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As casinhas da Pousada Etnia

Alma baiana em meio a um grande jardim a 350 metros do Quadrado

por Shoichi Iwashita 18 Dez 2017 11:39

Um dos antigos atrativos da Pousada Etnia era a segunda unidade à beira-mar, que oferecia estrutura de praia completa aos hóspedes da Etnia-centro (sem acesso à praia, mas com piscina). A filial mar fechou mas a pousada principal segue sendo uma ótima opção de hospedagem em Trancoso já que ela fica na estrada-rua que leva ao Quadrado, a 350 metros da praça (ou seja, dá para ir e vir do Quadrado a pé), e neste percurso estão vários dos nossos lugares favoritos no vilarejo: os vinhos e cervejas do empório Marché (na mesma rua, a 90 metros), os sanduíches do Dom, o café do Santo, a livraria Nobel, o bar do Jacaré do Brasil… Apesar de a pousada não contar com espaço para a prática de exercícios, basta atravessar a rua para encontrar uma agradável e bem equipada academia que você pode usar pagando a diária (e dá para voltar duas vezes no mesmo dia). E, assim como quase todos os bons lugares de Trancoso, não dá para imaginar os jardins, a piscina e as belas casas que estão por trás do portão de madeira — do qual você receberá a chave, junto com a da sua casa e o roteador para o wi-fi — que serve de entrada para a pousada. (O sinal do wi-fi é meio inconstante, mas eles estão instalando atualmente fibra ótica na propriedade.)

Espalhados pelo jardim em volta da piscina, além da casa que serve como lounge e restaurante, estão duas belas e espaçosas villas (ambas elegantemente decoradas com duas suítes, cozinha completa, sala de estar, sala de jantar e um cercado de madeira que garante mais privacidade) e sete bangalôs com varanda decorados individualmente com temáticas étnicas (daí o nome da pousada) mas de atmosfera sempre baiana (eu adoro que ao levar até o quarto eles sempre aconselham deixar sapatos e chinelos na varanda e ficar descalço dentro da casa, o que é uma delícia). Por conta da vegetação em volta, os bangalôs quase não recebem luz natural em seu interior ficando um pouco escuros demais durante o dia (as villas, por serem maiores, recebem mais luz); os eletrônicos (como TV, frigobar, ar condicionado) são antigos; podia ter um interruptor master no banheiro para desligar todas as luzes de uma vez (eu gosto de acender tudo, mas aí na hora de dormir você precisa sair desligando três, quatro interruptores); e senti falta de hidratante e repelente entre os amenities. Mas as camas são deliciosas (lençóis e travesseiros inclusos); já as toalhas poderiam ser melhores.

Outro problema da Etnia — além de não ser uma pousada para pessoas com mobilidade reduzida (o terreno é em declive e há escadas não só para ir do bangalô para a rua, do bangalô à piscina, mas também no interior das acomodações, entre o quarto e a sala e entre o quarto e o banheiro) — está na gastronomia, se a compararmos com o Uxua ou a Pousada Tutabel, que possuem chefs em seus quadros. No café da manhã, não há buffet, é servido um combo na mesa, com poucas opções saudáveis (são servidos embutidos como peito de peru e mortadela, pães brancos, frituras doces), o que faz com que você tenha de pedir itens à parte. E a comida do cardápio (até extenso) para as refeições tampouco encanta, sendo melhor frequentar os restaurantes fora da pousada. Mas, considerando a localização, a cama e os lençóis bons, a agradável atmosfera da mistura piscina-bangalôs-espalhados-pelo-jardim e o valor mais acessível das diárias se comparada com outras pousadas de Trancoso (menos da metade do preço das outras pousadas que constam no nosso guia; dá para ficar numa villa com o preço que se paga por um quarto em outro lugar), a Etnia deve ser considerada em sua próxima viagem a Trancoso.

Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.