Trip

Japão para todos

Visitamos cidades históricas e a moderna capital de um dos países mais admirados do mundo

30 Jan 2018 12:10

Por Helô Dela Rosa

Se levarmos em conta que o Japão tem cultura e língua completamente diferentes e que sua capital é uma das metrópoles mais populosas do mundo, não é difícil pensar em Tóquio como um destino inacessível aos estrangeiros. Se logo ao chegar lá a organização da cidade e a hospitalidade de seus moradores emocionam até os viajantes mais exigentes, para conhecer as nuances que formam essa nação tão única em estilo e avanço, e com uma cultura que reverbera em todo o planeta, um roteiro bem aproveitado de férias no país não deve se resumir a muitos dias na cidade dos sararimans (termo pelo qual os japoneses designam os executivos de baixo escalão em uma empresa).

Ainda que Tóquio seja parada obrigatória para quem deseja conhecer profundamente a verdadeira identidade do Japão moderno, as maiores riquezas turísticas japonesas estão bem espalhadas ao longo de suas quatro grandes ilhas: Honshu, onde está a capital; Hokkaido; Kyushu e Shikoku. Viajar entre cidades e, até mesmo regiões do país, é fácil, rápido e confortável: o sonho do trem-bala lá é possível e, ainda que caro para os japoneses médios, é viável aos estrangeiros porque estes têm possibilidade de comprar um passe ilimitado ofertado exclusivamente aos turistas. Difícil mesmo é escolher a época perfeita para fazer essa viagem. A florada das cerejeiras, que marca o início da primavera, ainda é a preferida de muitos que visitam a nação asiática, mas, no Japão, as quatro estações são singulares e igualmente apreciadas.

Tóquio
Vale a pena entrar e sair pela capital do país e tê-la como ponto de partida para conhecer as outras cidades.

PAR A SE HOSPEDAR
Prefira sempre hotéis próximos à estações da Yamanote Line, linha da Japan Rail que liga os principais bairros e as atrações turísticas. Para aproveitar a vida noturna e fazer compras, Shinjuku é a melhor pedida, enquanto Shibuya e Harajuku são perfeitos para conhecer o comércio fashion e informal japonês. Se a ideia é curtir sem abrir mão de tranquilidade, o novo Shiba Park Hotel 151, próximo à estação Hamamatsucho, fica há poucas quadras da Torre de Tóquio, sendo seu principal diferencial as opções de workshops e experiências para quem deseja vivenciar ao máximo as tradições japonesas – muitas delas gratuitas para os hóspedes.

PARA COMER
As opções são inúmeras, com bons restaurantes a todos os preços. No estrelado Shinjuku Kappo Nakajima, especializado em sardinhas, é possível almoçar por menos de 3 mil ienes (cerca de R$ 85). Já no famoso Sukiyabashi Jiro, restaurante de sushi inspirado nas tradições do período Edo que se popularizou com o documentário Jiro Dreams of Sushi, o importante é se planejar – ainda que o menu degustação não saia por menos de 30 mil ienes, é difícil conseguir um dos dez lugares disponíveis por jantar. Faça a reserva com bastante antecedência ou peça que o seu hotel faça isso por você: geralmente, é a melhor opção para quem não fala japonês. Não deixe de fora do roteiro o café da manhã no mercado de peixes Tsukiji. O passeio começa cedo, mas com certeza será o combinado de sushi mais fresco da viagem, em um lugar inesquecível para amantes da gastronomia japonesa.

PARA CONHECER
Andar pelas ruas dos diferentes bairros de Tóquio é uma experiência para os viajantes. Coloque no roteiro a subida à Tokyo Skytree, com deck de observação a 634 metros de altura, e o bairro de Asakusa. Tema de um romance do Nobel de Literatura Yasunari Kawabata, ali permanece uma atmosfera do Japão antigo sem se distanciar dos grandes centros urbanos – não deixe de visitar o Templo Senso-ji, um dos mais famosos da capital. Para quem viaja com família ou crianças, a dica é a ilha artificial de Odaiba, repleta de shoppings e atrações como museus, parques e lojas temáticas.

Osaka
Também localizada na ilha de Honshu, é a segunda maior cidade do Japão, além de já ter sido a capital do país. Osaka é conhecida por seus neons, que iluminam algumas das noites mais agitadas do país. Se Tóquio é a cidade que mais trabalha, Osaka talvez seja a que mais se diverte.

PARA SE HOSPEDAR
Ainda que pareça tentador ficar perto da estação JR Osaka, de onde partem todos os trens da cidade, todas as coisas acontecem nos arredores de Namba. Perto de lá fica Dotonbori, região com um famoso canal, muitos neons, lojas, bares e restaurantes, que é o cartão-postal da cidade. Uma opção é o Swissôtel Nankai Osaka, extremamente bem localizado em uma das saídas da estação Namba, mas sem perder o conforto e as facilidades de um serviço internacional.

PARA COMER
Osaka tem como receita mais tradicional os takoyakis, que são bolinhos macios recheados com polvo e vegetais, cobertos por molho adocicado. São vendidos aos montes na Dotonbori, não deixe de experimentar. Já para uma experiência luxuosa e inesquecível, o famoso Kashiwaya, restaurante de culinária tradicional kaiseki com três estrelas, possui menu degustação com preços que variam de 16 mil a 30 mil ienes – é necessário fazer reserva.

PARA CONHECER
O Castelo de Osaka é um dos mais apreciados pelos japoneses. Foi construído em 1583 e passou quatro séculos entre ataques e reconstruções. Em 1997, foi totalmente modernizado e, hoje, é também um museu onde sua história é contada por meio de experiências multimídias. Para quem aprecia a arte tradicional japonesa, o Teatro Nacional de Bunraku é um dos poucos endereços para ver e conhecer a história do teatro de bonecos, tão popular no Japão antigo.

Kyoto
A cidade que serviu como residência de imperadores que viveram entre 794 e 1868 é a sétima maior do Japão. Hoje mescla história e modernidade como nenhuma outra – indispensável para quem sonha em conhecer os principais templos do país.

PARA SE HOSPEDAR
Os ryokans são a melhor opção para uma experiência de relaxamento e imersão na cultura japonesa, uma vez que nesse tipo de hospedagem se dorme em tatames. Yukatas são oferecidas como vestimenta, e refeições de estilo kaiseki são servidas no quarto, no jantar e café da manhã. Existem bons ryokans na região tradicional de Gion. Para quem deseja contato com a natureza e tarifas mais acessíveis, a região de Arashiyama tem boas opções.

PARA COMER
O passeio pelo mercado Nishiki garante ótimas opções de almoço, que vão desde lámens fumegantes até tempurás dos mais variados tipos e sashimis cortados na hora. Para o jantar, procure a região de Pontocho. Ela é repleta de restaurantes, que servem desde yakitoris – os famosos espetinhos japoneses –, até mesmo a clássica culinária de Kyoto. Tudo isso com mesas ao ar livre e vista para o Rio Kamogawa.

PARA CONHECER
O Fushimi Inari-taisha é o templo xintoísta mais famoso do Japão, conhecido pelo seu longo caminho de portais vermelhos que criam cerca de quatro quilômetros de trilhas pela montanha. Já o templo budista mais apreciado é o Kiyomizu-dera. Fundado em 780, hoje é um dos patrimônios mundiais da Unesco. Para quem ama sake, o distrito de Fushimi é repleto de fábricas, museus e lojas especializadas na bebida.