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Guanahani: O hotel mais completo de Saint-Barth

Praias e piscinas privativas, e uma cartela de cores linda, são destaques de um de uns hotéis originais da ilha

por Shoichi Iwashita 28 Jul 2017 11:00

Nenhum outro hotel em Saint-Barth possui DUAS praias privativas (entre as mais belas da ilha, partes de uma reserva natural), duas piscinas para os hóspedes (sem contar todas as outras privativas que fazem parte das villas mais caras), dois restaurantes, spa Clarins com piscina mais tranquila e direito a animal de estimação (o Oscar, uma iguana de 1,5 metro de comprimento), quadras de tênis, e 67 quartos e villas decorados na mais bela cartela de cores da ilha — e talvez do Caribe (turquesa, amarelo, laranja, marinho e lavanda, sem falar das icônicas toalhas de praia em amarelo e branco e do belíssimo projeto de comunicação visual; tive de trazer toda a papelaria do quarto na mala). E, atendendo aos diversos estilos de viagem — a dois, família com filhos (eles têm programas para crianças o ano todo, com exceção dos meses de setembro e outubro, quando o hotel fecha), entre amigos e/ou fitness-addicts (além da academia com vista para o mar e toda a estrutura para esportes de praia, tem ainda aulas de yoga com professor gato pelas manhãs, ou no spa ou no deck sobre o mar da Baía de Marigot), o Guanahani é, sem dúvida, o hotel mais completo de Saint-Barth.

A NATUREZA E AS PAISAGENS COMPENSAM A DISTÂNCIA
O Guanahani, junto com o Eden Rock, é um dos hotéis originais de Saint-Barth, mas acaba de passar por uma reforma que custou US$ 40 milhões. Inaugurado em 1986 e, diferentemente do hotel que hoje pertence à Oetker Collection (o Guanahani segue sendo um hotel independente), ele está localizado no nordeste da ilha, do lado oposto ao da capital Gustavia, o que pode ser um problema para circular de carro na altíssima temporada (fim de dezembro, começo de janeiro) por causa do trânsito; na baixa temporada, de março a agosto, o trajeto entre o Guanahani e Saint-Jean, praia onde está o Nikki Beach e lojinhas e restaurantes, dura 10 minutos, que viram 40 se a ilha estiver muito cheia. A natureza do lugar, no entanto, compensa a distância. O Guanahani ocupa toda uma pequena e aconchegante península, com direito a duas praias paralelas — a que dá para a Baía de Grand Cul-de-Sac, de água mais clara e tranquila, mais “urbana” com toda a estrutura de praia e esportes (é o lugar na ilha para a prática de kite-surfing ); e a que dá para Baía de Marechal, mais selvagem, com cor de água que segue o padrão de Saint-Barth (mais cerúleo que turquesa) —, e ambas se ligam num morro-com-trilha que faz parte, junto com as praias, de uma reserva natural (se o céu estiver limpo, não deixe de fazer uma caminhada noturna até o topo do morro — com uma lanterna, tem uns cactos — para observar as estrelas; é de tirar o fôlego). E também tem as tartarugas gigantes… Por causa do farto sargaço na praia rasinha de Grand Cul-de-Sac, que serve de alimento para os animais marinhos, tartarugas-verdes (green sea turtles) e casco-de-vinho (hawksbill, essas ameaçadas de extinção) ficam nadando a vinte, trinta metros da areia, e não raro estarão só você e uma delas nadando (é emocionante). E o melhor é que mesmo não sendo hóspede, basta fazer uma reserva para almoço no Indigo, o restaurante à beira da piscina e entre as duas praias, para que você possa passar a tarde utilizando a estrutura de praia do hotel (espreguiçadeira, toalhas, praias, piscina, ducha, drinques e comidinhas…).

