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Um pedaço da Era Jurássica hoje

Nas Seychelles, a ilha Praslin tem árvores preservadas há milhões de anos

por Shoichi Iwashita 18 Jan 2017 09:43

É nesta ilha que fica a Anse Lazio, a praia que é considerada uma das mais lindas do mundo. Aqui também está o Vallée de Mai, uma floresta de palmeiras gigantescas — que dão o famoso coco de mer, uns cocos também gigantes —, intacta há milhões de anos, com espécies endêmicas que você não encontra nem nas ilhas vizinhas (a sensação é a de que se está no cenário do filme Jurassic Park ). Mas a não ser que você venha jogar golfe no hotel-resort Constance Lémuria (e apesar de ter um hotel de luxo da rede Raffles), Praslin — fala-se “prálin” ou “pralã” — é perfeita para se passar apenas o dia, pois além da praia e da floresta, não há muito mais o que ver ou fazer. Ou melhor, não tem nada — natureza, praias, atividades — de que você já não irá desfrutar bastante nas outras ilhas.

COMO CHEGAR A PRASLIN?
Segunda maior ilha da República das Seychelles (entre Mahé, a maior, e Silhouette, a terceira), Praslin tem apenas sete mil habitantes e você pode vir para cá tanto de catamarã (que eles chamam de “jetty” ), de Mahé ou La Digue, quanto de avião, de Mahé, num voo que dura 15 minutos (a Air Seychelles faz 32 voos diários entre as ilhas de Mahé [SEZ] e Praslin [PRI], num aviãozinho pequeno — e bem velho; tanto é que o vídeo de procedimentos de segurança é passado na sala de embarque e não no avião — com capacidade para 19 passageiros, o Twin Otter, sem ar-condicionado, e naquele calor; por isso, se você for um pouco claustrofóbico, prefira ir por mar de catamarã, que são novos, grandes e bem confortáveis — tem poltronas internas, com TV e ar condicionado, veja as fotos na galeria ao fim da matéria —, numa viagem que dura 45 minutos; eu gosto da aventura do avião :- ). Aí, há duas possibilidades: 1. pode-se estar em Mahé ou La Digue e ir e voltar no mesmo dia (tranquilamente, tem voos e catamarãs o dia todo), ou então, 2. visitar Praslin entre as suas estadias em Mahé e La Digue, que foi o que eu fiz. Saí de Mahé pela manhã no voo da Air Seychelles, passei o dia em Praslin, e, no fim da tarde, peguei o catamarã com destino a La Digue, onde eu passei mais dois dias. O trajeto entre Praslin e La Digue por mar, de catamarã, dura apenas 15 minutos, e são sete saídas diárias entre as 7h e as 17h15, saindo de Baie Sainte Anne. Só atenção com a bagagem se você for de avião: a cabine do Twin Otter é bem apertada, não tem compartimento de bagagem (você vai ter de levar a bolsa provavelmente no colo, se não couber no pequeno espaço embaixo do assento da frente) e o limite de peso para a bagagem despachada é de apenas 15 quilos. Calcule € 150 para uma passagem ida e volta Mahé [SEZ] — Praslin [PRI] — Mahé [SEZ], indo e voltando no mesmo dia. Ah, o aeroporto de Praslin é bem mais bonito que o de Mahé!

COMO SE LOCOMOVER EM PRASLIN
Tem de alugar carro ou pegar um táxi para ter como motorista pelo dia (o carro também vai servir como depósito para as malas, caso você esteja viajando entre as ilhas; e não se preocupe pois, se você tiver comprado o chip de celular da operadora local, o sinal é sempre bom em todas as ilhas para você se comunicar com o seu motorista). As distâncias são grandes, mas são poucas as vias, por isso, não precisa se preocupar em se perder. Empresas como a Kreol Car Hire ou a Bliss Car Hire, entregam o carro onde você estiver, no aeroporto ou no jetty (que é como eles chamam os catamarãs e o local de onde eles partem e chegam), e basta ter mais de 21 anos de idade e carteira de motorista com validade de mais de um ano.

