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Dicas para viajar bem nas Seychelles

Como chegar, onde se hospedar e ter acesso à internet

por Shoichi Iwashita 22 Nov 2016 10:56
A vista dos meus quartos favoritos – com direito a piscina privada e buggy próprio – no gigantesco resort Constance Ephélia, em Mahé

Por estar no meio do Oceano Índico, a viagem até as Seychelles, direto, com o tempo dos aeroportos, dura de 25 a 30 horas e custa entre US$ 2 mil e US$ 4 mil a passagem ida e volta, saindo de São Paulo, em classe econômica ou US$ 10 mil em classe executiva. Como é uma viagem longa e cara, o melhor a fazer é aproveitar as companhias aéreas que voam para lá (Emirates, via Dubai; Qatar, via Doha; Turkish, via Istanbul; South African, por Johannesburg) e planejar uma parada no meio do caminho e ficar alguns dias em Dubai ou Istambul (as companhias aéreas não cobram nada a mais para fazer esse stop, como eles chamam), ou ainda, para quem tiver mais tempo, ir de Air France e fazer Paris – Nairóbi (para um sáfari no Quênia) – Seychelles (três experiências completamente diferentes numa mesma viagem), voltando depois de Mahe direto para Paris e de Paris para São Paulo.

Quanto às companhias aéreas é só importante considerar os aviões que farão o voo para Mahé (que dura quatro ou cinco horas se você vier de Dubai, Abu Dhabi ou Doha; oito horas, de Istambul, ou 11 horas, de Paris), pois a Qatar e a Etihad, por exemplo, usam aviões pequenos (narrow-body) para fazer essas rotas (o Airbus A320), o que pode ser um pouco desconfortável num voo de cinco horas. Já a Emirates faz dois voos diários Dubai DXB – Mahe SEZ usando o Boeing 777 com todas as classes (primeira, executiva e econômica, e ótimo tempo de conexão), e a Air France e a Turkish, o A330, também wide-body, com classes econômica e executiva.

Chegando no Boeing 777 da Emirates e vendo o Airbus 320 da Etihad partir.
Chegando no Boeing 777 da Emirates e vendo o Airbus 320 da Etihad partir.

A MELHOR ÉPOCA PARA IR E DOCUMENTAÇÃO
Apesar do clima tropical e a temperatura estável durante o ano todo — entre 24º C e 32º C —, a não ser que você goste de velejar, os melhores meses para curtir as Seychelles é abril-maio e outubro-novembro quando não tem vento, a temperatura da água chega a 29º C e a visibilidade ultrapassa os 30 metros (nos outros meses o vento pode ser forte o suficiente para levantar a fina areia que bate forte na pele enquanto você toma sol nas praias abertas, o que faz com que você tenha de procurar cantinhos atrás das árvores ou lugares onde não ventem tanto). E se chover, não se preocupe: em duas horas, no máximo, o céu fica azul de novo e sol volta a brilhar. Para entrar no país, não precisa de visto nem de certificado específico de vacina, basta o básico: passaporte válido, bilhete de volta, comprovantes das reservas dos hotéis.

Na foto, a praia do Hilton Labriz, resort que ocupa toda a ilha de Silhouette
Na foto, a praia do Hilton Labriz, resort que ocupa toda a ilha de Silhouette

QUANTO CUSTA A HOSPEDAGEM NAS SEYCHELLES
Apesar de associada ao luxo, são muitas as opções de hospedagem acessíveis em Mahé e La Digue, nas chamadas guest houses, com diárias abaixo de US$ 60 e que oferecem seus quartos também pelo AirBnB. Mas não dá para ir para Seychelles e não aproveitar os hotéis de sonho (nem que seja por apenas dois dias). Para ter os melhores quartos com vista dos melhores hotéis de Mahé (tipo o Four Seasons, o Constace Ephélia), que é a ilha que tem as hospedagens mais caras, calcule US$ 1500 por dia para duas pessoas; já para La Digue, reserve US$ 350 por dia para se hospedar nos melhores hotéis da ilha.

