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Midas da Educação

Três anos após vender seu Grupo Multi Educação por R$2 bilhões para os britânicos da Pearson, Carlos Wizard Martins volta ao universo do ensino de idiomas associando-se à Wise Up. Em paralelo, cuida de outros negócios como Mundo Verde, Taco Bell, Rainha, Topper, Ronaldo Academy e por aí vai

19 Out 2017 17:39
Carlos Wizard Martins , Foto Fabiano Accorsi / Divulgação

Por Françoise Terzian

O empresário Carlos Wizard Martins sofre do mesmo mal que Abilio Diniz. Bilionário, com uma história de sucesso e a criação de uma marca que transcende sua história, ele poderia ter se aposentado, embarcado com a família em um barco e vivido de amor e sol pelo sul da Itália, Grécia, Turquia e Croácia. Mas, não. Assim como Diniz que, após o Grupo Pão de Açúcar, poderia ter levado uma vida de dolce far niente,

Martins jamais desacelerou. Após vender o Grupo Multi Educação para a britânica Pearson por R$2 bilhões, ele continuou empreendendo. Por mais que não precisasse. Mas, afinal, o que há por trás dessa vontade de jamais parar? “O empreendedor é um sonhador. Depois que ele realiza seu sonho, descobre que tem outros ainda maiores para serem realizados”, diz ele à Carbono Uomo. Para Martins, aposentadoria é para quem não gosta do que faz. Ele gosta mesmo é de realizar e gerar riqueza – não especificamente para ele, mas para a sociedade, como conta.

Um dos principais empresários brasileiros da atualidade, ele fundou, em 1987, a Wizard, uma escola de inglês que se transformou em uma rede. Ela alcançou, via franchising, a liderança absoluta no setor de ensino de idiomas. Mais tarde, colocou em prática uma das mais agressivas estratégias de consolidação de mercado já vistas no Brasil ao adquirir outras oito redes de ensino, como Yázigi, Microlins e Skill, formando o Grupo Multi Educação. Em 2013, o grupo foi vendido para a Pearson, no maior deal da história do setor já realizado no País.

Pelo acordo, Martins precisou ficar um ano fora do circuito. Oito meses depois, ele voltou à ativa com a compra da rede Mundo Verde, de alimentos naturais e saudáveis. Com filhos empreendedores e inclinações para diferentes vertentes, também abraçou o projeto da Ronaldo Academy, em parceria com Ronaldo Fenômeno, e abriu uma série de escolas de futebol no Brasil, na Colômbia e no México. Mas, como já era de se esperar, o ensino de inglês, negócio que transformou Martins em um bilionário, sempre foi sua paixão. Mais até do que um negócio. Foi assim que ele acabou retornando às origens. Em maio de 2016, o empresário voltou ao ensino de idiomas a partir da compra de 35% da Wise Up, por R$200 milhões. Foi assim que ele se associou a Flávio Augusto da Silva, fundador do negócio em 1995.

A Wise Up deve fechar 2017 com 320 unidades no Brasil, 70 mil alunos e receita de R$400 milhões em toda a rede. Carlos Wizard e Charles Martins (seu filho) agora têm direito a assentos no conselho de administração da empresa juntamente com Flávio Augusto, que continua atuando como CEO. Martins acredita que a união dá início a um novo momento no mercado de ensino de idiomas no Brasil. “Ainda existe um grande potencial de crescimento e o mercado está estagnado há alguns anos, mas voltará a crescer em breve”, destaca, acrescentando que a escolha pela Wise Up foi natural. “A marca é líder no ensino de inglês para adultos, tem um porte significativo e é comandada por um excelente gestor.” Já para atender o público infanto-juvenil, a Wise Up, que vai crescer não só organicamente mas também por meio de aquisições, comprou recentemente a Number One, rede do estado de Minas Gerais, com mais de 40 anos de tradição e 135 escolas. O objetivo, conta Martins, é levar a Number One para todos os estados. Ou seja, os ingleses que se cuidem, pois pelo visto Martins deve criar uma concorrente de peso para o negócio que fundou. Mas por que tamanho interessa nessa área? “Apenas de 2% a 3% da população brasileira fala inglês fluentemente. Existe um mercado potencial muito grande, especialmente com a economia do Brasil cada vez mais aberta”, observa. E em tempos de termômetro econômico morno, ele lembra que a qualificação profissional, a exemplo de um candidato com dois idiomas, consegue aumentar sua empregabilidade.

