Arte

Livros de homens reais na cabeceira

Nosso publisher Luciano Ribeiro escolhe suas obras literárias favoritas

por Luciano Ribeiro 8 Set 2016 09:36

Depois dos 35 anos, o amor que eu tinha pela música, a vontade de saber quem era cada compositor das canções que eu adorava e a ansiedade de esperar pelo novo álbum da banda predileta foram desbotando. Fiz jornalismo para ser crítico de jazz e, durante alguns anos, escrevi resenhas para o Jornal do Brasil, no Rio. Mas o casamento e a paternidade deixaram minha casa mais silenciosa – pelo menos no que se refere à música. E para ocupar o peito vazio, veio a literatura.

Demorei algum tempo para entender do que realmente gostava e, então, criei meu próprio mundo, que começa com Saul Bellow e desemboca em Karl Ove Knausgård. Depois que você entende o que te toca, a ida a uma livraria fica mais fácil. Saber viver é saber limitar suas opções. Entendi que mais do que os clássicos russos (na medida para adolescentes), ficção científica, best-sellers ou autoajuda, amo a ficção realista. Se for americana, melhor ainda. Se o escritor tiver nascido nos anos 1930, então é perfeito. Foi nessa década que os EUA geraram Philip Roth, John Updike, Don Delillo, Cormac McCarthy e Thomas Pynchon. Os três primeiros, todos “filhos” de Bellow, estão no meu altar.

Quando busco um livro novo, quero que seja no mesmo mood daquilo que esses caras escrevem. Eles me ajudam a entender mais sobre o ser humano, e isso me interessa mais do que descobrir quem é o assassino do crime quase perfeito. Roth, Updike e Delillo falam de pessoas comuns, com angústias ordinárias. Seus personagens são geralmente masculinos. E o que se passa com eles é o mesmo que acontece com nossos vizinhos, nossas família, nós mesmos. Pessoas imperfeitas que traem e são traídas, gente tentando levar, sem autocomiseração, a vida da melhor forma possível. Eles mostram que as coisas podem dar errado, mesmo que você faça tudo certo. E que as pessoas sobrevivem, mesmo que muito dê errado. A lista tem bem mais do que esses meus três prediletos. Tem Amós Oz, Ian McEwan, Denis Johnson, Primo Levi, James Salter, Karl Ove, John Williams… Daria para fazer uma revista inteira. As sugestões são totalmente pessoais. Espero que gostem.

Texto originalmente publicado na revista Carbono Uomo n° 1