A vista dos meus quartos favoritos – com direito a piscina privada e buggy próprio – no gigantesco resort Constance Ephélia, em Mahé
A vista dos meus quartos favoritos – com direito a piscina privada e buggy próprio – no gigantesco resort Constance Ephélia, em Mahé

IDIOMAS E MOEDA
Não tente entender o que os seychellois conversam. Apesar de o povo aqui — alegre e direto ao ponto — falar e entender inglês e francês (as Seychelles foram colônias francesa e inglesa no passado), a língua aqui é a créole. Mas não um créole dialeto, apenas falado, como acontece em outras ex-colônias para onde os europeus levaram tantos escravos. Aqui a língua foi gramatizada, é hoje idioma nacional, e em vários estabelecimentos você vê comunicados escritos em créole, que tem influência do francês, mas soa bem africano. Na carteira, você vai levar as rúpias das Seychelles (seychellois rupee, que tem como código internacional SCR), e com US$ 100 você compra em torno de SCR$ 1300. Troque um pouco de dinheiro no aeroporto quando chegar e depois procure uma casa de câmbio ou banco no centro de Victoria e troque mais um pouco (as casas de câmbio são geralmente uma janelinha que dá direto para a rua).

COMPRANDO O CHIP PARA TER ACESSO À INTERNET
No desembarque-embarque do Aeroporto Internacional de Seychelles (o aeroporto é pequeno, como você vê na foto acima), você já vai ver um balcãozinho da operadora Cable & Wireless, que só oferece 3G, onde você pode comprar o chip. Para carregá-lo com pacote de dados, é só ir a qualquer vendinha, e eles vão fazer o processo através de um telefone, daqueles feature, bem antigos. Mas por US$ 30 (SCR$ 398), mesmo sendo 3G, a cobertura é boa e eu tive acesso bom à internet durante sete dias e em todas as ilhas que eu fui conhecer: Mahé, Praslin, Silhouette e La Digue. A outra operadora local, a Airtel, oferece conexão 4G.

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COMO SE LOCOMOVER NAS E ENTRE AS ILHAS
Em Mahé, como o transporte público é escasso e nem sempre você encontra táxis (a ilha é grande apesar de no mapa parecer pequenina; qualquer trajeto pode durar 30, 40 minutos), o ideal é alugar um carro, ou então, caso você goste de beber, contratar um motorista por dia para ele te levar e buscar dos lugares (tendo o celular funcionando, ajuda bastante). Na bem tranquila Praslin, onde passa-se o dia, você pode alugar um carro para fazer circuito aeroporto-Vallée-de-Mai-praias e entregar o carro antes de pegar a balsa para La Digue. Já em La Digue, que é uma delícia-delícia, o transporte é a bicicleta (ainda são pouquíssimo os carros na ilha). É só alugar uma assim que chegar para explorar a ilha inteira, que tem várias pistas asfaltadas para percorrer confortavelmente de bicicleta (tirando algumas subidas) e acessar as praias mais lindas do mundo. Se você não andar de bicicleta, pode contratar um táxi no centrinho da ilha, em La Passe, para fazer alguns passeios. Na foto, a minha bike alugada descansando enquanto eu estava em uma das praias em La Digue.

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A minha bike alugada descansando enquanto eu estava em uma das praias em La Digue

O QUE LEVAR NA MALA
Além do protetor solar (SPF 30) e da máquina fotográfica e do celular com bastante espaço na memória e baterias carregadíssimas, não esqueça de levar uns dois ou três adaptadores universais para carregar os gadgets. As tomadas aqui seguem o modelo inglês, a de três pinos retos. Também não esqueça das suas sapatilhas de praia: a maioria das praias em Seychelles — e elas variam de acordo com as marés e os meses do ano — tem milhões de pedras e pedacinhos de coral que machucam bastante os pés. E como a gente quer andar tudo, se enfiar no meio das pedras e encontrar as vistas mais espetaculares, sem as sapatilhas, chega uma hora que a dor vai acumulando e vai dando uma tristeza (e chinelo não conta porque as ondas levam).

As terríveis que machucam os pés
As terríveis que machucam os pés

CUIDADOS EXTRAS
— Se você estiver viajando sozinho e sair para fazer uma trilha, à noite ou para algum lugar remoto, comunique o hotel dos lugares que você pretende visitar.

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Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.

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