Moda

Lee Oliveira e o cotidiano da moda

Brasileiro imprime no The New York Times suas impressões sobre a moda olhando para as ruas

por Artur Tavares 21 Set 2016 08:49

O ofício da fotografia sempre foi fundamental para o desenvolvimento da moda. Imagens feitas à exaustão por estes profissionais ajudaram estilistas a criarem tendências e modelos a entrarem para a história com cliques memoráveis para capas e ensaios em páginas de revista. Atualmente, são poucos os fotógrafos brasileiros que têm um acesso tão irrestrito aos bastidores e eventos oficiais como Lee Oliveira, do renomado jornal The New York Times.

Há cinco anos no emprego, Oliveira roda o mundo fotografando os mais importantes eventos da indústria. Quando volta para casa entre um e outro compromisso, seu destino não é o Brasil e sim a Austrália, onde mora há onze anos. A história de sua carreira com uma câmera em mãos foi meteórica: começou como distração em 2010 e no ano seguinte já havia se tornado sua principal ocupação. “*Um amigo inglês me emprestou sua câmera profissional. Comecei a clicar e desde então não parei. Inicialmente era como um hobby. Eu subia as imagens em um blog por diversão e para explorar minhas habilidades fotográficas”, conta.

Olhando para as ruas

O fotógrafo começou no The New York Times publicando fotos na coluna Thursday Style. Quando o Times começou a alimentar a rede social Instagram com conteúdo de moda, foi convidado para tomar conta do projeto. Hoje, por sua própria agência de fotografia em Nova York, Oliveira também vende imagens para grandes jornais, revistas e sites dos quatro cantos do mundo.

Ele se destacou por trazer a voz das ruas para um jornal de grande circulação e importância editorial. Seus looks são como cenas cotidianas, imagens com o melhor da alta costura feitas à luz das primeiras horas do dia nas movimentadas ruas das metrópoles. “Atualmente, estamos vivenciando influências pela diversidade de mídias sociais, e também liberdade de se expressar em todas as plataformas, tanto visuais como digitais. Por isso, costumo fotografar pessoas diferentes com frequência. São elas que trazem um toque extra e tornam minhas imagens ainda mais informativas”, explica.

Lee Oliveira é fã de marcas australianas. Cita entre elas Dion Lee, Zimmermann, Sass & Bide, Alice McCall e Ginger & Smart. “A Austrália tem uma moda climática. Sem um inverno rigoroso, ela se torna bem fresh e colorida, muito parecida com a do Brasil.”

A realização do fotógrafo

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Com cinco anos no Times, Lee Oliveira diz que já tem sua obra-prima. Não é um clique produzido. Ele estava no lugar e hora certos quando uma senhora de pele bastante branca caminhava de salto alto, vestido longo de mangas curtas, olhando para as vitrines da loja Céline e da boulangerie Ladurée, na altura do número 870 da Madison Avenue. “Aconteceu algo mágico durante a semana de moda de setembro, em Nova York. Fotografei [a editora-chefe da Vogue norte-americana] Anna Wintour sozinha a caminho do show da Carolina Herrera. É praticamente impossível fotogravá-la sem ninguém por perto. No dia seguinte até o editor Hamish Bowles comentou sobre a foto. Por isso gosto de chamar aquela imagem de minha grande obra de arte.”

Ele confessa acreditar que suas fotografias têm uma característica inconfundível, fruto de visões e ideias diferentes das consideradas normais. Diz gostar de ser criativo e fugir daquilo que hoje é considerado street style. É tudo isso que coloca Lee Oliveira entre os mais respeitados profissionais da indústria da moda da atualidade. “Conquistei uma liberdade total de fotografar e ter minha própria opinião dentro do departamento digital de moda do The New York Times. A cada foto, crio a contribuição de um novo olhar. Expresso minha opinião, faço a foto à minha escolha, falo do que quero.”

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.