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Viagem: Jordânia

Carbono descobre a surpreendente cultura e a gastronomia do país árabe.

2 Abr 2018 14:45

Texto e fotos por Malu Neves, da Jordânia

Acredito que, assim como eu, muitos que lerão esta matéria jamais tiveram a Jordânia em sua lista de prioridades para se visitar durante a vida. Há os que a reconheçam como o país da cidade arqueológica de Petra e só; outros comentam a respeito quando se fala em ver o Mar Morto (que também pode ser feito através de Jerusalém, em Israel, mas não é a mesma experiência que pelo lado jordanense). E ainda os que pensam em visitar o Oriente, mas optam por Dubai, Abu Dhabi ou Marrocos.
A Jordânia é um destino incrível, de uma riqueza cultural ímpar, daqueles que mexem com observadores atentos e de percepção sensível. Nascido de grandes tradições e de muitas surpresas, onde se enxergam os rastros de algumas civilizações que nem existem mais, é um lugar no qual costumes religiosos dão o tom à forma como a sociedade se porta. Lá, conheci algumas das pessoas mais maravilhosas da minha vida, de um coração e de um doar-se ao próximo que me emocionaram. Os jordanenses ficam felizes quando você se surpreende ao descobrir aspectos dos mais diversos sobre essa cultura instigante; ao elogiar, por exemplo, a comida típica – e como ela é magnífica, saborosa e variada!

A nação é majoritariamente islâmica e apenas 3% de sua população segue o cristianismo. Costumes religiosos são rígidos por lá. Mulheres usam burca, dedicam-se às tarefas domésticas e saem pouco de casa. As que saem, e algumas com as quais tive o privilégio de cruzar olhares, me passaram um sentimento natural e genuíno de curiosidade – seja da minha parte ou delas – com um misto de carinho e respeito. Guardo essas impressões claramente ainda agora. São muitos homens pelas ruas e pelo comércio, todos obedecendo rigorosamente aos cinco horários das orações, conhecidos como Salá. As rezas são praticadas ao longo do dia de acordo com as etapas do curso do Sol, e sempre voltadas a Meca. Essas cenas são muito vistas na capital Amã, com 12 milhões de habitantes, número que até 2010 não passava de 5 milhões, mas que cresceu subitamente com o asilo de refugiados sírios.

É um lugar que desperta grande fascínio por inúmeras razões, desde o modo de se vestir e se portar, passando pela forma como vive a população, formada por jordanenses e palestinos (mistura que se deu quando a Jordânia tornou-se o único país árabe a integrar 100% refugiados palestinos décadas atrás, época em que se iniciaram os conflitos com Israel). É possível conhecer Amã em cerca de dois dias. O Mar Morto está bem próximo da capital, a pouco mais de uma hora viajando de carro. No grande lago de água salgada, cobrir o corpo com a lama negra de propriedades medicinais é uma experiência surpreendente.

Um trajeto de cerca de três horas para o sul do país leva a Petra, sítio histórico e arqueológico, patrimônio da Unesco e uma das Sete Maravilhas do Mundo. Mesmo existindo apenas 13% do que originalmente era – quase toda Petra foi destruída por guerras e terremotos –, sua beleza é impressionante, assim como a energia que emana das rochas, ruínas e tumbas. Também vale muito a pena, se houver mais tempo, se aventurar mais ao sul da Jordânia, no Deserto de Wadi Rum, onde turistas, aventureiros, alpinistas e praticantes de trilhas encontram muito o que explorar. É um local procurado também pelos cineastas de Hollywood – o novo filme Aladdin, cuja produção tem no elenco o ator Will Smith, estava sendo filmado no mesmo momento em que eu visitava o deserto.

Experimente

MJADRA (OU MUJADDARA)
Jamais esquecerei desse prato, popular tal qual o nosso feijão com arroz. É feito de arroz e lentilhas temperado com cominho e salpicado com pinoli e cebola caramelizada. Encontra-se em qualquer restaurante.

KUNAFAH (OU KANAFEH)
Doce palestino feito de queijo, xarope de açúcar e um tipo de macarrão bem fino salpicado com pistache. Em Amã, prove o do Habibah, onde diariamente formam-se filas de locais.

MOUTABEL
Assemelha-se a um babaganoush árabe, só que mais leve, devido à adição de iogurte.

FALAFEL
Sem exageros, na Jordânia se come o melhor falafel do mundo. Em formato de bolinha, é fofo por dentro e bem crocante por fora, com sabor levemente apimentado. O que mais gostei foi o do Hashem Restaurant.

CAFÉ TURCO
Bem típico também na Jordânia, é realmente uma bebida muito mais consistente que os “cafés regulares”, de textura densa, forte e temperada com cardamomo. Bebe-se o café turco literalmente em qualquer esquina.

Dicas úteis

AMÃ
Há pessoas que chegam na capital de carro, mas particularmente acho mais seguro e confortável ir de avião. Recomenda-se contratar uma agência especializada, que se encarregará não somente da jornada com guias, passeios e hospedagem, como da própria facilitação na alfândega do aeroporto. Lembre-se de visitar o Teatro Romano; o Templo de Hércules na Cidadela; a Mesquita de Abu Darweesh; e os mercados Souk el-Bukharia e Souk Jara. Neles, compre temperos, pequenos acessórios e tome o suco de romã.

PETRA
Sugiro chegar cedo para aproveitar ao máximo, pois a caminhada é longa. Há quem se hospede na cidade por duas ou três noites, justamente para conhecer o sítio arqueológico por completo. Meu passeio por lá durou apenas um dia – cheguei na noite anterior para descansar e achei suficiente para uma primeira vez. Lá, não há uma cadeia de hotéis muito bacana, mas o melhor de longe é o Movenpick Resort Petra. Come-se muito bem no restaurante Al Qantarah, que oferece uma bela variedade de pratos típicos, além de carnes e saladas.

MAR MORTO
É possível passar mais do que um dia no Mar Morto, principalmente porque há opções de hotéis cinco estrelas. O Kempinski Ishtar Dead Sea é, de longe, o mais incrível. Tem diversas piscinas, spa, fitness center, restaurantes e lojas, sem contar o atendimento impecável e muito cordial. Reserve um tempo para apreciar o pôr do sol.

WADI RUM
Meu passeio durou menos de um dia, mas há muito mais para se conhecer. Muita gente escolhe se hospedar nas tendas beduínas, com mais ou menos infraestrutura. Preferi não arriscar, por ser minha primeira vez na região. Prove o chá que os beduínos preparam para os turistas, fotografe os lindos camelos e evite subir neles se for apenas para fazer uma selfie. Lembre-se da gorjeta ao fim de qualquer passeio.

BEDUÍNOS
A presença de beduínos por Petra é enorme. A maioria aborda os turistas todo o tempo para oferecer passeios de camelo ou vender artesanato. Fique atento, pois há preços abusivos.

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