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Meu bairro

De alma francesa e com infância dividida entre os EUA e o Rio de Janeiro, Thomas Troisgros fez do Jardim Botânico sua casa, seu local de trabalho e um espaço de ótimas lembranças

4 Set 2019 14:04

Sempre frequentei o Jardim Botânico, bairro em que morei durante oito anos – até me mudar para o vizinho, a Gávea, em 2018. Durante muito tempo, a partir da década de 1980, meu pai, o chef Claude Troisgros, comandou restaurantes na vizinhança, inclusive o Olympe, do qual sou chef. Ainda que tenha saído do Jardim Botânico, o bairro continua em minhas rotas diárias, justamente por causa do trabalho e por ser onde minha mãe mora atualmente.

 

Embora tenha dividido meus anos de formação entre o Rio e Nova York, onde estudei, lembro mais dos meus tempos no Jardim Botânico. Nunca fui muito de praia, então o Parque Lage era um dos meus lugares favoritos.

 

Ali perto jogava bola em um campinho bastante famoso, que se chama Maconhão. Nos 36 anos em que o Olympe está na região, muita coisa mudou no Jardim Botânico. Majoritariamente residencial, o bairro passou por um boom gastronômico impulsionado pela iniciativa do meu pai. A rua Maria Angélica hoje está tomada de restaurantes. Com eles, chegaram outros tipos de comércio.

 

Thomas Troisgros em foto de Tomas Rangel

A vida noturna por lá, no entanto, ainda deixa a desejar. O bairro tem muitas casas tradicionais, mas não atraem muitos jovens em busca de novidades. Quando eu era mais novo e queria ir para festinhas, os destinos certos eram Ipanema e Leblon. É claro, a Globo fica na outra ponta do Jardim Botânico, e isso ainda me ajuda nos negócios. O pessoal que mora por ali, como o Zeca Camargo e o Tadeu Schmidt, são grandes frequentadores do Olympe. Mas, diferentemente de São Paulo, ainda não houve por aqui uma explosão da coquetelaria. O carioca acorda cedo para malhar e se exercitar na praia, por isso ainda prefere uma cervejinha ou uma caipirinha no fim da tarde. Sem um metrô por perto, dificulta a renovação.

 

Das vantagens do Jardim Botânico, com certeza a principal é a proximidade com a natureza. O Corcovado está bem perto, a Lagoa fica a duas quadras. Para quem gosta de ficar ao ar livre, é muita facilidade. Eu não malho tem uns dois anos, mas antes conseguia manter uma rotina de correr e andar de bicicleta pelo menos três vezes por semana na região. O bairro também é perfeito para quem ama arte, com galerias espalhadas em muitas de suas ruas. Bons exemplos são a nova Carpintaria, no Jockey Club, e a Livre Galeria.

 

E se você acha que carioca não sabe como fazer e saborear uma boa pizza, a solução também está aqui no Jardim Botânico. Com a chegada da Ella e de algumas outras pizzarias à região, estou enxergando uma mudança cultural das pizzas aqui na cidade. Melhorou muito. Faz tempo que não vejo ninguém colocar ketchup na pizza. A Ella e outros bons passeios para fazer no bairro você confere a seguir.

 

 

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