Motor

O universo do Grande Prêmio de Fórmula 1

Três dias de motores à toda, muito downforce e quebras de recordes no circuito de Interlagos marcaram o GP do Brasil

por Rebeca Martinez 27 Nov 2017 12:46

A penúltima etapa da Fórmula 1 de 2017 teve início no último dia 10 de novembro com os treinos livres. Que acompanhamos de perto, a convite da Rolex, com direito a um tour guiado por quem conhece e muito do assunto: o tricampeão mundial de Formula 1 Sir Jackie Stewart. O ex-piloto – embora seja estranho chamá-lo assim, afinal ele se aposentou das pistas do GP mas não deixou esse universo que domina como poucos – como percebeu o grupo restrito que o acompanhou pelos bastidores do esporte que é provavelmente o mais rápido e preciso praticado atualmente.

Sir Jackie encontrou o seleto grupo no espaço da Rolex no Paddock Club de onde saímos, logo após o treino da manhã, para um tour pelo Paddock – área de acesso restrito à imprensa cadastrada, pouquíssimos convidados e às equipes. No caminho falou sobre organização dos boxes que seguem o mesmo padrão dos locais de construção dos potentes veículos, e por essa razão qualquer mecânico que ali chegue saberá exatamente onde encontrar cada ferramenta necessária. Entre brincadeiras, Sir Jackie ainda falou sobre uma lição a ser aprendida com o GP: “Se eu tivesse um negócio viria à Formula 1 para aprender como fazer as coisas da maneira mais precisa, rápida e eficiente. Pois a Formula 1 é isso, cada instante conta e não pode haver excesso nem desperdício. Tudo deve ser pensado de maneira precisa.” Nesse ambiente cuja perfeição é buscada a cada milésimo de segundo o tricampeão mostra o quanto os bastidores são importantes ao pedir que nos atentássemos às rodas que eram lavadas após os treinos: tudo para garantir que nada interfira no funcionamento das engrenagens.

Depois de algumas paradas – são muitos os conhecidos do senhor Stewart, que incluem Felipe Massa e Jacques Villeneuve, além de fãs que pediam uma foto. Ele nos encontra no boxe da Force India, onde vemos de perto o volante comandado pelos pilotos, ou seriam players, já que são muitos os botões e comandos presentes. Verdade seja dita: muita gente perguntaria onde liga. Temos a oportunidade de entrar numa cabine com visão do boxe e assistir ao trabalho das equipes na hora de mandar um piloto, no caso Esteban Ocon, para a pista. Uma pausa para recarregar as energias com a melhor visão da pista, o S do Senna, e então seguir para áreas ainda mais restritas: a sala do Race Control e a garagem do Safety Car.

No primeiro, o silencio total das paredes com revestimento acústico para que nada distraia os controlers que acompanham de diversas telas cada ponto da corrida. O diretor do Race Control, Charlie Whitting, nos contou que o uso do fone por algumas pessoas na sala é para que possam verificar o correto funcionamento do sistema de comunicação entre pilotos e equipes. Passamos ao local onde os três Safety Cars fazem a pausa sob o olhar atento do piloto Bernd Maylander. Chamam a atenção as duas GT-S idênticas, exceto pela diferença de cor do adesivo no canto do para-brisa. Com motor V8 bi-turbo e 570 cavalos de potência fica claro Em uma conversa com Bernd, que conhece muito de carros, em especial de Mercedes – ele pilota há 22 anos -, ele diz que o motivo de serem apenas três os veículos transformados para as corridas é a quantidade de componentes eletrônicos presentes na traseira deles. Perguntado sobre o GT-R- ou Besta do Inferno Verde, como preferir – o último superesportivo lançado pela Mercedes, ele confirma tê-lo conduzido atingindo inclusive sua velocidade máxima. Nós da Carbono perguntamos quando e se podemos esperar a aparição do novo esportivo nas pistas da Formula 1 e sua resposta “quem sabe no próximo ano? Aliás este é o último ano desses veículos como Safety Car se alguém estiver interessado.” Sem dúvidas é tentador, mas lembrando dos componentes eletrônicos seria bem difícil encontrar um mecânico para fazer as revisões.

Nos sentindo íntimos dos bastidores, passamos o sábado com uma das equipes mais tradicionais do circuito, a Williams Martini Racing. Conhecemos todo o boxe da equipe e vimos a preparação dos carros, entre eles o de Felipe Massa que fez sua despedida do circuito brasileiro. Depois do esperado treino classificatório a caminhada pelo paddock permitiu que cruzássemos com Daniel Ricciardo, Niki Lauda e Lewis Hamilton dando coletiva. O almoço na mesa ao lado da de Felipe Massa e seus familiares fez com que nos sentíssemos ainda mais parte desse universo. Era perceptível o sentimento de equipe e a atenção dada aos detalhes por cada membro. Da comida aos cuidados com os carros e com o espaço em que estavam, tudo é pensado para que seja possível realizar tudo usando um espaço limitado. Organização, comunicação, respeito e a eterna busca pelo melhor: isso faz uma equipe de Formula 1.

No domingo mereceu um drink a corrida repleta de emoções que teve Lewis Hamilton largando na última posição, já que havia batido na volta de abertura do classificatório. Mal podemos esperar pela próxima temporada.

Rebeca Martinez

Desde pequena mostrava opinião e gênio fortes. Nem sempre aquilo que interessava aos outros lhe chamava a atenção. Aproveita todo momento para conhecer um lugar novo, seja uma cidade, restaurante ou um automóvel. Para ela, buscar algo diferente traz sempre emoção.

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