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Mr. Pet

Um lindo zoológico com mais de 30 espécies de animais silvestres no coração do Morumbi, em São Paulo. Assim é a casa onde vive o empresário Eduardo Foz, que quer ampliar a visitação de seu espaço a crianças especiais

12 Dez 2017 13:41

Por Marilia Levy

Imagine-se entrando em uma casa de um jovem empresário paulistano onde se vê de um lado uma poltrona de design assinado, itens de décor escandinavo e algumas belas obras de arte. Do outro um porco-do-mato, um galo, dois cervos, um antílope, um quati, dois flamingos, duas cotias, araras, tucanos, cacatuas… Assim é a residência de Eduardo Foz no Morumbi, zona sul de São Paulo, onde ele abriga mais de 30 animais silvestres, que vivem soltos e em total harmonia. E, acredite, não há nenhum vestígio de cheiro ou sujeira no ambiente. “Sempre gostei de receber amigos e seus filhos viviam pedindo para virem ao zoo do Tio Foz. Foi assim que nasceu a ideia de abrir o espaço à visitação do público”, revela.

É nítido o amor que Foz nutre pelos bichos e sua dedicação a eles é emocionante. “Sempre fui incentivado pelos meus pais a amar e cuidar dos pets, que nos dão desde cedo a noção de amor, respeito e responsabilidade”, conta Eduardo, que teve seus primeiros bichinhos de estimação ainda na infância, em um apartamento nos Jardins. Eram cágados (pequenas tartarugas de terra), peixes e um canarinho. Hoje, o administrador de empresas de e-commerce e corretora de seguros mora sozinho e tem em sua residência uma estrutura digna de zoológico profissional. São 17 pessoas em sua equipe, entre eles, três biólogos, três veterinários, dois tratadores, além de pessoal de manutenção, limpeza e responsáveis por agendamento de visitas e agora licenciamento, já que seu minizoo alcançou mais de 40 mil seguidores no Instagram, tem página no Facebook (ambos com o endereço ZooFoz) e aparições recentes em outras mídias, como programas de televisão. “Quero ajudar o próximo. Sinto que minha missão é conscientizar um milhão de crianças ao longo da minha vida no ZooFoz”, conta Eduardo, que abriu um projeto de visitação para crianças especiais. “Os animais nos ensinam a viver em paz e harmonia. Se aqui, com tantas diferenças, eles convivem e são felizes, por que nós não conseguimos?”, questiona-se o empresário.

Todas as espécies são homologadas pelo Ibama e vieram de criadores credenciados pelo órgão oficial ou de doações legais. O tucano Tutu, por exemplo, foi fruto de uma doação. Ele morava em um apartamento e chegou com uma parte do bico quebrada, que foi tratada com resina. Demorou um ano e meio para se integrar aos outros moradores, mas hoje vive em paz com todos no espaço. “Levantamos a bandeira da posse responsável. É preciso saber quanto tempo em média vive o animal, do que ele se alimenta e em que condições sobrevive com saúde.” Stephanie, uma antílope fêmea, chegou às mãos de Foz ainda filhote e debilitada. Foi criada na mamadeira. Hoje é uma das maiores atrações dali. Há ainda o casal de f lamingos chilenos Julinha e Dorival, o par de cotias Manuel e Isabelle, o galo Zé, novato da casa com apenas quatro meses, e as exuberantes araras Chardonnay, Babi e Leopoldina. Dentre elas, Anita, que vive com Foz há 22 anos, é a mais antiga da turma. “Meu pai brinca que quando tiver um filho ele se chamará Rex, pois já terei esgotado minhas alternativas de nomes com os animais”, diverte-se.

Do mais exótico (talvez o cervo fêmea, batizado de Sophia) ao mais convencional, a border collie Bella, todos convivem em impressionante equilíbrio. O cateto (uma espécie de porco-do-mato) na natureza é extremamente agressivo e não pula, mas Vavá, convivendo com a cachorra e os cervos tornou-se um animal supercarinhoso com o dono e os visitantes: oferece a barriga para carinhos, dá pulos com os colegas e tem lugar reservado no sofá. Por conta da quati Victoria as gavetas não têm puxadores. Caso contrário a bagunça é certa. Segundo Foz, ela e o pássaro da espécie turaco-violeta Júlio César são melhores amigos, uma combinação improvável e pra lá de divertida.

Para alimentar essa turma toda, são cerca de 400 quilos de frutas e verduras por semana, ou seja, quase 2 toneladas de alimentos por mês. Investimento que Foz mantém sozinho, tendo apenas recentemente conquistado um parceiro que fornece rações. Sobre seu relacionamento com os animais, o apaixonado é enfático: “É um amor que não dá para explicar, é como se eu vivesse num sonho bom todos os dias”. Sonho esse que ele quer viver em conjunto.