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Entre rochedos

Conheça Taormina, cidade italiana entre praias e pares de pedra

por Shoichi Iwashita 4 Set 2017 11:41

Goethe já havia visitado Taormina em 1787 e elogiado suas paisagens no livro Italian Journey. Mas foi uma aposta entre um pintor bem-nascido e críticos de arte franceses em 1863 que colocou a cidade no mapa de nobres, escritores e artistas (pense em D.H. Lawrence e Jean Cocteau; Oscar Wilde colaborando com o barão Wilhelm von Gloeden; os reis da Inglaterra Edward VII e George V; Rothschilds, Morgans e Vanderbilts; Truman Capote). Ninguém acreditava naquela paisagem que misturava as ruínas de um teatro grego do século 2 a.C., a vegetação em contraste com o azul do Mar Jônico e o enorme e ameaçador Monte Etna.

Ainda hoje uma pequena cidade siciliana com 11 mil habitantes, Taormina é íngreme, quase vertical, onde além de praias (de pedras), como a charmosa Isola Bella (onde Dolce & Gabbana fotografou sua campanha de 2013), existem terraços em abundância e em diferentes altitudes acessíveis de carros, ônibus e teleférico. Do Giardini Pubblici ao Corso Umberto, você vai se deparar com a Piazza IX Aprile e sua vista para o mar e para o Etna de um lado, e duas igrejas do outro: a barroca San Giuseppe e a Sant’Augustine, convertida em biblioteca municipal.

Mas o terraço imperdível de Taormina é o do Grand Hotel Timeo, antiga residência dos Floresta, primeiro hotel do local. Ali, quando a cidade virou capital da alta sociedade mediterrânea, costumavam se hospedar personagens ilustres, como o kaiser Wilhelm da Alemanha e o rei Edward VII da Inglaterra (filho da rainha Vitória). Com quartos e salões que nos fazem voltar ao elegante começo do século 20, um amplo jardim em desnível por onde você acessa a piscina e o spa, e localização privilegiada, o Timeo hoje pertence à rede Belmond.

A Sicília foi ocupada por romanos, árabes, normandos, espanhóis, austríacos – e até italianos – nos últimos 3500 anos. Seu solo vulcânico proporciona belos e saborosos tomates e figos-da-índia, amêndoas, pistaches e uvas que rendem bons vinhos nerello mascalese e nero d’avola. O mar oferece ótimos peixes e frutos do mar. E a pasta con le sarde, massa com sardinhas, erva-doce, uvas, açafrão e pinoli, é talvez o melhor símbolo dessa mistura de culturas e sabores. Para fechar a refeição, com um copo de marsala (o vinho de sobremesa siciliano), há cannoli e cassate – a qualidade da ricota de ovelha usada nessas duas sobremesas típicas é imbatível. Raramente você as provará tão boas e tão frescas em outros lugares do mundo.

Onde Ficar
Apesar dos quartos mais contemporâneos do Belmond Villa Sant’Andrea, eu sou do time do Grand Hotel Timeo, por sua história, seu décor, seu terraço com vista e pela localização, ao lado do teatro grego e a alguns passos da Corso Umberto. Para aproveitar a praia do Sant’Andrea (também do grupo Belmond) ou a Isola Bella (ao lado), é só pegar a van que transporta os hóspedes o dia todo entre um hotel e outro.

Como Chegar
No início do século passado, Taormina já possuía um trem de luxo que fazia trajetos de Londres ou Berlim para o mais sofisticado balneário do Mediterrâneo. Hoje a Alitalia – cada vez melhor depois do investimento de 500 milhões de euros da Etihad – faz voos diários entre São Paulo e Roma, além de Roma e Catânia, cidade na Sicília.

Uvas
Em vez de terra calcária, é no solo vulcânico que cresce a nerello mascalese, típica da região onde está o Etna. Na vinícola Graci são produzidos apenas vinhos de forma varietal (nunca misturando com outras uvas) e utilizando só as uvas de uma determinada subdivisão geográfica italiana. Por isso, o tinto da Contrada Arcurìa (no rótulo você vai encontrar Etna Rosso D.O.C Arcurìa) é bem diferente do Contrada Barbarrechi, apesar de ambos usarem a mesma nerello, e estarem uma pertinho da outra. Vale a visita. info@graci.eu

Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.

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