Trip

Devaneio para Exportação

Dos resorts ao jerk food – o churrasquinho local –, passando pela casa da “bruxa”, conheça Montego Bay

29 Mai 2017 09:47

Por Carlos Albuquerque

A Jamaica parece uma ilha cercada de fantasia por todos os lados – um paraíso tropical, decorado por montanhas verdejantes, repleto de praias de águas azul cristalino e volumosas cachoeiras, onde mora um povo alegre e sorridente, ouve-se reggae o dia inteiro e, para os interessados, é possível inalar uma erva mística e tocar o céu (como na letra de Kaya, de Bob Marley). A realidade, porém, é levemente diferente. O país de Usain Bolt tem, de fato, cenários deslumbrantes que há décadas vêm encantando viajantes do mundo inteiro. Mas o que os cartões-postais não mostram é uma Jamaica que convive com pobreza e violência extremos (inclusive contra gays), enquanto tenta se manter como um dos principais destinos turísticos do Caribe.

Montego Bay é o coração desse devaneio para exportação. Segunda maior cidade do país – a primeira é a capital, Kingston –, Mo-Bay, como também é chamada, recebe, anualmente, cerca de 1,7 milhão de pessoas pelo Sangster International Aiport (no total, mais de dois milhões de turistas aportaram na ilha em 2015, um número recorde, segundo a Jamaica Tourism Board, a Embratur local). A fila da imigração do aeroporto dá uma pequena mostra desses visitantes: de um lado, grupos de americanos e europeus, largadões, com tranças/dreads em seus cabelos lisos, em busca de enfumaçadas aventuras na terra do reggae; do outro, comportados casais em lua de mel e excursões de terceira idade, atrás de “bons drinques” e repouso. Dificilmente um desses grupos vai voltar insatisfeito para casa. Afinal, a Jamaica é a ilha das fantasias – ao menos, as dos outros. Demos um giro pela cidade e te contaremos o que fazer por ali.

RASTAMAN VIBRATION O sonho de Peter Tosh (1944-1987), descrito na letra do clássico Legalize it, não está mais sendo cantado na Jamaica. Desde abril de 2015 já é possível no país a posse de pequena quantidade da erva, assim como o seu consumo com fins medicinais e religiosos (caso da seita rastafári). Fumar em público ainda é proibido, assim como a livre comercialização. Mas segundo analistas, isso é uma questão de tempo. Além de projetos de quiosques nos aeroportos, com informações e formulários para que o turista possa comprar, legalmente, a droga, já circula a ideia, bancada pelo Ministério do Turismo, de transformar a costa sudoeste da ilha em uma região de spas e hotéis especializados no relaxamento à base de cannabis. Fundo musical é o que não vai faltar.

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