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Nolinski: O hotel vintage-chic recém-aberto em Paris

Com metrô na porta, novo hotspot francês fica entre a ópera, o teatro e o Louvre

por Shoichi Iwashita 21 Set 2017 11:20

Existe um certo prazer em se hospedar em uma área extremamente central e movimentada, a alguns passos das maiores e melhores atrações e lojas de Paris — Opéra Garnier, Louvre, Commédie Française, Palais Royal, Musée des Arts Décoratifs, Jardin des Tuileries e a rue Saint-Honoré —, exatamente em frente à saída do metrô Pyramides (não tem maior luxo urbano), e observar os carros, os ônibus e as multidões da Avenue de l’Opéra como se fossem uma cena de filme mudo em meio ao conforto de um quarto absolutamente silencioso e elegante, repleto de luz natural, num edifício do período haussmmaniano. Aberto em 2016 na avenida que liga o Opéra Garnier à Commédie Française, o Hôtel Nolinski traz todas as comodidades de que precisa o viajante contemporâneo, incluindo uma relaxante piscina indoor anexa ao spa (ela é bem escura como no Costes e no Mandarin Oriental, mas lembre-se de que piscinas são raridades nos hotéis parisienses), na melhor localização da cidade, com uma decoração divertida-vintage-pop sem deixar de ser elegante, por menos da metade do preço de se hospedar num hôtel palace. Sem falar que — além dos doormen gatos vestidos em impecáveis ternos príncipe de Gales — eles têm a mais incrível pantufa da vida: é como se você estivesse a caminhar com uma nuvem nos pés (eu nunca uso pantufas, mas desta vez eu adotei; ainda mais porque a única coisa que não me agradou nos quartos foi o chão de alvenaria dos banheiros).

Com apenas 45 quartos e suítes (os palaces têm geralmente entre 150 e 250), o que faz do Nolinski um hôtel boutique, a oferta inclui três tipos de quarto — entre 21 e 28 metros quadrados — e cinco categorias de suítes — de 32 a 76 metros quadrados, a maior com dois quartos e capacidade para quatro pessoas (e o mais legal é que no ato da reserva pelo site, você já pode adicionar experiências à sua conta: de um vaso com flores frescas a € 80 ao transfer aeroporto-hotel por € 150, passando por uma sessão de fotos suas pelo estúdio Harcourt, a € 1600). Mas o charme vai além dos móveis design que conversam com os anos 1950 e o art déco, dos ricos tecidos, das belíssimas madeiras, e dos livros espalhados pelos quartos, corredores do hotel e o grand salon: além de uma brasserie aberta para a rua e o dia todo, das 7h às 23h (e você pode escolher tomar o seu café da manhã ou na Rejane com os parisienses que a frequentam, ou no salon, o lounge mais confortável e privativo, quase secreto), o hotel ainda conta com o Rej, uma loja de comidinhas take-away (também aberta para a rua) com várias delícias — de muffins a croissants (incluindo um carrinho de sorvete na porta), passando por saladas a lasanhas, sem deixar de lado o café — para você consumir on-the-go ou no seu voo de volta. E ainda tem o restaurante, um macaron Michelin, por um ótimo motivo fora do hotel: isso porque ele faz parte do complexo do Palais Royal — vizinho ao centenário Grand Véfour, e por isso com o nome Le Restaurant du Palais Royal —, um dos nossos lugares favoritos na cidade, com direito a mesas no jardim. Para chegar lá, basta uma caminhada muito agradável de 700 metros, passando pela place Colette, as colunas de Buren e as arcadas centenárias e elegantes do Palais, o “palácio” do todo-poderoso Cardeal Richelieu, que foi posteriormente residência do jovem Louis 14, sede do governo francês durante a última regência do reino da França, lugar dos mais populares cafés durante a Revolução e hoje é sede do Ministério da Cultura.

Chegar para competir com os muitos bons hotéis já estabelecidos há décadas ou mesmo séculos numa cidade como Paris é um ato do coragem empreendedora, mas o Nolinski não nos deixa sentir falta de nada, e tem aquilo o que a gente mais preza quando o assunto é hospedagem: uma localização excepcional.

Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.