Moda

Não use produtos falsificados

Shoichi Iwashita faz um manifesto em prol de peças originais

por Shoichi Iwashita 9 Mai 2017 11:30

Prestígio, pertencer a um seleto clube, é a sensação que sentimos ao ter acesso a objetos e experiências raros e caros. Mas existem duas formas de se usar a mesmíssima Birkin, a mítica bolsa da Hermès; ou o Tank, relógio da Cartier; ou ainda a Lounge Chair, de Charles and Ray Eames: 1. É por que eles custam caro e você quer ostentar. 2. Outra, é por que você conhece de materiais e acabamentos e sabe que nesses produtos só são utilizadas — das ferragens à linha — as melhores matérias-primas; por que você tem intimidade com a estética e reconhece que esses designs sobreviveram às modas; por que eles carregam “outro tempo” já que são produzidos por artesãos (muitas vezes, segunda ou terceira geração da mesma família trabalhando na maison realizando a mesma tarefa) que utilizam savoir-faire secular e ganham salários dignos (e não produzidos numa linha de montagem em algum país asiático por trabalhadores mal-remunerados como têm feito algumas marcas famosas, atenção); por que você se preocupa com a quantidade de lixo e a escassez de recursos no mundo e paga caro por coisas duráveis para comprar menos; e, finalmente, por que você quer ser bem atendido por vendedores qualificados (o que não acontece na maioria dessas lojas no Brasil, muito infelizmente, apesar dos milhões de dólares que essas marcas gastam em comunicação vendendo sonho e desejo) em lojas minuciosamente pensadas por grandes nomes da arquitetura nos endereços mais nobres do planeta ou ainda ter a possibilidade de ser atendido em casa ou no hotel. (E eu NUNCA entendi e nunca vou conseguir entender essa lógica de comprar marcas de luxo em excursões a outlets; afinal, o luxo é toda a experiência, não?). A primeira, vulgar, só entende de preço e se deslumbra com o nome da marca; a segunda, conhece o valor do que está usando. E essa atitude faz toda a diferença na maneira como você se relaciona consigo e com o mundo.

Mas, aí, existe um terceiro público: aquele que quer se apropriar de tudo isso, mas não pode — ou pior-pior!, não quer — desembolsar o que esses produtos valem. E aí ele compra o produto falsificado ou imitações mais baratas de um design já consolidado (o que é diferente de comprar um móvel cujo criador permite que ele seja fabricado com materiais mais simples para custar menos). Eu até entendo aquele que, por ignorância, compra uma falsificação num camelô ou numa loja do centro porque gosta da bolsa per se mas não conhece do que se trata (simplesmente por que isso não faz parte do seu universo). Mas não dá para entender pessoas de classes média e alta que conhecem as marcas, com condições financeiras para viajar para o exterior e para resorts no Brasil com toda a família, sendo criminosas apenas por causa de seu desejo por status, que, como escrevo abaixo, é um tiro que sai pela culatra (atenção: FALSIFICAÇÃO E PIRATARIA SÃO CRIMES, cidadãos de bem!).

Dá até para enganar a maioria das pessoas, mas quem realmente usa esses produtos, olha DE LONGE e já sabe que eles são falsificados: simplesmente por que os materiais são pobres, não respeitam as proporções que fazem deles produtos belos, e, principalmente, são muito mal acabados. Ou seja, o efeito na percepção dos outros é exatamente o oposto daquele que você almeja. Por isso, não caia na tentação da pirataria. Uma Uniqlo original é muito mais digna que uma bolsa Chanel fake (e você não estará cometendo um crime). Porque o luxo nunca foi e nunca será para todo mundo.

Shoichi Iwashita

Compulsivo por informação, pesquisador contumaz, apaixonado por livros, jornais e revistas, e colecionador de moleskines com anotações de viagens e restaurantes, o resultado que almeja são textos-em-contexto sobre experiências, de forma que o leitor, de posse delas, aproveite só o melhor de cada lugar; em Nova York, Tóquio, Paris ou São Paulo.