 

Fabiano Mazzei

Jornalista especializado na cobertura do mercado de luxo mundial, ele é também consultor de comunicação para empresas e gestor digital da plataforma Carbono Uomo.

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