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A melhor das temporadas

Desembarcamos no lado mais cool dos EUA para encontrar Rodrigo Hilbert.

25 Jun 2018 18:46

Foi na Califórnia que ele passou os últimos meses, em um intervalo de agenda profissional, para se dedicar totalmente à família, dar uma turbinada no inglês, focar no pedal, seu esporte da vez, e, claro, cozinhar, cozinhar e cozinhar…

Nosso papo com Rodrigo Hilbert começa pelo final. Mais especificamente pelo fim de uma temporada na Califórnia. Nós nos encontramos entre Santa Monica e Venice, base do apresentador nos últimos sete meses. O período foi de verdadeira imersão em família: ele, a mulher, a apresentadora Fernanda Lima, e os filhos gêmeos, João e Francisco, de 10 anos. Sem staff nem nada. “A ideia era aproveitar a idade dos meninos para intensificar o aprendizado do inglês e viver um pouco a nossa vidinha. Aqui a gente resolveu ficar 100% para eles. Chegamos os quatro, sozinhos. João e Francisco entraram na rotina e aprenderam a dividir as tarefas do dia a dia. A gente queria que tivessem contato com essa realidade, até para entender que nem sempre vai ter alguém para fazer as coisas por eles. E foram superparceiros, apesar de reclamarem de vez em quando (risos). Mas vai ser maravilhoso para o futuro, tenho certeza. Minha mãe me ensinou isso desde cedo, agradeço até hoje e sei que também vão nos agradecer um dia.”

Rodrigo Hilbert fala de sua temporada em Santa Mônica

Ajudar na limpeza da casa, da roupa, na organização dos brinquedos, tudo entrou para o cotidiano. O preparo do café da manhã também, apesar de ser Rodrigo, na maioria das vezes, quem pilota o fogão e, aos fins de semana, a churrasqueira. “Fiz um curso de churrasco americano em São Paulo, com o Daniel Lee, um dos caras mais entendidos do assunto, só para aprender a técnica. Aqui eles usam lenha para defumar a carne e ela leva mais tempo para assar. É bem diferente do nosso jeito de fazer.”
A sessão de fotos aconteceu no píer de Santa Monica, em uma quinta-feira de abril, e no domingo anterior o apresentador havia completado 38 anos. Ele conta que, para comemorar, preparou um prato que é especialidade da mãe, galinha ensopada e macarronada feita à mão, “cortada na faca e não na máquina”, descreve ele, salivando, com maionese, salada de batata e farofa. “Cozinho todos os dias em casa. Sábado é dia de churrasco, e domingo costumo fazer arroz carreteiro”, diz. Horas antes do encontro com Carbono Uomo, ele havia preparado uma minestra, feijão batido com arroz e temperos, receita da avó, para os filhos levarem para a escola.
As saídas na Califórnia são raras. De vez em quando, com um empurrãozinho da Fernanda, rola uma escapada para um restaurante japonês, um hambúrguer ou um drink. A privacidade é maior, apesar de Rodrigo ter sido abordado durante este ensaio por uma fã. “Difícil isso acontecer”, garante. Ele também tem o hábito de ir à praia para jogar vôlei com amigos no fim da tarde, fazer um passeio no píer e pedalar nas montanhas, assunto que leva muito a sério. Rodrigo não só treina ciclismo, como participa de competições de alto nível. No fim de semana seguinte às fotos, partiria em um motorhome com a família para participar de uma prova nos arredores de Venice. Estava entusiasmado.

Tentar desconstruir o “homão da porra” [apelido que ganhou da internet por conta de seus vários predicados] é tarefa difícil. Rodrigo fica sem graça com a alcunha e jura que nunca quis ser exemplo de nada. Encara suas atitudes – como ajudar a carregar o figurino durante a sessão de fotos – com a naturalidade de quem cresceu cercado de valores sólidos. “O cara que não se enquadra nessa coisa do homem que divide tarefa é perdido e atrasado, mal com ele mesmo. Falo por mim. É algo que me faz tão bem. Gosto de estar em casa, de cuidar da minha família, dos meus filhos e da minha mulher. Mas também acho que tem gente que não faz porque não aprendeu assim”, diz.

“Homão da porra, eu?” Hilbert diz que aprendeu tudo com a mãe, em casa

No caso dele, as lições começaram cedo. Rodrigo vem de uma família em que as mulheres “tomam conta”. “Talvez por isso eu também tenha uma mulher forte em casa”, brinca, fa- zendo elogio à Fernanda. O pai foi ausente, e a mãe, professora, deu duro na criação dos filhos. Acordava cedo, deixava o café e o almoço pré-organizados, saía para trabalhar, terminava o almoço, saía para trabalhar de novo, chegava às 18h, fazia jantar, saía para dar aula, chegava à meia-noite e já deixava o lanche do dia seguinte encaminhado. “Isso sim é uma mulher da porra, com faca na bota, como se fala lá no Sul”, diz.
Reconhece que ainda há enorme desigualdade entre homens e mulheres e endossa o coro dos movimentos feministas. “Se não for grande, se não fizer barulho, não vai ser respeitada. Eu tô do lado. Se tem alguém que não entende essa luta, é para falar: ‘Ô cabeçudo, a mulher está aqui desde sempre, e você só está aqui por causa dela. Por que você é melhor do que ela? Por que tem mais direitos do que ela?’. Não tem sentido uma mulher ganhar menos do que um homem nem uma empresa ter mais homens do que mulheres empregados. Mas essa luta tem chão.”

No meio da conversa, Rodrigo lembra que tem saudade de casa, da cama, do sítio em Teresópolis, dos bichos, do pé no chão. Não vê a hora de voltar para o Rio de Janeiro, o que deve acontecer em junho. “Volto com força total”, diz. Ele se refere à retoma- da das gravações do programa Tempero de Família, no canal GNT. Até setembro, estará por conta de duas temporadas – a próxima será a segunda parte de Ferro e Fogo, em que une a expertise em serralheria, aprendida com o avô, na confecção de instrumentos de ferro aos dotes culinários que herdou da mãe. Mesmo à distância, mantém reuniões diárias com sua produtora, por Skype e telefone, para alinhar processos. Está em um momento profissional de realização e parece ter encontrado seu lugar. “Do que eu gosto de verdade? De reunir gente em volta da mesa, cozinhar e conversar. Eu queria mostrar para os outros como era aquilo na minha vida. Quando as pessoas começaram a me parar na rua e dizer que faziam as receitas, me passar as delas também, tive a certeza de que esse era meu caminho.” Para 2019, há um projeto de um novo programa, no mesmo canal, que ele ainda não sabe ao certo o que será. “Mas não vou deixar o Tempero de Família de lado”, enfatiza. Parte desse carinho com o Tempero, Rodrigo credita à boa relação com a equipe. “Estou em um canal a cabo e optei pelo conforto de ficar ali, em que as pessoas se respeitam, conversam e se escutam, independentemente da posição. Somos como uma casa de família. E eu adoro isso.” Pudera. É Rodrigo Hilbert sendo Rodrigo Hilbert.

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