Trip

Surfe na Nicarágua é certeza de swell

O alfaiate Bruno Colella reservou uma semana em sua disputada agenda e foi surfar na América Central

por Bruno Colella 31 Ago 2016 10:01

Minha janela de férias era curtíssima, alias não havia janela. Precisei criá-la, em favor de uma necessidade de vivenciar algo que há tempo não vivia.

O trabalho, as responsabilidades profissionais e a rotina são fundamentais para que tenhamos foco e possamos progredir como seres humanos. Acredito também no equilíbrio das coisas, na importância de cuidar do lado pessoal para que o profissional possa ser desempenhado com amor.

Viajar com amigos em busca de ondas perfeitas é como resgatar histórias passadas e escrever as novas. Melhor ainda quando ocorrem em ambientes desconhecidos e inusitados.

Para a escolha do destino, alguns fatores eram extremamente relevantes, nosso tempo era curto, ou seja, o tiro teria que ser certeiro. Pensei na distância do voo, na regularidade de ondulações, além da possibilidade de pegá-las só com os amigos, sem ninguém por perto.

De muitos lugares que tive a oportunidade de surfar, sempre soube que a Nicarágua, na América Central era satisfação garantida. Quando fui há exatos 10 anos, lembro de ter voltado impressionado com o potencial e perfeição das ondas.

Por ter passado um longo período de instabilidade politica e guerra civil, a Nicarágua, diferente da Costa Rica, teve seu desenvolvimento turístico tardio, afastando também os surfistas.

A região sul do país, onde estávamos, é extremamente rural. A paisagem se resume a fazendas e plantações onde o gado ainda é usado como transporte de cargas.

Outra coisa fundamental numa surf trip é a companhia. Tive a sorte de poder unir os melhores amigos, e esse foi o grande diferencial da viagem. Além dos momentos dentro d’água, tomar uma cerveja local vendo o por do sol do Pacífico, recordando as cenas do dia, lembrando das viagens feitas e desejando as próximas era o que havia de mais prazeroso para nós.

O Guilherme (Biri), que já foi comigo para lugares como o Peru e o Havaí, é agente de viagens especializado em destinos de Ano Novo no Brasil, e nos ajudou a organizar melhor os detalhes.

Já o Renato (Zizo), que conheci na Austrália em 2002, é um exemplo vivo de que a busca pela felicidade sem rótulos e preconceitos vale a pena, ou melhor, vale a vida. Depois de uma viagem com sua esposa para o litoral da França, Zizo participou de cursos e workshops de como fazer pranchas… Sim, o cara virou shaper e então criou a ZZ HOODS.

Baseada em Floripa, para onde ele se mudou há quase dois anos, a empresa começou a fazer suas próprias pranchas. O produto despertou curiosidade na turma local e de lá pra cá, além de fazer para os amigos, ele faz para alguns surfistas da região. A minha consegui nos 45 minutos de segundo tempo, e acabei recebendo-a em solo nicaraguense. É uma 5´2 fish tail, mais adequada para os dias de ondas menores. Foi uma bela surpresa! A ZZ HOOD, é especializada em pranchas que divertem a alma, sejam elas simétricas ou assimétricas – ainda vamos ouvir falar bastante delas – , e a sua filosofia é a busca por novas experiências, sem aquele sentimento de competição, e sim de diversão. Descobri que surfar com uma prancha feita por um amigo é um sentimento diferenciado.

Outro destaque foi o Gustavo, amigo de longa data, que mora em Nova York . O Gus pegou um voo via Miami, e nos encontrou em Manágua, de onde partiríamos para região das ondas, três horas ao sul. Em sua 1ª trip de surfe, foi muito bacana vê-lo em evolução e encarando situações novas, como remar em ondas grandes e andar sobre bancadas de pedra.

Além do meu amigo de infância Felipe (Baba), tivemos a presença do Eilon, outro viajante das ondas, que se casará o mês que vem e aproveitou para fazer uma trip só com os amigos.

Realmente a sorte estava do nosso lado. Pudemos desfrutar de dois swells. Um tinha altura de 5 a 7 pés, e o outro de 4 a 6 pés. Em resumo, o mar não baixou de um metro. Surfamos ondas em Playa Colorado (a mais constante da região), Lances Left (point de esquerda que quebra sobre uma longa bancada de pedra), Playgrounds (point break que funciona para os dois lados), além de uma praia, e um secret spot em que o único acesso era a barco. Lá surfamos sozinhos algumas vezes. Nossa missão estava concluída!!!

Para que tudo desse certo, fechamos com os amigos da Surf Travel Co (STC), especializados no assunto. Eles trabalham com os melhores destinos e oferecem os hotéis mais próximos das ondas em todos os cantos do mundo. Optamos por um pacote com guia 24 horas, saídas de barco e carros 4×4 para que não desperdiçássemos nosso precioso tempo.

E por falar em tempo, não tenho dúvida que aproveitamos o nosso ao máximo nessa semana. Foram tantas coisas novas e experiências, que levaremos para o resto de nossas vidas.

Bruno Colella

Neto do alfaiate italiano Nicola Colella, Bruno é responsável pela criação dos costumes da BRNC

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