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O novo Volvo XC90 T8 híbrido é quase autônomo. De tão inteligente, até engarrafamento com ele, acredite, pode ser divertido

por Luciano Ribeiro 1 Set 2017 12:44

Não ligo para carro. Não é que não goste, apenas sou indiferente. Nunca li uma revista sobre o assunto, nem me impressiono com cavalos e potência. Desde que adotei uma bicicleta elétrica, há dois anos, fico nervoso em todo engarrafamento, prevendo o que faria em cima de duas rodas para fugir do trânsito – contramão, calçada, o diabo. E, talvez você esteja se perguntando, por que logo um cara como eu resolveu escrever uma matéria sobre o Volvo XC90 T8 híbrido? E, com tão poucas referências, que credibilidade posso passar?

Se não ligo para carro, adoro design. Se não curto acelerar, estou sempre atento aos movimentos da indústria automobilística – diferentemente de gravadoras e até editoras, que lutaram contra a evolução, as principais montadoras parecem andar de mãos dadas com novas tecnologias. Se dirigir não é a minha, mobilidade é. E embora a Volvo entregue carros robustos, potentes e velozes, são o design, o conforto e a segurança que os suecos parecem valorizar ainda mais. A marca me ganhou quando alardeou que seu grande objetivo era não haver acidentes fatais com seus veículos até 2020. Já gostava do desenho dos modelos – fica difícil competir com os escandinavos nesse quesito–, mas, como alguém que optou em se locomover por São Paulo de bike, fico contente em ver uma empresa do segmento se preocupando com vidas acima de tudo.

Minha experiência com o XC90 híbrido durou um fim de semana. Viajei para Campos do Jordão, onde pude testá-lo nas estradas de asfalto e terra. O carro praticamente dirige por você – e isso é muito surpreendente. Na bem sinalizada Rodovia Carvalho Pinto, decidi a que distância gostaria de ficar do veículo que acabara de me ultrapassar. Você pode ajustar isso nos botões do volante. Feito, o carro segue o da frente com uma precisão digital. A máquina percebe quando o outro acelera ou freia antes mesmo de você. E o segue com perfeição – porém ainda exige que o piloto mantenha as mãos no volante pelo menos a cada 40 segundos. Ela é também capaz de perceber colisões, frear sozinha e ajustar automaticamente o cinto de segurança de toda a família. O carro traz assistentes de direção com alerta de pontos cegos, assistente de permanência em faixas e piloto automático adaptativo com condução semiautônoma, que controla direção e pedais de freio e acelerador a até 130 km/h.

E, acredite, pegar um engarrafamento foi um dos maiores prazeres. Descendo a serra de Campos do Jordão, com tráfego variando de parado a muito lento, o carro parecia mágico. Eu descansava em frente ao volante. Minha única preocupação era apertar um botão para ele andar. Eu estava mais ligado na minha playlist do Spotify, que tocava em 19 alto-falantes Bowers & Wilkins, nos quais eu percebia nitidamente graves e agudos.

O XC90 T8 híbrido tem bancos de couro com aquecimento e uma tela widescreen que projeta em frente aos seus olhos todas as informações de que você precisa.Posso dizer que nunca dirigi um carro tão inteligente. A Volvo está perto do futuro. Em breve, a presença dos motoristas não será necessária.

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