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Descansar é Preciso

Eleito três vezes o melhor spa das Américas, o Lapinha mostra que viver bem, de verdade, é cuidar do corpo e da alma

por Artur Tavares 10 Jul 2017 09:34

Estou caminhando só de roupão, sunga e chinelo por um jardim florido de hortências, magnólias, lavanda e girassóis. Ao meu redor, empresários, artistas famosos e até mesmo um ex-ministro nunca implicado em um escândalo de corrupção – uma raridade no Brasil – andam tranquilamente nos mesmos trajes de banho. A cena parece um sonho, mas estamos acordados, no Lapinha Spa, sob os benefícios de noites inteiras de sono, uma alimentação completamente regrada, exercícios físicos, massagens e terapias holísticas. Todos os dias são idílicos assim.

Considerado um dos seis melhores spas do mundo pela premiação World Spa Awards, a mesma que consagrou o local por três anos como o melhor do Brasil, o Lapinha foi fundado na zona rural da cidade de Lapa, interior do Paraná, há 44 anos. Cercado por uma floresta preservada de araucárias, eucaliptos e imbuias centenárias, o local fica em uma área de veios de água pura, um clima temperado ameno e a uma distância saudável de cidades, o que proporciona uma produção completamente orgânica dos alimentos servidos ali. A dieta oferecida é completamente ovo-lacto vegetariana, sem cafeína ou produtos refinados. Os quartos e outras instalações comuns presam pela simplicidade. E o horário de repouso é rigoroso: todos na cama às 21h30. Por outro lado, o dia começa cedo: 6h20. Os hóspedes são convidados para a primeira caminhada longa acompanhados de profissionais que trabalham por lá. São cerca de 8km percorridos antes do café da manhã. A programação muda diariamente, mas o Lapinha proporciona aulas de pilates, circuito funcional, técnicas de respiração, sessões de sauna, lições de gastronomia, oficinas de artes e até shows musicais. Tudo está incluso na reserva, menos as massagens e terapias estéticas.

Embora seja um spa, o Lapinha não é destino certo apenas para aqueles que desejam emagrecer – na verdade, os obesos são minoria. É de espantar o número de jovens que, assim como eu, procuram alguns dias no retiro para descansar e deixar de lado um pouco do estresse cotidiano das cidades – a falta de cafeína é a primeira a pegar todos por lá. Todas as noites, uma fila de abstêmios se forma na recepção, enquanto esperam um remédio para a enxaqueca causada pela falta do estimulante. Depois do terceiro dia, as infusões de camomila ou de carqueja já são substitutos à altura. Procurar paz no Lapinha é também se submeter às massagens estéticas e terapêuticas, embora elas sejam apenas um aspecto importante do spa. Terapias como a Massoterapia com Sal, a Liberação Muscular, a Massagem Tailandesa e a impressionante Watsu – um alongamento intenso feito dentro d’água – são deliciosas e executadas por profissionais altamente qualificados. As instalações dedicadas ao spa são impecáveis – limpas, com iluminações pensadas com base na cromoterapia, decoradas de acordo com teorias orientais de feng shui e ikebana.

Depois do período mínimo de cinco dias que os hóspedes precisam passar por lá, fica claro que a maior terapia oferecida pelo Lapinha é a compaixão. O isolamento imposto, que não permite muito acesso a televisão ou rádio e repudia o uso de smartphones, faz com que as pessoas conversem, troquem experiências e se abram umas com as outras. No final, renova-se a alma. E lembra-se que cuidar de si mesmo é a maior indulgência que alguém pode praticar.

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.