Trip

Uma visita ao Emiliano Rio

A melhor e mais elegante forma de assistir aos fogos do Réveillon em Copacabana

por Shoichi Iwashita 28 Dez 2016 12:34

É só uma grande pena que o hotel Emiliano Rio — que ocupa o terreno do antigo Consulado da Áustria (uma casa não tombada, das poucas que restavam de frente para o mar na Avenida Atlântica, totalmente demolida para a construção do hotel), quase já em Ipanema — não tenha dois andarzinhos a mais para oferecer uma vista 360º de toda Copacabana, de qualquer lugar do último andar, onde ficam a piscina em L com borda infinita, o deck e o bar, de uso exclusivo dos hóspedes. De qualquer forma, mesmo estando no meio de dois prédios mais altos (o que faz com que se tenha parede dos dois lados), a vista de tirar o fôlego do 12º e último andar, do Pão de Açúcar ao Forte de Copacabana, já faz com que o segundo Emiliano (o primeiro, inaugurado em 2001, é em São Paulo), seja indubitavelmente o melhor e mais elegante lugar para assistir não só ao nascer do sol (não se vê o pôr do sol em Copacabana, apenas em Ipanema) mas também aos fogos de artifício — e todos os navios ancorados na baía, que formam um espetáculo à parte — de um dos mais belos shows de Réveillon do mundo. (Além da piscina no 12º andar, uma escada de pedra com jardim vertical — que faz você se sentir num casarão — conecta com andar de baixo, que é onde ficam os 550 metros quadrados do spa Santapele, a academia e os três Spa Suites, quartos integrados ao spa, uma novidade, e que também conta com terraços com vista para o oceano).

O projeto do arquiteto Arthur Casas respira a cidade em sua época modernista com móveis de designers da época, o verde de Roberto Burle Marx (uma pintura em tecido do artista-paisagista emoldura a recepção e, dos andares mais altos, você poderá apreciar o desenho das três calçadas de pedras portuguesas que tomam os quatro quilômetros da praia mais famosa do mundo, também de autoria de Burle Marx), e sua fachada formada por mais de 300 módulos brancos articulados que quebra completamente o ritmo de todos os prédios da Avenida Atlântica (antes de chegar aqui eu não entendia por que um hotel com vista para o mar havia decidido “fechar a vista” dos quartos; mas, a gente se hospedou no terceiro andar — bem próximo da rua —, e sendo Copacabana bem mais movimentada que outras praias, esses painéis garantem uma privacidade que não pensava ser necessária, mas é; solução perfeita e belíssima).

Enquanto no Fasano Rio em Ipanema, o outro hotel boutique da cidade, os quartos mais simples têm 30 metros quadrados e apenas as suítes contam com banheiras, no Emiliano todos os quartos possuem belíssimas banheiras Victoria Albert em áreas molhadas com vista para o quarto (tudo bem que é só ligar a ducha e em cinco segundos você só vê um vidro embaçado; mas eu amo os metais em ouro fosco desenvolvidos com exclusividade para o hotel, os mármores sem polimento que nos fazem sentir as texturas de seus veios, os vasos sanitários Toto, sempre quentinhos e com um monte de funções) e o menor quarto, o Courtyard, com vista para os fundos do hotel, tem 42 metros quadrados, ou seja, de acordo com o nosso manifesto do hotel perfeito, é super espaçoso. Além disso, o serviço de mordomia é oferecido a todos os hóspedes, sem distinção (o seu mordomo vai te levar até o quarto, desfazer sua mala, perguntar se você tem alguma roupa para passar, se quer agendar algo no spa ou no restaurante). É só uma pena que nos Courtyard a janela (esses quartos não têm terraço) não seja do chão ao teto, o que garantiria mais luz natural. Mas todas elas têm duas persianas: uma translúcida para esconder a vista meio poluída dos prédios de Copacabana e outra que serve como blackout.

