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Peixe vivo

Tem brasileiro na final do Rolex Awards for Enterprise

13 Set 2019 16:14

Espécie nativa brasileira em extinção, o pirarucu entrou no radar dos prêmios Rolex for Enterprise. Isso porque o trabalho desenvolvido pelo ecologista brasileiro João Campos Silva para a preservação do peixe ficou entre os dez finalistas da edição deste ano (o resultado sai neste mês de junho). Conversamos com ele:

 

Carbono Uomo – O pirarucu é um peixe importante para o bioma amazônico. Como se notou a possibilidade de extinção pela primeira vez?
João Campos SilvaEm razão da alta importância cultural e econômica, o pirarucu sofreu grande pressão pesqueira no século passado, culminando com a redução das populações selvagens e extinção em muitos locais da Amazônia. Atualmente, no entanto, a proteção comunitária dos ambientes aquáticos e o manejo sustentável dessa espécie vêm contribuindo com sua recuperação populacional, ao mesmo tempo que garante a segurança alimentar e bem-estar da população ribeirinha. O manejo do pirarucu tem um grande potencial de crescimento, inclusive para abastecer a demanda fora da região Amazônica.

 

Carbono Uomo – Como é hoje a situação da pesca ilegal na região? O desmatamento florestal e os avanços do homem também contribuem para a ameaça ao pirarucu?
João Campos SilvaA pesca ilegal é uma das maiores ameaças ao manejo sustentável, pois ela faz com que o pescado ilegal sature o mercado, o que causa uma diminuição do preço pago ao pescador manejador. Essa situação se torna ainda mais complexa com a destruição dafloresta, uma vez que a produção pesqueira depende dela para sua alimentação e reprodução. Sem dúvida, o homem é o grande problema da Amazônia.

 

Carbono Uomo – Com a demanda crescente do pirarucu na alimentação, como conciliar a preservação com a produção de novos animais para consumo? A equação bate hoje?
João Campos SilvaO pirarucu tem uma taxa de crescimento impressionante, podendo crescer 10 quilos em um ano. Os machos realizam forte cuidado parental dos filhotes, o que reduz a mortalidade. Durante a época da cheia, os lagos se conectam e os peixes produzidos nos lagos de preservação migram para os lagos em que a pesca é pe

João Campos Silva

rmitida. No rio Juruá, por exemplo, as populações de pirarucu cresceram 425% em oito anos de proteção comunitária.

 

Carbono Uomo – O que você pretende fazer se vencer o prêmio Rolex Awards for Enterprise de, proximadamente, 400 mil reais?
João Campos SilvaO plano é fortalecer o que já vem dando certo e ampliar esse modelo para muitas comunidades desassistidas, promovendo uma transformação social em grande escala no rio Juruá. Pretendo trabalhar arduamente com as comunidades e associações locais para que o manejo do pirarucu possa funcionar como um modelo de política pública que assegura a proteção da biodiversidade e a melhoria da qualidade de vida das comunidades rurais da Amazônia. Consolidaremos um modelo de desenvolvimento local e conservação ao longo de 2 mil quilômetros do rio. Esse projeto irá agregar cerca de cem comunidades em torno do manejo, beneficiando direta e indiretamente milhares de pessoas. Centenas de corpos d’água serão protegidos por comunidades locais, o que garantirá a conservação não apenas do pirarucu, como de muitas outras espécies de peixes, tartarugas, jacarés, peixe-boi, boto e tantos outros organismos que habitam esses ambientes aquáticos.

 

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