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O novo lounge do Charles de Gaulle

Aeroporto na França também tem conceito de hotel

por Shoichi Iwashita 27 Mar 2017 11:10

Há trinta anos, quando os brasileiros viajavam para a Ásia, a opção unânime dos voos — na época, de companhias aéreas incríveis como Varig, JAL, Korean Air — era via Los Angeles (hoje, a Varig não existe mais e a JAL e a Korean não voam mais para o Brasil). Com o fim dos voos dessas empresas, passamos a ir por Nova York ou pela Europa (Londres, Paris ou Frankfurt), mas é impressionante a mudança no comportamento das rotas dos viajantes que as companhias aéreas emirati — com aviões novos, rotas para o mundo inteiro com boas opções de horários, serviço bom e preços bastante competitivos — conseguiram fazer nos últimos dez anos: a grande maioria dos brasileiros hoje viaja para a Ásia ou por Dubai, com a Emirates, ou por Doha, com a Qatar Airways (a Etihad deixou de voar para o Brasil em março de 2017). Mas, a longa e cansativa viagem para Tóquio, Xangai ou Bangkok de, no mínimo, 30 horas entre a porta de casa e a porta do hotel, além da terrível diferença de fuso horário que causa um cansaço quase insuportável, faz com que a estrutura do aeroporto de escala seja fundamental para uma viagem menos sofrida (porque sofrida sempre é). E se você prefere voar via Paris com a Air France (é sempre uma opção fazer um stop de alguns dias em Paris ou na ida ou na volta; e Paris é sempre mais interessante que Dubai), apresentamos uma ótima notícia.

LOUNGE LINDO PARA TODOS E CAMA DE VERDADE NO YOTELAIR
O Terminal 2E do aeroporto internacional de Paris, o Charles de Gaulle, utilizado exclusivamente pela Air France para todos os voos entre as Américas, África e Ásia (com apenas algumas exceções; e é bom lembrar que a companhia aérea francesa voa para 320 destinos em 114 países, ou seja, para praticamente o mundo todo), acaba de inaugurar o Instant Paris, um espaço amplo e lindo de 4.500 metros quadrados dentro da área restrita (ou seja, para passageiros em conexão internacional) na área dos portões L (o terminal 2E é dividido em portões K, L e M, e para você ir de um grupo de portões para outro é preciso pegar um trenzinho bem rápido). O lounge, que é um oásis de tranquilidade, conta com um quiosque de comidinhas saudáveis (o Naked), café self-service, biblioteca repleta com livros sobre temas relacionados à França (da moda à gastronomia), área de trabalho cheia de tomadas (o wi-fi é gratuito em todo o aeroporto por 60 minutos, com opções pagas para conexões duas ou dez vezes mais rápidas), uma sala-família com espaço para as crianças, espreguiçadeiras em couro em áreas tranquilas para um cochilo (mas eu sempre fico com medo de dormir e deixar as bolsas ali, com dinheiro e documentos, disponíveis), e a cereja do bolo: o hotel YotelAir, uma pequena rede de hotéis em aeroportos — já presente no Schiphol, em Amsterdam, e Gatwick e Heathrow, em Londres — com quartos projetados por uma empresa que desenha primeiras classes de companhias aéreas, onde você pode ou apenas tomar banho num espaçoso banheiro ou então dormir, num quarto fechado, por algumas horas, numa cama de verdade (com travesseiro, lençol, TV HD de 40 polegadas e banheiro privativo com ducha; enquanto isso, o aeroporto de Dubai ou tem o Snooze Cube, dez cubículos sem banheiro alugados por hora, ou então hotel de luxo, com direito a piscina e academia, e São Paulo tem o Tryp, que fica na área internacional e tem quartos com vista para a pista dos aviões). E o melhor do Instant Paris é que ela é acessível para todos os passageiros, voando em qualquer classe.

E o mais legal é que tanto o Instant Paris quanto o hotel são completamente self-service. Se não houver nenhum atendente durante a madrugada no YotelAir, por exemplo, você vai até o computador na entrada (veja as fotos abaixo), seleciona o quarto e o tempo que você quer usar, faz o pagamento, grava a sua chave, e é com ela que você vai conseguir acessar o lobby do hotel e o chuveiro ou seu quarto. Você pode também fazer sua reserva pela internet, clicando aqui. Calcule € 75 (eles não aceitam dinheiro, apenas cartão de crédito) para a cabine para duas pessoas por quatro horas, € 95 para o quarto família onde cabem até quatro pessoas e € 15 para um banho de 45 minutos. Café, chá, chocolate quente e internet rápida já estão inclusos no valor. E como você vai estar numa área de trânsito e terá apenas a sua bagagem de mão, leve sempre consigo uma camiseta e underwear limpinhos para trocar depois daquele belo banho que nos deixa novos para a próxima perna de voo.

Só coloque o celular para despertar 50 minutos antes do horário de partida do voo, para ter tempo de fazer o check-out e se dirigir com calma para a sala de embarque. A porta do avião nos voos da Air France fecha vinte minutos antes do horário do voo.

PARA OS PASSAGEIROS VIAJANDO EM BUSINESS E PREMIÈRE
Para os passageiros viajando na primeira classe da companhia, a Première, que são recebidos já na porta do carro com direito a carrinho de malas de hotéis de luxo (muito legal), o lounge que conta com um restaurante à la carte assinado por Alain Ducasse, assim como o Instant Paris, também fica também na área dos portões L. Para os viajantes da classe executiva são três lounges — um na área K, outro na L e ainda outro na M —, mas só a sala da área dos portões M conta com o novo design e tem pratos quentes. O da área L, onde eu fiquei, só conta com pratos frios, é mais antigo, e fecha em breve para uma reforma que irá durar nove meses, quando ganhará mais 500 metros quadrados de área.

De resto, é só aproveitar o que o Terminal 2E tem de bem bom: a boulangerie Paul no comecinho do terminal 2E-K (na saída 1) ou os cafés Panâme e Illy (o primeiro na altura da saída 10, o segundo já na área restrita); as comidinhas naturais e sucos de frutas e legumes feitos na hora do Naked, nas áreas restritas tanto no 2E-K quanto no 2E-L e dentro do Instant Paris; chocolates da Maison du Chocolat e macarons Ladurée; caviar com champagne no Prunier; e aproveitar todas as lojas de luxo duty free do aeroporto, de Hermès a Chanel, passando por Dior, Bottega Veneta, Salvatore Ferragamo e Rolex, entre outras.

Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.