Lifestyle

O mundo de Pedro

Jornalista de carreira sólida, Pedro Andrade colhe o que planta: a felicidade

por Piti Vieira 12 Set 2016 09:17

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O jornalista e ex-modelo Pedro Andrade, 37, radicado há 16 anos em Nova York, tem dicas tão valiosas sobre a cidade americana que, em 2014, lançou O Melhor Guia de Nova York – top 10 entre os livros de não ficção. Um dos apresentadores do Manhattan Connection, Pedro assinou contrato, em 2013, para comandar o Fusion Live, seu programa na emissora Fusion (do Grupo Disney/ABC). Desde então, já fez matérias para o Nightline (respeitado programa investigativo), participou da bancada do Good Morning America (programa matinal de maior audiência nos EUA) e fez a cobertura do Oscar 2015 para todos os sites da Disney e para a ABC News. Ele comanda, ainda, o Pedro Pelo Mundo (GNT) e é embaixador da marca Gucci. Nascido no Rio, estudou no Colégio Santo Agostinho e cresceu entre Laranjeiras e Leblon, em uma família de classe média. Sérgio Mattos, diretor da agência de modelos 40 Graus, e o fotógrafo Mario Testino certa vez perguntaram se Pedro queria ser modelo. A resposta mudou a vida dele.

Como você define seu estilo?
É complicado, pois exerço trabalhos muito distintos. O que visto no Manhattan não é o mesmo que uso em uma reportagem investigativa para a TV americana e também é diferente do que visto no deserto de Omã no Pedro Pelo Mundo. Se tivesse que escolher um “título”, talvez diria que meu estilo é clássico, porém informal.

Você está sempre muito bem-vestido. Seus ternos são todos sob medida?
Muito obrigado. Não diria que todos são sob medida, mas encontrei algumas marcas que naturalmente vestem minhas medidas de forma harmônica. Quando coloco um terno Gucci, não tenho que fazer bainha, aumentar a lapela ou mudar o botão. Veste como uma luva. O jeans da 3×1 (loja localizada em Manhattan) parece que foi feito sob medida para mim, mas na verdade não foi. Aquele é o corte que eles oferecem. Os shorts de praia e as roupas menos formais da Osklen se adequam à mesma categoria. Um dos segredos de se vestir bem é encontrar marcas que falam a mesma língua que você, tanto nos cortes e na qualidade das peças, como nas cores e no estilo. O mesmo acontece com, por exemplo, um belo corte de cabelo.

Você tem um alfaiate predileto ou suas peças de alfaiataria são de alguma loja específica?
Faço uma parceria anual com uma loja fantástica de camisas sociais chamada Jeremy Argyle. A flagship fica em Nova York, mas há quem venda as peças no Brasil e online. Na primavera e no outono, sento com o estilista e escolhemos as cores, os detalhes e os cortes de algumas peças da coleção. Não sou estilista e nunca tive ambições no mundo da moda, mas, por estar sempre na TV (tanto nos EUA como no Brasil), de algum jeito minha imagem ficou associada a bom gosto. É algo que não tenho como meta, no entanto fico lisonjeado em saber que minhas modestas escolhas possam ser referência para alguém. Nessa loja, eles têm um alfaiate que me ajuda quando necessário.

Quem são os novos designers nova-iorquinos de que você gosta?

Brian Guttman (da Jeremy Argyle), Scott Morrison (da 3×1), Asaf Ganot e Luis Fernandez (da Craft Atlantic).

Quais são as suas marcas prediletas de sapato?
Sapatos formais de Gucci e Valentino. Adoro os tênis da Osklen.

Qual a sua maior qualidade?
A curiosidade.

Qual a sua ideia de felicidade?
A poeta americana Maya Angelou dizia que sucesso é gostar de si mesmo, gostar do que faz e gostar de como o faz. Para mim, isso também pode ser uma definição de felicidade. A combinação disso com saúde, paz de espírito e plenitude na vida pessoal resulta em uma vida feliz.

