Arte

Juliana Lewkowicz ganha individual em SP

Primeira mostra solo da artista acontece na ArtEEdições Galeria

20 Fev 2018 12:30

Em busca de novos olhares, Juliana Lewkowicz viaja para diversos destinos, registrando as paisagens e sensações que encontra em seu caminho. A artista, entretanto, não tem a preocupação de figurar o real. Seus cliques visam transportar o interlocutor para um universo lúdico e impregnado de lirismo. É o que acontece em A Perenidade das Bolhas de Sabão, sua primeira individual, que a ArtEEdições Galeria recebe a partir de 1º de março. Com curadoria de Eder Chiodetto, a exposição apresenta ao público cerca de 20 fotografias, que juntas compõem uma visão bastante particular de diversas regiões do Brasil e da América Latina.

Em seus trabalhos, Juliana faz uso de bolhas de sabão, espelhos e outros elementos pouco usuais, em um exercício constante de poetização do mundo que a rodeia. Evocando memórias de infâncias, as bolhas de sabão emergem em locais distintos como o Deserto do Atacama, no Chile, e a Praia de Laranjeiras, em Paraty (RJ). Sua superfície aquosa oferece uma visão distorcida do local, em um efeito de ótica que logo se dissipa. Ao optar por esses artifícios, a artista também discute a própria natureza efêmera da fotografia.

Outro elemento do cotidiano, o espelho, também aparece nos registros da Praia de Taguaiba, no Guarujá (SP). As obras brincam com a ideia de ponto de vista, permitindo ao observador acessar outras perspectivas da praia, que escapam do campo de visão da artista.

O ideal de uma representação naturalista também é questionado pela artista em suas próprias escolhas técnicas. Nas fotos produzidas em Fernando de Noronha (PE), por exemplo, Juliana deixa os raios solares incidirem diretamente sobre a lente da câmera, efeito desaconselhado nos manuais de fotografia. Já nos registros de Alta Floresta (MT), por sua vez, ela converte a câmera para o infravermelho, criando imagens que parecem emergir de um livro de ilustrações.

Em todas suas obras, a natureza, com suas rápidas transformações, é a protagonista. Porém, as poucas figuras humanas retratadas revelam bastante sobre a produção da artista. De maneira sutil, quase como se fossem parte do cenário, suas filhas aparecem em algumas fotos. A presença infantil reitera o universo de fantasia criado por Juliana em seus trabalhos e novamente remete à ideia de efemeridade, tão cara à artista, de um tempo lúdico e leve, que passa e não volta mais.

A Perenidade das Bolhas de Sabão
ArtEEdições Galeria
Rua Estados Unidos, 1162 – Jardins, São Paulo
(11) 3031-0142
Abertura: 1º de março, quinta-feira, a partir das 19h
Período expositivo: de 2 de março a 30 de março

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