O DIA IDEAL NA SEGUNDA MAIOR ILHA DAS SEYCHELLES
Assim que você chegar pela manhã, a primeira parada é visitar o parque nacional Vallée de Mai, que abre às 8h, e, depois, escolher uma ou duas praias para visitar.

O VALLÉE DE MAI



Poderia ser apenas um passeio por um jardim com palmeiras enormes se você não soubesse que essa floresta está intacta, exatamente deste jeito, há milhões de anos (as palmeiras teriam surgido aqui há 80 milhões de anos — 15 milhões de anos antes da extinção dos dinossauros — quando as Seychelles ainda faziam parte do supercontinente Pangeia, ou seja, estava lá grudada na Índia) e, por estar isolada, possui espécies de plantas e animais que não existem em nenhum outro lugar do mundo (nem nas dezenas de ilhas vizinhas, com exceção da ilha Curieuse, que está a 500 metros de Praslin). É aqui que você vai encontrar o símbolo nacional das Seychelles, o coco de mer, um coco gigante, com 40 cm, 50 cm de diâmetro (que pesa de 15 a 30 quilos!; a maior noz do Reino Vegetal), cujas palmeiras chegam a 35 metros de altura, com folhas de sete, 10 metros de comprimento por seis metros de largura. Mais difícil de ver são os papagaios pretos (eu não consegui achar nenhumzinho), também endêmicos de Praslin, que vivem aqui no Vallée de Mai, um pedaço fechado no coração do Parque Nacional de Praslin, patrimônio mundial da Unesco desde 1983. Não à toa um general britânico do século 19, Charles George Gordon, cristão fervoroso e cosmologista, tinha certeza de que aqui era o Jardim do Éden, o de Adão e Eva, do Gênesis da Bíblia. O parque é super organizado e preparado para o turismo (tem lojinha, café, lockers ), fica aberto todos os dias, das 8h30 às 16h, e são três tamanhos diferentes de trilhas para você fazer, que dá para fazer sozinho, seguindo as placas, ou na companhia de um guia. Fiz a rota verde, que passa por um local com vista panorâmica (no Circular Path North, vale a pena a caminhada até lá), e, apesar de terem me informado que levaria duas horas, não gastei nem 50 minutos, num ritmo mais vigoroso para queimar calorias (até porque a vegetação é a mesma em todo o parque). Tem visitas guiadas todos os dias às 9h e às 14h. Para outros horários, sempre tem algum guia na entrada no parque oferecendo o serviço de guia (pago) para quem se interessar.

ANSE LAZIO



Depois da selva, hora de pegar o carro e curtir uma praia, nesta que é considerada uma das mais belas praias do mundo, a Anse Lazio, no norte de Praslin. Além da areia fina e branquinha, água turquesa e cristalina (não se assuste ao ver peixes aparecendo do seu lado quando na água), os granitos típicos das Seychelles e vegetação abundante, a praia abriga o restaurante Bonbon Plume, onde você pode comer pratos simples mas bem servidos da cozinha créole, com peixes e frutos do mar fresquíssimos (e onde você vai encontrar todo mundo que estava visitando o Vallée de Mai pela manhã). O restaurante tem mesas cobertas na areia, banheiros, mas não tem ducha. Então, o jeito é comprar uma cara garrafa de água (70 rupees seychellois; paguei pela mesma garrafa 17 rupees em La Digue) e jogar no corpo para tirar o sal depois do banho de mar. E prosseguir viagem. Calcule € 4 por uma água de coco, € 35 por um prato de camarões temperados à moda créole, € 7 por um sorvete e € 5 por um espresso, que pode ser Nespresso ou Lavazza. Só não chegue muito tarde pois a cozinha fecha às 15h.

COTE D’OR
Outra praia que eu fui visitar foi a Cote d’Or, uma longa e famosa faixa de areia na costa norte da ilha, que tem mais estrutura, como hotéis com restaurantes na praia, e uma rua paralela à faixa de areia com lojas, mercadinhos, restaurantes e cafés, mas ela estava cheia de algas e corais, o que tirou um pouco o brilho dela (parece que ela deve ser evitada entre maio e outubro por conta disso). Mas, de qualquer forma, a Anse Lazio é a praia mais bonita de Praslin e uma das mais bonitas das Seychelles.

Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.

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