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Mobilidade Urbana com Taxa 0%

Diretor executivo de criação da Havas Worldwide explica como as agências de publicidade estão adaptando suas campanhas à nova realidade

2 Ago 2017 12:05

Por Marcelo Torma, diretor executivo de criacão da Havas Worldwide

O desafio das grandes cidades em relação à mobilidade urbana se intensificou nos últimos anos e algumas montadoras automotivas resolveram posicionar suas marcas como parte da solução desse desafio. A mudança já vinha acontecendo timidamente e algumas marcas ainda ignoram o assunto, é verdade. Porém, outras gasta milhões na construção de conceitos híbridos ou em ideias simples, que incentivam o compartilhamento de carros, diminuindo a circulação exagerada.

A questão é que só a paixão pelos carros como objeto de status, capaz de levá-lo a lugares jamais alcançados, já é um discurso ultrapassado e pouco efetivo na comunicação desse mercado. Com isso os automóveis passaram a ser uma compra mais inteligente do que emocional. Logo vamos adquirir nossos carros pela internet com a mesma facilidade com que pagamos as contas no on-line banking.

As montadoras procuram se reinventar produzindo automóveis que entregam muito além do motor, da segurança e do design. Habitabilidade, por exemplo, é a palavra do momento e já vem como item de série, assim como a experiência pós-venda.

A francesa Citroën aplicou duas iniciativas que deixam clara sua opinião sobre esse aspecto. Uma é o Car Sharing, que, como o nome já diz, é um aplicativo da própria montadora que facilita a carona, permitindo o compartilhamento de seu Citroën em determinados percursos. A outra é a Rent and Smile, em que você pode alugar seu Citroën para outras pessoas, caso seu veículo vá ficar muito tempo parado. As duas ações visam a diminuir carros nas ruas. Não é à toa que a mesma montadora inaugurou um Laboratório de Mobilidade Urbana há mais de 15 anos já de olho nesse problema.

No fim dessa estrada, você não acha que posicionar a comunicação das grandes marcas, colocando em pauta a discussão sobre o papel do carro, não apenas como objeto de desejo, mas como meio de transporte essencial e inteligente, pode vender mais nas concessionárias do que anúncios com condições de pagamento?