Diariamente, Martins e Augusto realizam um brainstorming digital, via Skype, WhatsApp e e-mails. Enquanto o fundador da Wizard vive no Brasil, o criador da Wise Up mora nos Estados Unidos. O objetivo da dupla? Fazer com que a Wise Educação encerre 2020 com mil escolas – atualmente são 320 da Wise Up e 135 da Number One.

Hoje, no entanto, educação é apenas um dos negócios do mestre dos idiomas. O maior business de Martins na atualidade é a rede Mundo Verde, que prega uma vida mais saudável e mudou visivelmente após sua entrada. Nova identidade visual, linhas específicas de produtos e comunicação mais alinhada. No setor esportivo, Carlos Wizard também andou fazendo gol. Ele comprou 100% da operação das marcas Topper (futebol) e Rainha (fitness, com foco no público feminino), da Alpargatas, fundando a BR Sports. O negócio vive fase de expansão através de distribuidores e lojas multimarcas. Para fazer barulho, eles patrocinam campeonatos de futebol e uma série de eventos ligados ao esporte.

Incansável, no ano passado diversificou seus investimentos para o setor de fast food ao trazer para o Brasil a rede de comida mexicana Taco Bell. A cada 15 dias, ele inaugura uma loja. Até o fechamento desta edição, eram 14 lojas em operação após sete meses de estreia no Brasil. E com fila na porta e aumento de 20% nas vendas. Tipo de comida e preço que chamam atenção do brasileiro neste momento de economia tão frágil. A partir de 2018, ele deve levar o Taco Bell para outros estados além de São Paulo.

Em paralelo, toca um projeto no setor de beleza ao lado das filhas Thais e Priscila. Trata-se da Aloha Oils, empresa especializada em óleos essenciais, cosméticos e superalimentos, que opera desde junho no modelo de vendas diretas. O investimento inicial foi de R$20 milhões e a Aloha chega ao mercado com cerca de 5 mil consultores independentes já cadastrados. A estimativa é fechar o ano com 10 mil consultores que venderão de shampoo a creme para mãos com óleos essenciais importados.

Pai de seis filhos, autor do livro Do Zero ao Milhão – Como Transformar Seu Sonho em um Negócio Milionário (entre os mais vendidos da lista da revista Veja) e conhecido por sua devoção como mórmon que dedica os sábados à família e os domingos à igreja, Martins é um self-made man. Aos 12 anos, saía pelas ruas de Curitiba (PR) com um carrinho na rua vendendo verduras e frutas. “Para mim, era uma diversão”, recorda. O grande divisor de águas ocorreu, justamente, por conta de uma demissão que sofreu aos 30 anos, quando trabalhava em uma multinacional. Como ele só sabia dar aula de inglês, não parou mais. O resto da história todo mundo já sabe. “Às vezes, o melhor que pode acontecer é você ser demitido”, observa. Em 2018, os novos negócios de Martins com os filhos devem gerar, juntos, R$2 bilhões de receita. “O que levei 25 anos para construir agora consegui em quatro. Antes, não tinha experiência, dinheiro e contatos. Hoje, tenho tudo. A velocidade é outra”, revela.

Sobre o Brasil atual, ele não se mostra preocupado. Diz que é importante ter visão de médio a longo prazo. “Enfrentamos uma crise política que tem impacto na economia. Quem fizer investimento agora, vai se beneficiar quando a economia voltar a crescer. Tem que deixar o pé no acelerador.” Para manter não só a mente mas também o corpo saudável, Martins caminha duas vezes por semana e faz natação sempre que pode. Sua alimentação é equilibrada e ele também não bebe nem fuma. Do jeito que é e com a cabeça a mil, o empresário deve ir longe. E, pelo visto, jamais se aposentará.

Carlos Wizard Martins
• Em parceria com Ronaldo Fenômeno, Martins abriu escolas de futebol no Brasil, na Colômbia e no México
• Ano passado, ele comprou a Wise Up por R$200 milhões. A rede vai fechar 2017 com faturamento de R$400 milhões, 320 unidades e 70 mil alunos
• A Taco Bell abre nova loja a cada 15 dias
• Martins é mórmon, dedica os sábados à família e os domingos à igreja. Self-made man, aos 12 anos ele vendia frutas e verduras nas ruas de Curitiba