Motor

Lord das cavernas

Fomos até Alter do Chão (PA) em uma expedição para testar a nova Land Rover Discovery em desafios off-road no norte do País.

por Rodrigo Mora 2 Abr 2019 19:41

Recado aos proprietários de Land Rover que nunca viram seus carros embarreados como o das fotos: vocês não apenas estão desperdiçando dinheiro, como também oportunidades de viver aventuras, contar histórias e encontrar belezas naturais onde apenas um 4×4 pode chegar. Um Land Rover só existe para poder atravessar lamaçais, riachos, erosões e pirambeiras mantendo a atmosfera de luxo na cabine. Caso contrário, um SUV da Mercedes ou da BMW pode servir nos desbravamentos urbanos.
Boa parte dos R$ 363 mil (preço da versão SE) cobrados pelo novo Discovery vem do Terrain Response, o sofisticado sistema de tração da marca, que permite – apenas girando um botão – selecionar qual será o comportamento das rodas ao andar sobre: asfalto, grama/cascalho/neve, lama, areia e rocha. Para cada tipo de piso, o sistema possui uma atuação diferente.

 

 

Portanto, sem nunca ter acionado seu Terrain Response, você jamais o veria transpor um terreno arenoso como um pedestre atravessa uma rua mal asfaltada. E perderia a diversão de “andar de lado”: a frente do carro aponta para uma direção, mas a traseira rabeia e pede que o motorista conserte a trajetória girando o volante freneticamente. Lendo parece chato, mas você entenderia o grau de diversão se tentasse com seu carro.
Também conheceria as recompensas de abandonar a rodovia asfaltada, lisinha, e se meter no primeiro caminho menos civilizado que aparecer. Foi o que fiz no meio do caminho entre Santarém e Alter do Chão, no Pará. Quase me arrependi ao me deparar com um igarapé no qual dava até para nadar. Mas daí lembrei que a suspensão desta quinta geração do Discovery pode ser elevada em 7,5 cm, e encarei a travessia, saindo do outro lado ileso. Sujo, mas ileso.
E não se assuste se aparecer uma descida tão íngreme que insinue que aquele SUV de 4,97 m de comprimento, 2,22 m de largura e 1,85 m de altura vá tombar. O Controle de Descida em Declives (HDC) segura o carro automaticamente, sem que você precise pisar no freio. É como a descida de uma montanha-russa, mas em câmera lenta.
E enquanto a lama toma conta da carroceria (com 17 opções de cores), lá dentro os bancos de couro e o sistema de entretenimento formam o peculiar contraste entre selva e luxo. São seis opções de cor e oito combinações de acabamento. Na versão de entrada, o sistema de entretenimento traz tela de 8 polegadas; a partir da configuração HSE (R$ 389 mil), a tela é de 10,2″, com direito a sistema de som de 825 W e 14 alto-falantes. Capaz de levar até sete ocupantes, o SUV entrega entradas USB nas três fileiras.

 

 

Não que dirigir o Discovery no asfalto ruim. Apenas mudamos o tipo de diversão – em grande parte por causa do motor 3.0 V6 turbodiesel, de 258 cavalos e 60 kgfm de torque. Aliado ao câmbio automático de oito marchas e ao “regime” de até 480 kg da estrutura de alumínio, entrega acelerações vigorosas.
Valente no fora de estrada, ágil na estrada e na cidade, bem equipado e espaçoso, o Discovery é daqueles carros completos, forte candidato a ser o escolhido caso pudéssemos ter apenas um carro na vida. www.landrover.com.br

 

 

Rodrigo Mora

Rodrigo Mora é jornalista especializado no segmento automotivo. Ele assina o blog Mora Nos Carros.

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