Motor

Sonho de Consumo

Testamos o Porsche Cayenne GTS, utilitário que não é o mais potente membro da família, mas, mesmo assim, fala a língua das pistas de corrida

por Piti Vieira 29 Dez 2016 12:36

A vontade de sentar ao volante de um Porsche é um desejo nada oculto de quem ama automóveis. Afinal, a grife habita e brinca com a nossa imaginação desde que somos crianças. Por isso, não é de surpreender que os modelos da montadora alemã hipnotizem os adultos por onde passam. Fascínio que tivemos o prazer de notar quando pilotamos por mais de 300 quilômetros o Cayenne GTS – a configuração do utilitário da marca com maior apelo esportivo – em rodovia, estrada de terra e cidade, em um trajeto que alternou retas muito longas e curvas acentuadas de média velocidade.

De cara, chamam a atenção o desenho exclusivo, as rodas pretas de 20 polegadas, saídas duplas de escapamento e as pinças de freio pintadas de vermelho. Ao entrar no carro, o que mais impressiona é a ergonomia: bancos envolventes e reguláveis eletricamente em oito posições e revestidos de Alcântara e couro, com o logotipo GTS bordado nos encostos de cabeça. Tudo do que você precisa está fácil e diretamente ao seu alcance. O console central inclinado para a frente é típico de carros esportivos. Sua vantagem é a distância curta entre o volante, derivado do superesportivo 918 Spyder, e as funções mais importantes do veículo. Sensível ao toque, a tela central do sistema multimídia é grande e permite boa visualização das informações projetadas, como monitoramento de pressão dos pneus, câmera de ré e assistência de estacionamento na dianteira e na traseira. Conta-giros vermelho e grande, posicionado bem no meio do painel, sistema Auto Start-Stop, ar-condicionado automático de quatro áreas independentes e faróis bixenon com sistema dinâmico de iluminação dão um charme extra.

NA ESTRADA

Até o ano passado, GTS era a versão mais potente com motor V8 aspirado. Em 2016, é a mais poderosa, equipada com motor V6, um 3.6 V6 twin-turbo de 440 cv (20 cv a mais), ainda mais potente do que o antigo 4.8. O novo GTS ficou 0,5 segundo mais rápido que o anterior. Agora, para acelerar de 0 a 100 km/h são necessários apenas 5,2 segundos. Na prática, quando se pisa forte no pedal do acelerador, o corpo é projetado contra o banco e o carro se mostra extremamente ágil. Embora pese mais de 2 toneladas, não oscila em alta velocidade – a máxima é de 262 km/h, segundo informações da Porsche.

O carro permite mudar as respostas da suspensão, do motor e do câmbio e até do ajuste dinâmico do chassi. Basta optar por um dos três modos de condução disponíveis. Na cidade, utilizando o modo comfort, torna-se muito agradável a dirigibilidade. Mas bom mesmo é quando é acionada a opção sport plus e o Cayenne adquire um set up extremamente esportivo (há também a opção sport). Usar esse dispositivo na estrada é simplesmente incrível. A sensação é de estar em um carro de corrida, com resposta imediata ao seus comandos, aceleração quase que instantânea e resposta precisa de direção. A suspensão, 2,4 cm mais baixa do que as demais versões, tem amortecimento ajustado para a esportividade, o que confere ao utilitário um comportamento em curvas muito parecido com o de carros de passeio. Mesmo quando muito exigido, ele permanece grudado ao chão. Um devorador de curvas.

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Texto originalmente publicado na revista Carbono Uomo n° 2

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