Motor

Tesla S – o elétrico inesquecível

É difícil dirigir qualquer outro carro depois do Tesla S. Marcelo Tripoli traz detalhes

por Marcelo Tripoli 2 Set 2016 09:52

Lembra quando você trocou seu Blackberry por um iPhone ou Android? Este é o melhor jeito de descrever a sensação de usar durante uma semana o carro elétrico feito pela Tesla Motors, do inovador Elon Musk. A empresa é uma startup que nasceu, em 2003, com o objetivo de trazer um novo modelo para a indústria automobilística, mais conectado ao mundo cercado de tecnologia em que vivemos hoje.

Muito do que se lê e fala sobre a Tesla está relacionado ao motor 100% elétrico que tem uma autonomia de até 500 quilômetros e gera poluição zero. Porém, a ideia deste texto é falar sobre a experiência e o prazer de dirigir um Tesla. O Model S é um sedã com design agradável, porém nada inovador. É nos detalhes que o carro gera um abismo em relação à concorrência. Por ser elétrico, não faz nenhum barulho e não tem chave ou botão de start/stop. Basta se aproximar da porta – a maçaneta retrátil sai e você entra. Dentro do carro, encontra um dashboard 100% digital à frente, e, ao lado, outra tela touch, de 17 polegadas, na vertical. Não há botões físicos, tudo é controlado pelas telas. Como o automóvel é conectado à internet, a Tesla manda updates automáticos que trazem novos recursos para o carro ao longo do tempo, como acontece no seu smartphone.

Para quem gosta de acelerar, o grande prazer de um elétrico como o Tesla S é que o torque do carro é entregue 100% quando se pisa no acelerador – não há marcha ou necessidade de esperar ganho de rotação. É como um carrinho de golfe elevado a enésima potência. Você pisa e o carro voa. O Tesla S faz de 0 a 100 km/h em 3,1 segundos. Mais rápido do que um Porsche Panamera Turbo S (3,6s).

O mais bacana na experiência com o carro foi o recurso auto-pilot, implementado recentemente via update de software. Ativado em uma estrada ou via rápida, o carro simplesmente dirige sozinho permanecendo a uma velocidade, fazendo curvas e mantendo a distância segura do carro da frente. É um sistema definido pela Tesla como semiautônomo e uma prévia do que deve acontecer nos próximos anos. O carro 100% elétrico também tem uma manutenção muito simples, já que não existe o desgaste natural do motor a combustão ou troca de óleo.

O dia de ligar o carro na tomada quando chegar em casa, como se faz com o celular, está bem perto. E posso garantir que dirigir esse tipo de automóvel será muito divertido. No meu Facebook (Marcelo Tripoli) é possível assistir aos vídeos que gravei durante a experiência.

TESLA POP
Em uma conferência de automóveis realizada este ano em Oslo, na Noruega, o CEO da Tesla, Elon Musk, revelou que a empresa fará veículos com preços mais acessíveis do que o do Model 3, sedã elétrico com tecnologia semiautônoma que custará US$ 35 mil e deve chegar ao mercado em 2017. “Estou superanimado com a possibilidade de produzir um carro que a maioria das pessoas pode pagar”, disse ele, que planeja atingir, em 2019, a meta de 720 mil carros vendidos por ano.

Atualmente, a Tesla possui dois veículos elétricos no mercado: a SUV Model X (US$ 69.300) e o popular Tesla Model S (US$ 63.400). O Model 3 está disponível para pré-compra e tinha mais de 400 mil unidades reservadas até o fechamento desta edição. O veículo também será o primeiro carro da montadora a ser lançado no Brasil e estará presente na Índia, na Irlanda, na Nova Zelândia, em Cingapura e na África do Sul.

Por fora, a novidade lembra um Porsche Panamera, com destaque para a frente sem grade e o teto panorâmico de vidro, desde o para-brisa até a traseira. Segundo o fabricante, o carro é projetado para acomodar, confortavelmente, cinco adultos, e uma carga completa pode levá-lo a percorrer cerca de 350 km. Já a aceleração a 100 km/h será feita em menos de 6 segundos.

Texto originalmente publicado na revista Carbono Uomo n° 1

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