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Gol de placa

Publicitário Rafael Barajas marca um golaço com um campeonato de futebol estudantil que deixa a rivalidade e o preconceito no banco de reservas para levar à campo a inclusão social .

por Fabiano Mazzei 7 Jun 2019 22:16

A paixão pelo esporte fez o publicitário Rafael Barajas (acima) deixar uma carreira consolidada no marketing para calçar as chuteiras da diversidade e da inclusão social. Maratonista, ele já correu até o Ironman e, em 2016, decidiu que era hora de criar uma marca que entregasse algo a mais à sociedade que o acolheu (ele nasceu em Madrid). Desde então, Barajas organiza o Play FC, o maior campeonato de futebol estudantil do País. São mais de cinco mil alunos de 120 escolas, com 336 equipes distribuídas em nove categorias diferentes. Neste ano, a quinta edição do campeonato acontece entre agosto e novembro e deve atrair cerca de 100 mil espectadores em quadras pela cidade de São Paulo.
Números superlativos para uma ideia original: juntar a molecada, de 7 a 17 anos, para jogar bola. Mas no Play FC, a tradicional competição esportiva ganhou o tal do “propósito”. Não se trata de lutar pela vitória: a busca é por vencer sim, mas o preconceito e as barreiras sociais.
Para alcançar este objetivo, tanto escolas públicas, quanto particulares podem se inscrever. “Vivemos em uma sociedade plural, onde todos devem ter a mesma chance e conviver em harmonia”, defendeu Barajas, ao telefone, em um papo com a Carbono Uomo. A harmonia é preservada, por exemplo, com regras rígidas de comportamento: equipes podem ser desclassificadas caso se envolvam em confusão dentro ou fora de campo. Até professores e pais, mesmo estando na torcida, podem gerar punições aos times que representam em flagrantes de mau comportamento.
Fora isso, o Play FC tem oito regras fundamentais que devem ser respeitadas e que norteiam todo o projeto: Lealdade e Honestidade; Persistência e Superação; Foco e Disciplina; Respeito e Educação; Responsabilidade e Comprometimento; Aprender a ganhar e perder; Jogar em Equipe; Alegria e Diversão. “São valores para a vida, não apenas para o campeonato. Queremos que estes jovens levem isso para a formação do caráter deles”, afirma o idealizador do evento.
Para as escolas inscritas, palestras motivacionais contando a história de superação de grandes atletas serão apresentadas aos estudantes antes mesmo do torneio começar. O pentacampeão pela seleção brasileira de futebol em 2002, Cafu, é um dos patronos do projeto e participa deste tour pelos colégios.

 

Vibração dentro e fora do campo: previsão de recorde de atletas e de público neste ano

 

BUSINESS
Além de ser uma potente ferramenta de inclusão social, o Play FC é uma assertiva plataforma de negócios também. Todo o torneio oferece oportunidades à marcas que queiram se associar ao conceito e aos valores promovidos nos jogos. Empresas como a ESPN, o Grupo Bandeirantes de Comunicação, a Elemídia e o portal gazetaesportiva.com já confirmaram presença. Os jogos serão transmitidos ao vivo online e serão cobertos por equipes audiovisuais profissionais.
Há ações promocionais interessantes: as bolas em campo, por exemplo, serão de cores diferentes, simbolizando campanhas como contra o câncer de mama. Elas serão vendidas ao público e a renda revertida a uma associação que apoia pacientes com a doença.
Além do patrocínio de espaços nas quadras, nos uniformes de times e árbitros (profissionais também) e no material esportivo, as marcas poderão ainda assinar premiações especiais durante todo o campeonato, como o Craque do Jogo. Juntas, todas estas ferramentas de marketing vão gerar uma visibilidade estimada de R$ 60 milhões. “Não somos uma ONG pedindo dinheiro: a gente oferece negócios aos parceiros”, diz Barajas.

 

Meninas têm espaço garantido em todas as categorias do campeonato

 

COMO PARTICIPAR
As escolas interessadas em inscrever seus times (máximo de seis equipes) podem entrar no site do Play FC e conferir o regulamento. Escolas particulares pagam uma taxa de R$ 49 por aluno inscrito. Já as escolas públicas estão isentas de qualquer pagamento. Uma forma de quem tem mais ajudar a quem tem menos.
A expectativa para 2019 é de recorde de público e de adesão das escolas. As premiações também serão ainda mais desejaveis, como intercâmbios no Exterior. Mas, ao final, o mais importante no campeonato não é nem vencer, nem competir: é conviver em paz com todos, dentro e fora das quatro linhas. “Acreditamos que só o futebol, pela relevância que tem na cultura brasileira, conta com essa capacidade de agregar as pessoas em torno do esporte – independente de visão política, religião ou condição social. Proporcionar a estes jovens essa aceitação do outro, o respeito ao adversário, e poderem aprender com as vitórias e derrotas é o que queremos levar a campo – no campeonato e na vida dessas pessoas.” www.playfc.com.br

 

 

Fabiano Mazzei

Jornalista especializado na cobertura do mercado de luxo mundial, ele é também consultor de comunicação para empresas e gestor digital da plataforma Carbono Uomo.

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