Moda

Fatto a Mano

Carbono Uomo visita o lanifício de Ermenegildo Zegna, em Trivero, na Itália. Lá é produzida a matéria-prima que abastece também as principais marcas de luxo do mundo

29 Ago 2017 12:39

Em janeiro passado, assim que terminou o desfile de Giorgio Armani, fechando a Semana de Moda de Milão, segui a pé por menos de 10 minutos da Via Bergognone até a Via Savona, sede da Ermenegildo Zegna. Meu compromisso era conhecer o lanifício da marca, em Trivero, onde são produzidos os tecidos que vão vestir alguns dos homens mais elegantes do planeta, olhar de perto como se fabrica a matéria-prima de muitos dos ternos que eu acabara de ver nas principais passarelas milanesas – afinal, os grandes nomes da moda usam tecidos da grife.

Apenas 120 quilômetros separam Milão de Trivero, e a viagem durou 1h30. A cidade é pequena, pertence à região do Piemonte, mas diferentemente de Alba ou Asti, daquele solo não nascem trufas brancas nem uvas para poderosos vinhos tintos. Talvez virasse um ponto esquecido no mapa não fosse a visão empreendedora de um dos dez filhos de Angelo Zegna. Ermenegildo acreditou, em 1910, que seu esdrúxulo nome poderia ser sinônimo de luxo. Aos 18 anos, fundou a marca e o lanifício. A partir de então, empenhou-se em construir as casas de todos os seus funcionários, montou o hospital da cidade, pavimentou as ruas, criou áreas de esporte e recreação e ainda plantou mais de 500 mil pinheiros.

Hoje, Trivero concentra o Oasis Zegna, a Casa Zegna e a fábrica de tecidos. O primeiro é uma área com 100 quilômetros quadrados de preservação ambiental e proporciona atividades como trekking, mountain biking, pesca e esportes de inverno. Está comprometido com o meio ambiente, criou prêmios de incentivo e concedeu medalhas a nomes como Sting. Já a Casa Zegna está fincada num imóvel de 1930 e concentra documentos, fotos, desenhos e objetos que contam, além da história da marca, a evolução das técnicas de produção desde 1910. O lanifício é a área de produção da Zegna na Itália. É ali que são desenvolvidas as coleções que passam por processos exclusivos.

Diferentemente de outras fábricas da marca – eles têm também unidades na Suíça e no México, por exemplo –, os artesãos desenvolvem tecidos cada vez mais leves e térmicos. E criam os cobiçados costumes su misura, acertam tons, estampas e cores desejados pelo estilista Stefano Pilati.

A história da Zegna começa ainda antes de Ermenegildo nascer, quando seu pai, o relojoeiro Angelo, ganhou, em 1885, seis teares ao se casar pela segunda vez. Graças às máquinas, implementou um novo negócio, que expandiu vertiginosamente a partir de 1910, quando Ermenegildo (1892-1966) montou a primeira fábrica em Trivero, sua terra natal. A marca está nas mãos dos seus filhos, Aldo e Angelo. A expertise em produzir os melhores tecidos há mais de 100 anos fez com que se tornassem fornecedores de matéria-prima para algumas das principais grifes.

Atualmente, são mais de 400 lojas ao redor do globo. Ermenegildo Zegna, o empreendedor, tornou os tecidos italianos tão ou mais famosos que os ingleses, era um ecologista antes mesmo de o assunto estar na moda, prezava o bem-estar de seus funcionários um século atrás. Seus filhos até hoje recusaram todas as ofertas de vender a marca, que continua sendo uma das poucas gigantes do mercado de luxo que não pertence a nenhum conglomerado e se mantém familiar. Auguri!

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