Lifestyle

Primavera em Austin

No coração do Texas, o SXSW discute o futuro e desvenda as tendências que chegarão, mais rápido do que podemos imaginar, às nossas vidas

13 Set 2017 13:15

Por Marcela Kanner

Quando surgiu a ideia de que deveríamos conhecer o South by Southwest (SXSW) confesso não ter me empolgado imediatamente. Não por falta de ouvir coisas positivas sobre o festival, muito menos por falta de curiosidade, pois sou uma eterna curiosa, mas, grávida de muitos meses, com dois projetos bem grandes pela frente, pensei que seria complicado me ausentar nesse período. No fim, a sede de conhecimento venceu e acabei fechando a viagem, da qual não me arrependo nem por um segundo. É um festival muito interessante, que acontece em toda primavera americana e trata de temas como marketing, varejo, moda, tecnologia, música, entretenimento, diversidade, redes sociais, ioga e até política, nos ajudando a entender melhor questões como a situação do Oriente Médio e a eleição norte-americana, entre outras.

Qualquer que seja sua área de atuação, sempre existirá conteúdo relevante. Para quem, como eu, trabalha na área de varejo, é importante sempre pararmos por um momento e darmos um passo para trás. Foi exatamente isso que o SXSW me proporcionou: sair um pouco da nossa rotina frenética e abrir a cabeça para coisas novas, para entender o momento atual em todo o mundo e confirmar se estamos tomando as decisões certas para o nosso negócio. Como meu foco era varejo, moda e tecnologia, os temas mais recorrentes nesse escopo foram: Influenciadores e microinfluenciadores Não se trata de um fenômeno completamente novo. Mas, esse papel, antes exercido por celebridades, atualmente pertence a pessoas mais próximas de nós. Os influencers se tornaram parte fundamental do marketing e são a fonte mais confiável de informação para o consumidor. Para as marcas eles são peças-chave desde que compartilhem dos mesmo valores.

Social shopping
É uma das maiores tendências atuais e os influencers são protagonistas desse processo de mudança. No Brasil ainda estamos engatinhando, mas nos Estados Unidos já se tem essa consciência. Os consumidores já deixaram claro que é nas mídias sociais que eles passam o maior tempo navegando e interagindo com marcas. No futuro, esse processo se tornará mais intenso: todo e qualquer lugar será uma oportunidade de venda e qualquer imagem será clicável.

Inteligência artificial
Acredita-se que ela irá revolucionar o marketing até 2020. O chatbot, por exemplo, será uma ferramenta indispensável para tornar simples e interativas as tarefas antes complexas. Para isso, contudo, ela precisa ter sua própria personalidade e uma dose de humanização. Você será capaz de, por exemplo, perguntar ao seu chatbot quanto tempo levará até a escola do seu filho; ele responderá que você precisa sair imediatamente para não se atrasar, mas que você ainda não usou sua máquina de café inteligente; então questionará se quer que ele encomende um café no Starbucks mais próximo. Outra situação serão os chatbots voltados ao consumo, capazes de compreender, por exemplo, que se você comprou um berço, 30 dias depois o serviço pode começar a comprar fraldas.

Comunidades em primeiro lugar: o futuro do varejo
Pense globalmente, aja localmente. Essa frase não poderia ser mais atual, pois a comunidade deve ser a prioridade de uma marca. Existe a necessidade de fazer as pessoas se sentirem parte de um todo, e não apenas consumidores. Entender que o varejo físico não se resume a transações financeiras, e sim à experiência do cliente, nos impulsiona a pensar cada vez mais em ações de engajamento, sejam elas cabines para carregar o celular, aulas de ioga ou um café inserido dentro do conceito da loja. Nesse cenário, o caso da Under Armour é emblemático. Em Nova York eles tiram a neve dos parques para que as pessoas possam correr e praticar esportes no inverno. É uma iniciativa que, hoje em dia, se tornou muito mais efetiva que um outdoor, pois propõe um retorno para a comunidade.

Dicas para o tempo render
Apesar de tudo ficar perto, perdi algumas palestras enquanto tentava ir de um local ao outro, porque as mais populares lotam mesmo. Minha melhor dica é escolher um único lugar e tentar passar o dia todo lá. Assisti a palestras ótimas, que não estariam no meu planejamento, exatamente por acontecerem logo depois de outra onde eu já estava. Toda a minha experiência no SXSW foi incrível, mas, no geral, não se trata de nada (muito) complicado. Pessoas que fazem a diferença não têm somente iniciativa, mas o mais importante, “acabativa”: quando se tem uma ideia, resolva fazer e faça. É assim que
mudamos o mundo e os negócios.

Formada no Brasil pelo Senac e FIA-USP e em Nova York pelas conceituadas FIT e Parsons, Marcella Kanner trabalha na Riachuelo, empresa fundada por seu avô Nevaldo Rocha, desde os 18 anos e hoje é uma das responsáveis pelo marketing e comunicação da marca com a imprensa

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