Arte

Confluência do Jazz

Liderado pelo empresário Luiz Calainho, o Blue Note Rio é uma exaltação ao gênero e uma aposta na recuperação econômica da cidade

7 Mar 2018 12:46

Por Daniel Salles

O suíço Luiz Calainho, radicado no Rio de Janeiro desde 1969, adora dizer por que decidiu abrir um clube de jazz na cidade bem quando ela amarga uma de suas piores crises, que dispensa apresentações. “Todo mundo tem a obrigação de melhorar o Rio e, como empresário, quero provar que as coisas podem voltar a acontecer, dar uma injeção de ânimo na autoestima do carioca”, afirma. Inaugurado no fim de agosto, o Blue Note Rio é a primeira filial na América Latina do lendário clube de jazz nova-iorquino. Fundado, em 1981, no Greenwich Village, o acanhado endereço, com iluminação indireta e instrumentistas quase colados à plateia, foi palco de shows memoráveis de estrelas como Sarah Vaughan, Dizzy Gillespie e Oscar Peterson (a constelação toda ocuparia a página inteira). Hoje, tem filiais na Califórnia, no Havaí, em Milão, em Tóquio, em Pequim e em Nagoya (Japão). “O do Rio vai ser o melhor do mundo”, promete Calainho. “Com todo respeito aos outros, a mistura do jazz com a música brasileira é imbatível.”

Com capacidade para 350 pessoas, a filial carioca ocupa uma área de 800 metros quadrados no Complexo Lagoon, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Ao show de abertura, comandado pelo violonista Romero Lubambo, seguiram-se apresentações de nomes como João Donato, Jards Macalé, Sergio Mendes e Hermeto Pascoal. Como se nota, não há espaço apenas para o gênero de Duke Ellington e companhia. “A maior graça do jazz é a possibilidade de se fundir a outros tipos de música”, acredita o fundador.

Calainho alimenta o desejo de tirar o negócio do papel desde os anos 1990, quando era vice-presidente da Sony Music. Como a sede da companhia é em Nova York, volta e meia era convocado à cidade. Entre uma reunião e outra, um de seus programas favoritos era bater cartão no Blue Note local. “Lembro  até hoje de shows de jazzistas como Chick Corea e Ron Carter e de ícones como Sting e Stevie Wonder”, afirma. Ele detém 80% da filial carioca, que planeja replicar em São Paulo, em junho do ano que vem; em Porto Alegre, em novembro do mesmo ano; e no Recife, em janeiro de 2019. O investimento estimado na primeira casa é de R$ 4,1 milhões.

De acordo com o business plan traçado, 40% do faturamento virão de patrocinadores como Ambev e Shopping Leblon; 30% será obtido com a venda de bebidas e das receitas preparada pelo chef Pedro de Artagão, o mesmo do bistrô Formidable; e o 30% restante com a venda de ingressos. Nos negócios Calainho não admite improviso.
bluenoterio.com.br

SIGA O RITMO
Outros endereços no Rio e em São Paulo onde o improviso rola solto

A. JazzB – SP
Com pé-direito alto e clima industrial, fica ao lado d’A Casa do Porco, no centro de São Paulo. Como as mesas e a arquibancada ficam coladas ao palco, conversar durante os shows costuma provocar caras feias.
jazzb.net

B. Jazz nos Fundos – SP
Precursor do JazzB, do mesmo grupo, funciona nos fundos de um estacionamento e ganhou uma discreta, porém merecida, reforma há alguns anos. Convém chegar cedo, já que há poucos lugares. jazznosfundos.net

C. All of Jazz – SP
Em atividade desde 1995, este clube na Vila Olímpia é um dos raros estabelecimentos com jazz ao vivo que se mantém aberto até alta madrugada.
allofjazz.com.br

D. Bourbon Street – SP
Com um histórico que inclui apresentações de lendas como B.B. King, a casa de shows virou referência na cidade quando o assunto é jazz e outros gêneros instrumentais.
bourbonstreet.com.br

E. TribOz – RJ
Escondida no bairro carioca da Lapa, a casa promove shows em geral de quinta a sábado. Além das boas apresentações, deve sua fama a uma ótima carta de drinques e petiscos.
triboz-rio.com

F. The Maze Rio – RJ
Encravado na favela Tavares Bastos, o albergue criado pelo inglês Bob Nadkarni volta e meia promove concorridas sessões de jazz.
themazerio.com

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