Lifestyle

As ideias de Otávio

Visionário, Otávio Zarvos, fundador da incorporadora Idea!Zarvos, continua a entregar um novo jeito de morar para os seus clientes, com muito design, arquitetura de autor e urbanismo amigável. A paisagem da cidade de São Paulo agradece.

por Fabiano Mazzei 13 Mai 2019 10:14

Ele adora fazer prédios, já construiu 38 desde que abriu a empresa – a Idea!Zarvos, há 15 anos, em São Paulo. Com faturamento na casa do bilhão de reais, seu CEO e fundador, Otávio Zarvos, diz não ver problema caso a companhia encolha um pouco. O que ele quer mesmo é se manter no jogo, entregando edifícios baseados em três pilares fundamentais: que sejam bons para os seus moradores, para os investidores e, sobretudo, para a cidade.
Carbono Uomo conversou com o empresário no headquarter da empresa, dois andares no condomínio Corujas, uma planta horizontal e moderna desenvolvida pela construtora no coração do bairro da Vila Madalena.
Otávio lembrou do começo, quando tinha apenas dois funcionários (hoje são cerca de 50) e muitos boletos para pagar. Administrador por formação, é descendente de gregos e filho de um construtor de imóveis populares nos anos 70-80 que acabou falindo. Empreendedor nato, é um visionário no setor imobiliário do País, mudando a cara dos bairros onde finca a bandeira de sua marca, com projetos autorais, arquitetonicamente qualificados e com design inconfundível. Leia à seguir os principais trechos dessa conversa com a Carbono.

 

Projeto de Isay Weinfeld, o edifício 360o é um dos mais premiados do portfólio da incorporadora

 

O INÍCIO
“Comecei apenas com uma secretária, um funcionário de contas a pagar e eu. E cheio de dívidas para saldar. Quando disse para o meu pai que ia abrir uma construtora ele me chamou de maluco (risos). Isso porque ele faliu a empresa dele, no mesmo ramo, que construia edifícios populares para o antigo BNH (Banco Nacional da Habitação). Entrou em depressão e mudou até de país.”

 

A EMPRESA HOJE
“Agora temos cerca de 50 funcionários. Tenho um sócio também, o Felipe Carvalho, que está comigo desde o começo. Em 15 anos, entregamos 38 prédios e temos outros 12 para finalizar apenas no segundo semestre deste ano. Se fossemos vender tudo o que construímos – já que muitos prédios que fazemos são para empresas alugarem – faturaríamos, em 2019, perto de R$ 1 bilhão.”

 

Projetos da incoporadora chamam a atenção no skyline de São Paulo

 

O SEGREDO DO SUCESSO
“Primeiro, o prédio tem de ser bonito: a qualidade estética tem de ser muito alta e isso a gente consegue com os arquitetos que a gente trabalha – Marcio Kogan Isay Weinfeld, Gui Mattos, Jacobsen… Depois, a parte construtiva, porque estes prédios tem de ter qualidade estrutural e durabilidade. E tem a parte mercadológica: o tamanho das unidades, perfil de uso, entender o que funciona no mercado naquele momento. Hoje construímos desde estúdios de 25m2 a apartamentos de 500m2.”

 

IMÓVEIS x CIDADE
“A gente procura ser amigável no contato com a cidade, com espaços de circulação, para descanso dos pedestres, sem gradil nem muros que isole o prédio da rua. Sabemos que nossos prédios valorizam os bairros onde estão também por essa visão de diálogo.”

 

OCUPAÇÃO DAS RUAS
“Estou vendo com bastante otimismo esse fenômeno. Graças a uma geração mais jovem, as ruas estão sendo ‘invadidas’, é onde eles se sentem felizes, encontrando pessoas. É o maior valor de se morar em uma cidade grande como São Paulo. E desse encontro que se tem na rua, num bar, na calçada, é que provoca uma troca de conhecimento que gera riqueza e prosperidade. A cidade de São Paulo está se reiventando pelas mãos dessas pessoas, apesar do poder público.”

 

Modernos e funcionais, os prédios têm de ser bonitos por dentro e por fora

 

URBANISMO INTELIGENTE
“É ousar oferecendo opções novas onde elas não existam. O mercado imobiliário de São Paulo tem esse problema de repetir formatos onde eles deram certo em algum momento. Então, na região da Berrini, só tem edifícios corporativos. No Morumbi, só apartamentos de 4 dormitórios porque isso vendeu bem numa época. Mas essa falta de diversidade de projetos acaba matando os bairros.”

 

NOVO JEITO DE MORAR
“Acho que jeito de morar mudou: os apartamentos estão diminuindo de tamanho. Mas a qualidade, o design único e o conceito de arquitetura estão a cada ano mais valorizados. Temos prédios com unidades compactas com muitos serviços e outros de 500m2 para gente que ainda tem a empregada morando com a famíia. Em comum, ambos buscam plantas simplificadas, com tudo integrado, que é só fechar a porta e ir viajar, sem preocupações.”

 

 

COMPRAR OU ALUGAR?
“Há uma tendência entre os mais jovens de buscar mais a locação do que comprar os apartamentos. E vamos começar a construir prédios exclusivamente para isso, com uma gestão própria das unidades para este fim. O primeiro empreendimento do tipo nós lançaremos em seis meses.”

 

NOVO LUXO
“A gente foi para bairros mais caros do que a Vila Madalena (Jardins e Itaim) e foi muito bom. Descobrimos que as pessoas estavam sedentas por ter nossos produtos lá. O nível de valorização do design e da boa arquitetura é muito alto. Há uma demanda aquecida por produtos mais de luxo.”

 

AMBIÇÃO
“A gente não tem necessidade de crescimento, a empresa pode até diminuir. Nosso compromisso é com a qualidade, com melhorar os projetos, não aumentar o balanço financeiro. Somos uma empresa compacta que se faturar entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão – e é uma diferença grande – está ótimo! O que nos move são os desafios de um projeto. Pensar num prédio super alto, por exemplo, com um restaurante no topo. Isso nos anima mais do que chegar a R$ 2 bi de faturamento.”

 

 

Fabiano Mazzei

Jornalista especializado na cobertura do mercado de luxo mundial, ele é também consultor de comunicação para empresas e gestor digital da plataforma Carbono Uomo.

Veja mais