Gastronomia

Krug no Brasil

Em sua primeira visita ao País, o presidente da cave de champagne Krug – e sexta geração da família – fala à Carbono.

por Fabiano Mazzei 29 Nov 2018 14:27

Olivier Krug tem um trabalho ‘chato’: ele produz champagne. Mas não é qualquer champagne, é um Krug! Um rótulo que leva o seu sobrenome e que carrega em cada garrafa muito mais do que borbulhas e tradição. Sexta geração da família Krug, Olivier tem como responsabilidade maior honrar o trabalho iniciado por Joseph Krug em 1843, quando inaugurou uma das caves mais respeitadas do mundo. Sua vida hoje tem uma rotina dividida manter DNA da marca em cada etapa da produção e garantir a qualidade excepcional da bebida, além de viajar cerca de 100 dias por ano para fomentar a paixão por Krug pelos quatro cantos do mundo.
Assim, Olivier esteve pela primeira vez no Brasil no final de novembro, para conferir de perto o trabalho de uma de suas “Krug Ambassades”, as embaixadas informais de sua família, responsáveis por promover a marca. No País, a única embaixada oficial é o restaurante Kinoshita, do empresário Marcelo Fernandes, em São Paulo. Ele aproveitou também para lançar a edição especial do champagne, a Grande Cuvée 166Ème, um assemblage de 140 vinhos de 13 safras diferentes e que passou sete anos descansando na adega da propriedade, em Reims, França.

 

 

Carbono Uomo teve o privilégio de ser o primeiro veículo de imprensa brasileiro a entrevistar Olivier Krug em sua breve visita por aqui. Recém-desembarcado em São Paulo e após um breve refresh em sua suíte no hotel Unique, na capital paulista, ele nos recebeu no lobby para um animado papo sobre o seu trabalho, a rotina na vinícola, os desafios de vender uma bebida tão tradicional a consumidores mais jovens, e de como a harmonização do champagne com a música – proposta no aplicativo da maison – pode ser fundamental para uma degustação perfeita. E, afinal, existe hora certa para se beber champagne? “A hora certa é você quem escolhe, seja em um avião, ouvindo uma música ou com amigos”. Com vocês, Olivier Krug.

 

Carbono Uomo – Como é a rotina do seu trabalho?
Olivier Krug – Tenho dois momentos principais: à frente do comitê criativo, que analisa e pensa a qualidade do que fazemos conforme aprendemos com nossos ancestrais. E, como sexta geração da família, sou o rosto e a voz da Krug, o que me leva a viajar pelo mundo – estive em Hong Kong há 10 dias, em Nova York na semana passada e, agora, aqui no Brasil – para encontrar os chamados ‘kruglovers’, como o Marcelo (Fernandes, dono dos restaurantes Kinoshita e Clos de Tapas). É uma ligação muito emocional com a marca e que preciso sentir no próprio local. E Krug, assim como o champagne, é uma emoção, sobre prazer.

 

Carbono – Quantas pessoas trabalham hoje em Krug?
Olivier – Krug é uma propriedade muito pequena, com 50 pessoas, mas um fantástico time, que faz um grande trabalho junto ao grupo Moët & Hennessy, que é muito importante para nós.

 

Carbono – Qual o desafio em se comandar uma empresa com tanta tradição?
Olivier – O maior desafio para mim é manter em nossas mentes que a tradição não está apenas atrás de nós, mas o que realizaremos daqui para frente. Tradição, para mim, é sempre o próximo capítulo. Manter o DNA e a visão de nosso fundador, mas manter isso contemporâneo.

 

 

Carbono – Qual a estratégia para conquistar novos clientes e as novas gerações?
Olivier – Somos muito contemporâneos, considerados a terceira marca de champagne (entre 60) mais digital da França em 2017. Criamos um app gratuito e passamos a colocar no rótulo do verso de cada garrafa um número de ID, que traz diversas informações técnicas daquela bebida, dicas de como servir – o tipo de taça, a melhor temperatura –, e também o novo “Music Pairings”, onde sugerimos músicas específicas para se degustar Krug. Muita gente não sabe, mas ouvir música enquanto se prova um champagne potencializa muito a experiência. Isso é cientificamente comprovado. É uma nova dimensão para quem bebe champagne.

 

Carbono – Qual a importância das Krug Ambassades e seus embaixadores nessa estratégia?
Olivier – Os embaixadores como o Marcelo (Fernandes, dono do Kinoshita) são importantes por recriarem a experiência Krug fora da França. As Krug Ambassades, como o restaurante Kinoshita aqui em São Paulo, são locais ideais para a reunião dos chamados ‘kruglovers’ e interessados, para que possam desfrutar e descobrir Krug. Falando em luxo, quando se voa em uma companhia aérea, senta-se em um restaurante ou se se hospeda em um hotel, você tem todo um staff à disposição para promover a experiência. Quando se degusta um Krug, você tem, no máximo, uma outra pessoa que irá lhe servir e isso tem de ser absolutamente perfeito em nossa proposta como marca de luxo. Por isso, somos tão criteriosos na escolha de nossas embaixadas.

 

Restaurante Kinoshita, a embaixada oficial Krug no Brasil

 

Carbono – Para finalizar, existe o momento certo para se beber champagne?
Olivier – Nasci dentro da Krug, tenho convivido com a tradição da família desde o começo da minha vida. Então, beber champagne para mim acontece desde bebê (risos). Beber Krug ou champagne é falar com os seus sentidos, você não precisa ser um expert. É como música, você sente imediatamente. Portanto, a hora certa você escolhe: seja no avião, ouvindo música ou junto a amigos. Apenas beba e sinta essa emoção tão única e especial.

www.krug.com

 

 

 

Fabiano Mazzei

Jornalista especializado na cobertura do mercado de luxo mundial, ele é também consultor de comunicação para empresas e gestor digital da plataforma Carbono Uomo.

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