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O seu dinheiro de volta

Aplicativo Beblue cresce no varejo com proposta de cashback de impostos ao cliente.

por Artur Tavares 10 Abr 2018 10:45

Enquanto o noticiário financeiro comemora a inflação abaixo da meta, os dois anos de crise econômica no Brasil ainda deixam rastros para o consumidor: os preços estão virtualmente estagnados, mas aumentaram, e muito, no período turbulento, enquanto o poder aquisitivo caiu com o desemprego em massa e a queda no valor médio dos salários. Se em 2008, quando o banco norte-americano J.P. Morgan quebrou e colocou em colapso todo o sistema mundial, a solução encontrada pelo governo brasileiro para frear o dano por aqui foi estimular o comércio reduzindo os impostos, como recuperar mais uma vez o País através de incentivos no varejo? É nesse cenário que surge o Beblue.

Aplicativo desenvolvido pelos profissionais do ramo de tecnologia Daniel Abbud e Daniel Gava, o Beblue reúne uma rede de estabelecimentos credenciados que, por meio de cashback, devolve parte do valor gasto pelos clientes em porcentagens que variam de 2% a 200%. O projeto foi inaugurado, em março de 2016, em três cidades do interior paulista, Franca, Ribeirão Preto e Presidente Prudente, e hoje já tem 7 mil pontos comerciais participantes e 2 milhões de downloads nas lojas virtuais. Os sócios, conta Gava, chegaram à ideia após uma sucessão de tentativas e sucessos no ramo dos serviços online: “O Beblue deriva de um processo de evolução de produto. Tudo começou quando desenvolvemos o projeto Quero Dois, em 2010. Tratava-se de um site de compra coletiva que atuava em algumas cidades do interior e teve mais de 30 mil assinantes em três anos e meio”.

O modelo de compra coletiva, eternizado por aqui por sites como Peixe Urbano, entrou em declínio, deixando Gava e Abbud em um vácuo empresarial: “O usuário encontrava várias barreiras para utilizar a oferta. Ele precisava antecipar a compra do serviço ofertado para consumo futuro, tinha que levar um cupom impresso até o estabelecimento e, muitas vezes, os locais impunham barreiras como limitações de período de uso. Não gerava experiências bacanas. Então, vendemos o Quero Dois em 2014 e, identificando esses atritos entre usuário final e estabelecimentos, começamos a trabalhar em um novo sistema. Criamos um cartão de crédito pré-pago que dava descontos no comércio. No mesmo ano, já havíamos desenvolvido um aplicativo para celular que localizasse essas ofertas por geolocalização”. Novos problemas surgiram: “O usuário perdia espaço físico com mais um cartão no bolso, tinha que pagar anuidade e também para recarregá-lo. Eram problemas que traziam ônus para os usuários e não permitiam que o projeto tivesse uma velocidade fiscal grande. Naquele momento, já não acreditávamos mais no desconto, porque a prática cessa a relação entre o usuário e o estabelecimento comercial”, diz Gava.

A solução para os sócios continuarem no mercado estava justamente em uma criação do J.P. Morgan. Em 1981, quando ainda era o Chase Manhattan, o banco começou a oferecer cashback para seus clientes. Sem a tecnologia que o mundo possui hoje, no entanto, o dinheiro era devolvido como desconto na fatura do cartão de crédito, um modelo diferente do adotado pela Beblue: “A tecnologia permitiu que a evolução desse conceito estivesse atrelada a uma nova maneira de entregar as recompensas. Hoje, o desconto não vem em fatura e, sim, em um aplicativo de celular no qual o usuário pode realizar novas compras, como é a nossa plataforma”.

Gava aponta outros benefícios: “Na devolução do dinheiro por parte do emissor do cartão, a parcela era irrelevante e não criava um laço de sentimento entre o consumidor e a marca. Já o cashback financiado pelo comércio pode ter percentuais mais agressivos, gerando a manutenção da fidelização dos clientes”.

O saldo médio adquirido pelos usuários nas compras cotidianas com o Beblue varia entre 2% e 10%, mas, como supracitado, pode chegar até 200% em casos especiais: “É um formato que o
estabelecimento encontra para fazer a divulgação de um produto específico, gerar atratividade e um buzz em torno de um produto que quer mostrar para os consumidores”. Com uma oferta tão atrativa, a previsão de crescimento da empresa é ambiciosa: “Em dois anos, esperamos ter, aproximadamente, 30 mil parceiros credenciados, atuação em quase todos os estados brasileiros e 50 milhões de usuários na plataforma”, diz Gava. Isso é um aumento de 328% nos estabelecimentos participantes e 2.400% no número de consumidores.

Para tanto, os sócios da Beblue já pensam em alternativas: “Esperamos a vinda de novos serviços, como delivery de comida, pagamentos de conta de consumo.” Há um ponto ainda mais fundamental, que é dar a possibilidade de compra para quem não tem crédito na praça: “Vamos permitir que o usuário carregue o Beblue com dinheiro. Para o varejo, em termos comerciais, ainda é muito relevante a parcela de brasileiros que não possui cartão de crédito”.

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.

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