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A primeira empresa brasileira de comércio de milhas aéreas conseguiu desafiar os preços exorbitantes das passagens de avião

24 Out 2017 11:25

Por Julia Fregonese

Max Oliveira era engenheiro sênior na mineradora Vale em 2012, quando uma irritação cotidiana fez surgir a primeira ideia de seu negócio. Na época, ele morava em Vitória, no Espírito Santo, e, no momento exato do estalo, estava comprando uma passagem para São Paulo, onde visitaria a namorada. O site teve um problema no processo de pagamento e, quando reiniciou a compra, a passagem que antes custava R$100 passou para R$500. Max ficou indignado. Mas percebeu que a quantidade de milhas para resgatar o bilhete não havia mudado. “Fiquei bastante incomodado e inconformado com aquilo. Acho que todo empreendedor tem um pouco desse inconformismo”, diz Max.

Ele desistiu daquela viagem. E começou uma maior ainda. Conversando com amigos, descobriu que quem tinha milhas geralmente não conseguia viajar antes que elas vencessem e que os brasileiros permaneciam reféns dos preços das passagens. Decidiu ser parte da solução dos problemas. Assim nascia a MaxMilhas, uma plataforma digital de compra e venda de milhas que tem hoje mais de 300 mil usuários e que movimentou R$100 milhões em 2016.

Foi durante uma visita à família em sua cidade natal, Ipatinga, Minas Gerais, que ele conheceu um dos seus primeiros parceiros, Hiran César, especialista em TI. Os dois se uniram a Conrado Abreu, sócio até hoje e cofundador, para estruturar o negócio. A plataforma foi ao ar em janeiro de 2013 com um investimento inicial de R$28 mil. “A melhor história do Max é que ele desenhou todo o site da MaxMilhas no PowerPoint, do jeito que ele achava que a empresa deveria ser”, conta Gustavo Conto, colega da Vale. Max continuou trabalhando na multinacional por seis meses, até que pediu demissão em agosto.

A MaxMilhas possui um software para comparar voos. Além de mostrar os valores cobrados por cada companhia aérea, a plataforma informa a quantidade de milhas necessárias para resgatar a passagem. Assim, o comprador pode optar por adquirir de um usuário que esteja vendendo milhas e pagar mais barato pela viagem. Se o bilhete emitido pela companhia estiver mais em conta, a MaxMilhas informa o cliente. A empresa ganha cobrando uma comissão sobre a venda de milhas pelos usuários, com uma margem acima de 20%.

Após ler uma matéria sobre a trajetória de Jorge Paulo Lemann, empresário brasileiro, Max pensou que poderia fazer algo maior do que estava projetando até então. Para Mônica Torres, esposa do empresário, o projeto foi evoluindo com o passar do tempo. “No começo, a MaxMilhas era um hobby. Depois virou um desafio pessoal, de sair de um lugar e construir uma coisa nova. Hoje ele superou o hobby e o desafio pessoal. Agora ele está no estágio de querer alcançar algo grande.”

Hoje, aos 31 anos, Max é o CEO da empresa através da qual pretende negociar entre 6 e 7 bilhões de milhas em 2017. A coordenadora de operações, Nathália Ramos, explica que o fundador
segue um dos valores da empresa: a evolução. “A cada dia a visão do Max fica maior, mais ambiciosa. Ele é muito aberto a feedbacks e a conversas. Preocupa- se em evoluir, não só como empresa, mas também como pessoa.”

Com uma rotina atarefada por conta do crescimento da MaxMilhas, o empreendedor dedica seu tempo livre à esposa e à prática de seu hobby, a música. Ele compõe, canta e toca violão. Está gravando um CD com canções que abordam temas como empreendedorismo e as dificuldades do dia a dia.