Quem são seus heróis da vida real?
Não tenho heróis, talvez por isso consiga entrevistar desde líderes políticos e grandes estrelas até protestantes e mendigos com o mesmo respeito. Há pessoas cujo talento admiro. A lista é gigante, tenho humildade para admirar muita gente. Aqui vão alguns: Anderson Cooper, Bruno Gagliasso, Giovanni Bianco, David Letterman, Ryan McGinley, Kehinde Wiley, Francisco Costa, Oskar Metsavaht, Oprah, José Padilha, Obama, Lucas Mendes, Malala, Mark Zuckerberg, Almodóvar.

Que talento você gostaria de ter?
Sempre soube no que era bom e no que era uma negação. Por isso, investi nas atividades que me davam prazer. Adoro ler, escrever, pintar, estudar, viajar e aprender. Sou péssimo cozinheiro, não sei instalar uma torradeira, fui reprovado em educação física algumas vezes e não suporto esportes radicais. Sempre fui muito satisfeito com minhas paixões e nunca me senti obrigado a curtir o que não me fala a alma. Se tivesse que escolher um talento que não tenho, talvez fosse a capacidade de dormir por mais tempo e mais profundamente. O sono é fundamental para a produtividade de qualquer um, e sou péssimo nesse hábito. Tenho o sono leve e estou de pé diariamente às 6 da manhã.

Quem são seus escritores prediletos?
Haruki Murakami, T. S. Eliot, Anne Sexton, Patti Smith, Vanessa Barbara, Diogo Mainardi e Lucas Mendes.

Você trabalhou muito tempo como modelo. Tem saudade dessa época ou nem um pouco?
Tenho muito orgulho do trabalho que desenvolvi no mundo da moda e criei amizades eternas durante aqueles anos, mas não tenho saudades daquela época. Tenho o privilégio de fazer exatamente o que amo. Sou um homem do presente. Não fico querendo voltar à adolescência nem fico prevendo o futuro.

Como foi o convite para ser embaixador da Gucci?
Surgiu a partir do convite de um visionário chamado Roberto Paz, que hoje é um dos presidentes da marca na América Latina. Roberto notou que tanto eu como a Gucci poderíamos nos beneficiar com essa parceria. Eu me identifico com a marca e, por meio de alguns programas que apresento, falo também com um público que saca de moda e entende que um diálogo começa na forma como a gente se veste. A roupa que a gente escolhe – seja para uma entrevista de trabalho, para receber amigos em casa ou para ir ao escritório – diz algo a nosso respeito – isso nada tem a ver com dinheiro ou roupa cara.

Você é o primeiro apresentador brasileiro de um programa de rede nacional da televisão americana. Como tem sido a experiência?
Incrível. Passei minha adolescência ouvindo que jamais conseguiria um trabalho em rede nacional americana, no entanto, sempre fui determinado. Hoje, a globalização não permite que emissoras sejam tão inclinadas a segregar quanto eram no passado. A NBC, a Fusion e a ABC me deram oportunidades únicas de cobrir o Oscar dois anos seguidos, a Copa do Mundo, protestos no mundo inteiro, conflitos americanos, apresentei noticiários, programas matinais, atrações focadas em entrevistas, e a lista continua.

Ser brasileiro ajuda de alguma forma ou atrapalha?
Nos EUA as pessoas me veem como um profissional qualquer – o fato de eu não ter sotaque ajuda. No Pedro Pelo Mundo, ser brasileiro ajudou muito. Há um antiamericanismo incontestável em certas partes do planeta (mundo árabe e Rússia, por exemplo) e meu passaporte brasileiro foi uma forma de falar com pessoas e visitar situações de uma maneira mais tranquila.

Como é a sua rotina?
Regrada. Minha rotina é calculada minuto a minuto e, toda noite, antes de dormir, faço uma lista dos meus afazeres para o dia seguinte.

Você parece ser um workaholic, confere?
Sempre fui otimista. Evito pessoas negativas e trato os outros como gostaria de ser tratado. A verdade é que adoro meu trabalho e tenho verdadeira paixão por gente. Faço amizades facilmente e procuro estabelecer uma conexão positiva com todo mundo – seja esta pessoa o presidente da ABC ou o atendente do banheiro. Todos merecem ser ouvidos, respeitados, amados e bem tratados. Sou feliz e espero que esse sentimento seja contagiante.

Texto originalmente publicado na revista Carbono Uomo n° 1