Design

Dicas de mestra

Anna Waldburg ensina como criar uma casa com alma e de valor atemporal.

por Athena Advisers 15 Mar 2018 11:17

A maioria dos compradores só começa a pensar sobre interiores quando o contrato está assinado e as grandes reformas já estão bem avançadas. É, logicamente, o próximo passo, certo? Errado. Na prática, pode fazer toda a diferença para o valor do seu imóvel ter a visão de um especialista em interiores enquanto suas plantas ainda estão sendo desenhadas. Enquanto os incorporadores se encarregam do projeto como um todo e os arquitetos mapeiam o seu volume, cabe ao designer de interiores cuidar dos pequenos detalhes que realmente influenciam o modo como você viverá no espaço e, portanto, qual valor ele terá se você planeja revendê-lo ou alugá-lo. Você o terá sentido, as melhores casas possuem uma energia intangível.

Os incorporadores visionários já perceberam a diferença que isso pode fazer, com uma crescente tendência para colaborações entre incorporadores e designers no estágio inicial para oferecer aos clientes a possibilidade de realizar a curadoria dos imóveis na planta antes dos materiais serem encomendados. Como dizem, o diabo mora nos detalhes. A designer de interiores Anna Waldburg nos ensina o ABC de como criar uma casa com alma que manterá seu valor durante muitos anos.

Qual é o seu primeiro passo como designer de interiores?
A primeira coisa é entender as características dos clientes com os quais você está trabalhando. Eles têm família, eles viajam, este é seu imóvel principal ou secundário? Eu faço muitas perguntas para entender os conceitos básicos de como eles querem usar o espaço e seu estilo inato. A partir daí eu crio um mood-board e iniciamos uma colaboração.

E depois?
Comece sempre conectando-se com o espaço. Pergunte a si mesmo, que tipo de alma tem esse espaço? Tem que começar por aí, senão, você irá transplantar um conceito para um espaço que não será o ideal e os dois não irão dialogar entre si. Alguns lugares possuem boas vibrações imediatamente e você precisa estar lá mesmo quando eles estão vazios. Se sua casa não tem luz natural e volume, você pode criar isso através do design, decorando uma parede nua com painéis de madeira, cantos curvos ou tetos pintados.

O que você recomendaria a compradores que adquirem imóveis na planta e que têm menos controle sobre o design?
Preste muita atenção à planta e veja se o layout é adequado para sua vida atual e futura. Veja o posicionamento das janelas e como a propriedade está localizada – você tem sol da manhã na cozinha? Você tem luz no fim da tarde? Não se esqueça de verificar o pé direito, pois isto é geralmente esquecido quando se olha as plantas. Além disso, peça uma amostra dos materiais que serão usados.

Como o design de interiores pode aumentar o valor do seu imóvel?
O trabalho de um designer de interiores é entender o cliente, imaginar sua vida perfeita e traduzir isto na planta, na fluidez e no estilo. Organizamos o espaço psicologicamente. Desde onde você pendura o seu casaco até a sapateira, os interruptores, como você cozinha, onde ficam as especiarias e a facilidade de lavar a louça. Pensamos em todos os seus movimentos para que o fluxo seja totalmente natural. Um incorporador ou arquiteto não irá pensar nesse nível de detalhes, então, é essencial inserir o design logo no estágio inicial e trabalhar em conjunto para criar esses espaços.

Quais são as coisas essenciais que você deve procurar no que diz respeito aos ambientes de sua casa?
A primeira pergunta que você se deve fazer é como você quer viver em sua casa: Você está procurando um espaço para conforto ou entretenimento? Você quer que os ambientes reflitam quem você é, um lugar para se afastar do cotidiano ou você está procurando um espaço que impressione? Qual é a atmosfera que você sente quando entra? Comece com esta visão.

O que faz um bom lar para você?
É a sensação que você tem quando você entra. Meu objetivo é criar um espaço onde você se sinta imediatamente distanciado de seu cotidiano, como se estivesse protagonizando o seu próprio filme, onde as cenas acontecem na sua frente porque é para isso que o espaço é projetado. Não se trata de se sentir sobrecarregado, mas intrigado. Você repara um som aqui, vê um detalhe ali e vivencia sua casa como se fosse uma caminhada na natureza, onde os detalhes se desdobram à medida que você se move pelo espaço e a casa tem alma.

No que gastar e no que economizar?
Nunca economize em conforto! Sempre invista em sofás, cadeiras confortáveis e em acessórios, como cabeceiras e cortinas. Também gastaria em uma peça de design que você não precisa, mas adora, como uma poltrona ou estante. Isso torna o espaço pessoal para você, pois traz a energia do que você ama.

Economize em abajures, mesas de cabeceira e mesas de centro. Você pode comprar essas peças em leilões a preço de banana e elas não se destacam. Há tapetes, camas e cadeiras ótimas e bem acessíveis – mas verifique as juntas.

Ao invés da velha tendência de localização, localização, localização, o valor e a conveniência do imóvel estão cada vez mais ligados a seu design e ambientes, qual é a sua opinião sobre isso?
Embora a localização privilegiada seja sempre uma vantagem, recentemente vimos uma gentrificação no centro da cidade, com o aumento dos preços, que acabou expulsando a autenticidade da natureza humana. Os jovens estão sendo atraídos para locais onde podem realmente deixar sua própria marca e criar sua própria história. Quando um número suficiente de pessoas percebem que existe um lugar onde isso é financeiramente e esteticamente possível, surgem pequenos enclaves que criam sua própria comunidade. Atualmente, as pessoas querem pertencer a uma comunidade; e isso em todos os aspectos de suas vidas, nas roupas que vestem, lugares que frequentam, quarteirão onde vivem, mobílias que colecionam. Vivemos em um tempo de curadoria. Agora trata-se de curar sua casa. Você vê isso em Londres – por exemplo, Chelsea costumava ser esse lugar na década de 60, mas agora há um Starbucks em cada esquina e janelas escuras, já que as pessoas não moram aqui em tempo integral. Áreas interessantes para procurar são Victoria Park e o Broadway Market no leste de Londres e Kensal Rise e Queenspark no oeste de Londres.

Marcas, parceiros ou produtos favoritos?
Eu sempre visito meus antiquários favoritos, o Dorian Caffot de Fawes e o Quindry, na Lillie road. Eu admiro a capacidade que eles têm de encontrar peças antigas elegantes, principalmente da primeira metade do século 20, que parecem modernas e podem ficar sozinhas ou fazer parte de um esquema de decoração. Eu busco inspiração na arquitetura, nas arte, em décadas passadas, no cinema e na natureza. Veja o exemplo dos gigantes da metade do século, como Lautner, Frey e Niemeyer, que deixavam os elementos ditarem o edifício. Estamos caminhando para uma sensação naturalista, com materiais retirados da natureza, como madeira bruta, ráfia, linho orgânico e rocha vulcânica. Esses são materiais que possuem textura e movimento. Tenho cuidado com o plástico. Quero usar objetos que melhoram com o tempo, que contam uma história. Pense em uma mesa de fazenda antiga com todas as suas marcas e arranhões, 300 anos de pessoas derramando vinho, cortando, rindo, chorando, amando. Ela carrega essa energia.

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Athena Advisers

Investimento, propriedades e lifestyle. A Athena Advisers é uma consultoria boutique especializada em propriedades high-end em Lisboa, Barcelona, Côte d’Azur, Alpes, Paris e Londres. A agência foi uma das primeiras a fincar bandeira na capital portuguesa prevendo o boom imobiliário que faz da cidade o novo eldorado do real estate internacional.

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