É um cenário quase único entre os hotéis de luxo do mundo. Uma península e duas praias lindas: à esquerda, está a Grand Cul-de-Sac, com as espreguiçadeiras (e a piscina e o restaurante Indigo atrás); à direita, a mais selvagem Baía Marechal-Marigot. E a foto foi tirada do monte de vegetação nativa, onde está a trilha. Imagem: Divulgação

CASINHAS COLORIDAS EM MEIO A JARDINS TROPICAIS

Na foto, os caminhos que te levam para-cá-e-para-lá no Guanahani, sempre rodeados por vegetação tropical. Imagem: Shoichi Iwashita

Outro ponto de destaque do Guanahani é a cenografia, que orna com a exuberância da natureza no seu entorno: as casinhas de madeira coloridas (cada uma tem uma cor diferente, sempre em tons pastéis) com um rendado branco circundando todos os telhados típico da ilha; os jardins exuberantes e muito bem cuidados (mas atenção: a tropicalidade que você vai encontrar no Guanahani não tem nada a ver com a vegetação natural de Saint-Barth, que é quase um deserto, de tão árido); e a decoração contemporânea e colorida dos quartos, todos espaçosos e com varandas (o menor quarto tem 54 m², sendo 18 deles de varanda), amplas janelas para a entrada da luz do dia (até nos banheiros), e todas as comodidades para agradar o viajante urbano (máquinas de café Lavazza, wi-fi que funciona em todo o hotel, amenities Clarins e repelente natural, snacks saudáveis no minibar e o papel higiênico mais macio que já encontrei em toda a vida). Só em alguns quartos que a TV fica um pouco distante demais da cama e você tem de se aproximar do aparelho para o controle remoto funcionar. E o fato talvez de estar numa ilha faz com que o sinal seja um pouco inconstante (a tela do nada fica preta e aí, você tem de mudar e voltar para o canal onde você estava para que a transmissão volte). No entanto, como a área do hotel é bem grande, prefira os quartos que ficam mais próximos da Grand Cul-de-Sac (os Ocean Cove Rooms): assim você estará só a alguns passos da academia, do restaurante, da piscina, das praias e só precisará andar mais para subir para o spa e para a recepção do hotel.

BONS INGREDIENTES MAS NEM TUDO É FRESCO

Na foto, almoço no Indigo on the Beach, a parte pé-na-areia do restaurante ao lado da piscina, com legumes e acompanhamentos, friturinhas de frutos do mar e o accra, o bolinho da bacalhau típico da tradição créole do Caribe. Para acompanhar, uma burrata com tomates, que estava incrível. Imagem: Shoichi Iwashita

Quanto à comida, como se trata de um hotel-resort, espere por noites temáticas: o dia de comida fusion asiática, o dia do churrasco de lagosta com buffet de saladas e guarnições, com bons ingredientes (lembre-se de que toda a comida aqui tem de ser importada, já que nada cresce em Saint-Barth). Só fiquei decepcionado (talvez por que nós, brasileiros, somos muito mal acostumados com a abundância de frutas e sucos naturais) ao ver um funcionário do hotel despejando suco industrializado de caixa nas garrafas para o café da manhã. Portanto, ao pedir um suco (ou mesmo água de coco, porque já vi hotel de luxo colocando água de coco de caixinha no coco in natura e servindo aos hóspedes), sempre pergunte antes se é fresco e natural. E a boa notícia é que o hotel está muito bem preparado para atender a vegetarianos, veganos e celíacos. Uma pessoa do nosso grupo era vegana e os chefs conseguiram atendê-la perfeitamente. :- ) (E, na ilha, não deixe de visitar o Tom’s Juice Bar, uma casinha de sucos e comidinhas vegana em Gustavia!)

CIRCULANDO PELA ILHA AO ESTILO GUANAHANI

E para fechar sua experiência no hotel comme il faut, é OBRIGATÓRIO alugar o Mini Cooper LARANJA e conversível do Guanahani (reserve porque só tem um). Na ilha que tem a maior concentração de Mini Coopers fora da FÁBRICA (!) da marca no Reino Unido, essa é a melhor forma de se destacar na multidão. (com a cartela de cores mais linda e o papel higiênico mais macio de todos os tempos).

Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.

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