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Bülow Palais, um hotel estrelado na Alemanha

Hotel fora das redes tradicionais fica no bairro mais antigo de Dresden

por Shoichi Iwashita 29 Ago 2017 12:24

Existe uma austeridade nos hotéis de luxo germânicos — seria a herança protestante? — que é bem diferente do que a gente encontra na França, no Japão, nos Estados Unidos; e tem pouco a ver com o que consideramos bom gosto (mas eu acabo gostando por ser o reflexo de uma cultura e, principalmente, porque ela vem sempre acompanhada da eficiência alemã). E, se se hospedar no Taschenbergpalais é estar praticamente dentro dos palácios de Dresden (o hotel ocupa um prédio que foi construído por Augusto, o Forte para a sua amante favorita), se hospedar no Bülow Palais, um hotel independente, de família, associado à Relais & Châteaux, é estar no bairro mais antigo da cidade — a Innere Neustadt, com construções barrocas originais do século 18, entre a bela Albertplatz e o Palácio Japonês, e em frente uma pracinha arborizada onde está a igreja Dreikönigskirche — entre as duas regiões que a gente ama e frequenta: a Altstadt, a região onde ficam os palácios, as igrejas, as salas de concerto e os museus, que você acessa pela fotogênica e panorâmica Augustusbrücke (10 minutos a pé do hotel), e a Äussere Neustadt, a região alternativa, cheia de bares e restaurantes (também a 10 minutos a pé).

O Bülow tem quartos de todos os tamanhos: para apenas uma pessoa com 20 metros quadrados às duas Palais Suites, com três quartos e 90 metros quadrados; todos com amplas janelas (no que eu fiquei, um Deluxe Double Room, eram três jogos de janela chão-teto, garantindo bastante iluminação natural e vista para a Königstrasse). Além disso, a grande maioria dos quartos possuem banheiras (a partir da categoria Deluxe Double), e todos têm piso aquecido, ducha potente, amenities Molton Brown e uma toalha de chão enorme, que outros hotéis de luxo no mundo definitivamente deveriam adotar (só acho que a toalha de banho deveria ser proporcional, pois depois de ver o tamanho da toalha de chão a gente cria expectativas; tava esperando uma toalha de três metros ;-). Só que apesar dos móveis coloridíssimos do lobby (um pouco circense, preciso dizer, o que destoa completamente de todo o resto do hotel; a porta do elevador é folhada a ouro 24 quilates), a decoração dos quartos é bem séria, apesar do conforto e da qualidade dos materiais: madeira escura (incluindo uma cama com espaldar altíssimo), cortinas e colchas pesadas, luminárias cromadas com cúpulas pretas.

Mas a gastronomia (junto com a localização, o serviço e o preço honestíssimo se comparado com outros hotéis de mesmo nível nas grandes metrópoles) é o grande destaque do Bülow. Além de abrigar um dos dois restaurantes estrelados da cidade e TODO o serviço ser feito em porcelanas Meissen (!!!) (e eu adoro quando um hotel bom tem restaurante especial: é como se você já resolvesse dois programas do destino numa decisão só), o café da manhã é daqueles elegantes — com cara de clube inglês — com tudo e do jeito que a gente gosta. Pense em frutas servidas em baldes de gelo de prata como se fossem caviar, várias saladinhas em copos, sem falar nos pães alemães, sempre deliciosos, apesar de diferentes da tradição francesa. Uma excelência que não é à toa: eles têm um breakfast manager.

O hotel tem uma pequena mas equipada academia (aberta todos os dias das 7h às 21h e com pesos livres) e um spa com vários tipos de sauna e área de descanso, totalizando 400 metros quadrados (não tem piscina). Se você estiver viajando de carro, o hotel tem estacionamento coberto, no subsolo. E ainda tem um ursinho mascote de pelúcia que eles deixam sobre sua cama na sua primeira noite como presente.

Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.