Trip

Um Hilton nas Seychelles

Na costa africana, a Ilha Silhouette tem um resort cinco estrelas em meio à natureza

por Shoichi Iwashita 2 Jan 2017 12:43

Confesso que, ao planejar uma viagem para qualquer praia (ainda mais um destino considerado paradisíaco como as Seychelles), a minha última opção de hospedagem seria uma propriedade dessas grandes cadeias internacionais voltadas para o mercado corporativo, que seguem aquela identidade única estando você em Xangai, em Paris ou no Rio de Janeiro. Mas o que me encantou no Hilton Seychelles Labriz Resort & Spa, além do fato de ele ocupar sozinho a Silhouette Island, a terceira maior ilha das Seychelles, plantation no século 18 e hoje parque nacional e marítimo, é que na ilha existe um vilarejo com apenas 135 nativos, com direito a escola maternal (no momento sem alunos porque as poucas crianças da ilha — eram cinco em 2015 — prosseguem hoje o ensino fundamental em Mahé), hospital (onde um médico alemão é mantido pelo hotel), capela, centro comunitário; e o mais bonito é que, em vez de escondê-los, você precisa passar pelas casinhas de palha para chegar ao resort, e os locais não pagam nada para utilizar a lancha que faz a travessia dos hóspedes entre Mahé e Silhouette, trajeto que leva 45 minutos e sai de um lounge exclusivo do Hilton em Mahé (calcule, 25 minutos de carro do aeroporto de Mahé até o lounge, mais o tempo de barco). Ou seja, eles moram no paraíso e ainda têm toda a comodidade para acessar os serviços que não encontram na ilha.

Apesar de 93% da ilha ser de floresta (e você pode fazer uma caminhada de três horas — incluindo uma bela subida — para chegar à praia do outro lado que não é acessível nem por barco por causa dos corais), a área que o resort ocupa é bem grande: são 111 villas espalhadas por quase dois quilômetros de uma linda praia (mas cheia de corais, como praticamente todas as praias das Seychelles), sendo que apenas 30 das villas não estão de frente para o mar (mas logo atrás, a 30 metros da areia). E aí, a não ser que você goste de caminhar bastante, o jeito é ficar ligando toda hora para a recepção para pedir para um buggy te buscar e levar para a bem equipada academia aberta 24 horas, para a quadra de tênis, para o belíssimo e ótimo spa (no meio da mata, entre pedras enormes; seguramente um dos mais lindos das Seychelles, veja as fotos), para o centro de treinamento de mergulho (equipada até com uma piscina para aulas), para o restaurante Grann Kaz, que fica no casarão de 140 anos da plantation, especializada em comida créole; pois os trajetos a pé podem chegar a 20 minutos (bastante). Seria perfeito se cada villa tivesse suas próprias bicicletas (para pegar uma, você vai até o centro de lazer, mas só pode ficar apenas uma hora de graça, paga as horas excedentes, mas tem de devolver).

Todas as villas são enormes, com camas king-size, amplos banheiros com banheiras (e duchas no meio de um jardim-quintal; eu amo tomar banho ao ar livre) e ótimos amenities (incluindo um creme refrescante para queimaduras de sol), e são três as opções de acomodação: 1. as villas King, com opções de serem no jardim (com 88 m²) ou com vista para o mar (101 m²); 2. as Deluxe, villas com piscina particular, que podem ser ou no meio na floresta ou na beira do mar, ambas com 185 m²; e 3. a Presidential Villa, que fica ao lado do spa e da praia mais linda do resort, com aqueles grandes granitos típicos das Seychelles (não deixe de frequentá-la). Mas, a não ser que você tenha o azar de estar na época de férias escolares no hemisfério norte (junho a agosto), quando a piscina pode ter mais crianças que a sua vontade de paz, a piscina do resort é ótima e linda (com serviço de bar e espreguiçadeiras de casal; como eu estava sozinho, podia tomar sol de todos os jeitos: na transversal, na vertical, na diagonal) e, por isso, eu não me hospedaria numa villa com piscina particular (a diferença de preço da diária entre uma King Beachfront Villa e uma Deluxe Beachfront Pool Villa, é de € 350 ou R$ 1.300, por dia). Até porque, ao acordar e já ver o azul daquele mar, a primeira coisa que você quer é ir para a praia.

COMIDA DE RESORT SEMPRE DEIXA A DESEJAR
Como o Labriz é um resort isolado e você não consegue sair da ilha para jantar, são cinco restaurantes com cozinhas distintas — do fusion asiático ao italiano passando pela cozinha créole e a comida rápida da piscina — para que você possa variar ao longo da sua hospedagem (e na hora de reservar, você pode optar por um esquema meia-pensão ou pensão completa). E é só nesse momento que você vai se sentir num hotel de cadeia rede norte-americana, com ambientes decoração não muito elegante, nomes e logos na porta de estética duvidosa, e comida, no máximo, correta (não tive oportunidade, no entanto, de jantar no restaurante gastronômico, que utiliza a produção da horta orgânica do hotel na composição dos pratos). Já o café da manhã é farto, com muita variedade e fica cenográfico se, depois de se servir no buffet, você pegar seu prato e se sentar nas poucas mesas sob as árvores que eles colocam na areia entre o restaurante e o mar {veja foto abaixo}. Só não deixe a mesa sozinha. Deixei meu prato com ovos mexidos, queijos e pães para buscar frutas e, quando voltei, os pássaros tinham comido quase tudo (vi isso acontecer também no café da manhã do Belmond La Samanna, em Saint-Martin; mas não foi comigo). Fica todo mundo olhando os pássaros atacando o prato quando o dono deixa a mesa. Ah, o café da manhã vai até às 11h, o que a gente adora.

QUANTO CUSTA SE HOSPEDAR NO HILTON SEYCHELLES LABRIZ?
A diferença da diária entre a Garden Villa e a Beachfront (de frente para o mar) é de € 100, mas a diferença de experiência é brutal e, por isso, vale o investimento. Não só você vai acordar e, da cama, ver o mar, como também a Beachfront Villa possui uma área na areia cercada por arbustos baixos que te dão uma sensação de quase total privacidade. E, além das poltronas no terraço, há duas espreguiçadeiras neste jardim, mais duas depois dos arbustos, na praia; ou seja, dá para escolher onde você quer tomar sol. PREÇOS: a diária do King Beachfront Villa, onde eu me hospedei, para duas pessoas é de € 585; com meia-pensão (café da manhã e jantar), € 725; e no esquema pensão completa € 845 (lembrando, para duas pessoas); o que compensa já que a comida não é barata (só jantar no Portobello, que não é o restaurante mais caro, sai € 80 por pessoa; e lembre-se de que você não tem opção de sair para comer e não há lojas de comida na ilha). Aí, se você quiser algo que esteja fora do cardápio previsto para este tipo de estadia é só pagar os valores suplementares (sempre escritos nos cardápios).

Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.

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