No quarto (nos hospedamos na Ocean Junior Suite, com 60 metros quadrados e vista para o mar), só senti falta de mais tomadas próximas à cama, uma cortina de blackout que não deixasse passar nenhuma frestinha de luz, mais iluminação na área da pia (acho que mulheres sentirão mais a falta de luz na hora de se maquiar) e uma cadeira confortável no amplo balcão de madeira, que poderia servir de mesa de trabalho (só tem um banco de ferro e palha, sem encosto, que foi usado como suporte para a mala). De resto, não tem o que falar: o quarto é espaçoso, o banheiro é amplo e lindo, a cama é uma delícia, todo o enxoval é de algodão egípcio 400 fios, a máquina de espresso Illy possui uma placa que aquece a xícara, e acordar com a vista para Copacabana e o Pão de Açúcar (que você consegue ver da cama, ainda deitado) é como acordar em Paris, abrir os olhos e ver a Tour Eiffel. O serviço, sempre cordial e simpático (da camareiras aos recepcionistas, passando pelos meninos da porta) e a gastronomia são outros belíssimos pontos fortes da propriedade que acaba de abrir e só tende a melhorar.

MELHOR CAFÉ DA MANHÃ NÃO HÁ
Quando eu penso que pago R$ 52 pelo café da manhã quase humilde no La Biclyclette, com bons pães mas viennoiseries que deixam muito a desejar, e porções minúsculas de tudo (de geleia, de granola, de ricota; você ainda tem de pagar os ovos à parte) e comer em mesas de madeira na calçada, por R$ 75 você vai começar o dia com um Wellness Breakfast no lindo salão com jardim vertical e comer com serviço de linho, pães e viennoiseries deliciosos, ovos do jeito que você quiser, suco detox, queijo tipo Minas e frios, um generoso prato de frutas (com melão, kiwi, melancia, cerejas enormes, maracujá, grapefruit, morango, manga), ghee (manteiga clarificada), um creme de ricota absurdamente delicioso, waffle de mandioca com banana e canela, espresso ou chás, e por mais R$ 20 você acrescenta uma Mimosa (espumante com suco de laranja). As porções são tão generosas (e o garçom pergunta qual é a ordem que você prefere; eu comecei com ovos, manteiga e pães, meu amigo começou com suco detox e frutas) que, apesar de pedirmos dois cafés da manhã, a quantidade de frutas e frios de uma porção deu para nós dois — que somos comilões. De tão satisfeitos, só conseguimos provar metade de um dos dois impecáveis croissants de amêndoas que chegaram para finalizar esse café-da-manhã-banquete. Só é bom sentar-se no salão externo: o salão principal, mesmo durante o dia, é bem escuro. {Veja nas fotos abaixo} A comida do restaurante Emile, onde jantamos, também é muito boa, mas vai ter matéria exclusiva logo mais.

O PREÇO DO RÉVEILLON
Para três noites que incluem o Réveillon 2016-2017, calcule R$ 17 mil para o quarto mais simples, o Courtyard, já com taxas e café da manhã para duas pessoas, uma garrafa de champagne, 15 minutos de massagem nos pés, serviço de mordomia, wi-fi, jornais locais, e R$ 60 mil para a Junior Suite, com 60 metros quadrados e vista para o mar (dá para ver os fogos da ampla sacada do seu quarto :-).

Emiliano Rio
Avenida Atlântica 3804, entre as ruas Sousa Lima e a Francisco Sá.
Copacabana
55 21  3503-6600
60 quartos + 30 suítes
Hora do check-in: 15h
Hora do check-out: 12h
Wi-fi gratuito
Restaurante do hotel: Emile, gastronômico, com receitas autorais do chef Damien Montecer com uso de ingredientes locais
Bares do hotel: Tem um bar no lobby aberto para não-hóspedes, o Emile e o bar da piscina, o Emiliano Rooftop, apenas para hóspedes.
Serviço de quarto 24 horas
Saunas seca e vapor, mistas
Spa Santapele
Crianças bem-vindas
Não aceita pets
Banheiras em todos os quartos
Preço aproximado para três dias e duas noites de hospedagem para duas pessoas: R$ 4.500, num quarto Courtyard, sem vista para o mar e sem café da manhã.
Aceita todos os cartões de crédito.
Desde 2016
Site, clique aqui

Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.