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Meu Bairro – Pinheiros

A escritora, apresentadora, DJ e modelo Michelli Provensi conta por que trocou o centro de São Paulo por Pinheiros, na zona oeste da capital

por Piti Vieira 23 Dez 2016 10:54
Créditos: Tuca Vieira

Uma das mais bacanas modelos brasileiras, Michelli Provensi, 31 anos, teve uma carreira internacional agitada. Saiu de Maravilha, no extremo oeste de Santa Catarina, aos 16 anos, para participar de semanas de moda e campanhas de publicidade para grandes grifes mundiais. Ela já trabalhou para Yves Saint Laurent, Giorgio Armani, Narciso Rodriguez, Yohji Yamamoto, Issey Miyake e Kenzo, entre outros estilistas de renome. Estampou também as páginas das principais publicações de moda do mundo, como Vogue, Elle, Nylon, Purple e Harper’s Bazaar. Ao mesmo tempo, dividiu apartamento em vários países com dezenas de meninas das mais diferentes nacionalidades.

Michi, como é conhecida, voltou a morar no Brasil para se entregar à sua maior paixão: escrever. Contou suas experiências como modelo e revelou os bastidores da profissão em seu primeiro livro, Preciso Rodar o Mundo – Aventuras Surreais de uma Modelo Real, lançado em 2013. Para divulgar o trabalho, fez o rap “All the Models in the House” e um clipe com várias modelos que virou hit entre os fashionistas. Na sequência, formou com a amiga e também modelo Jéssica Pauletto a dupla de DJs Big In Japan, homenagem a Tóquio, cidade onde as duas moraram quando eram adolescentes. Da afinidade com o universo da música, veio o convite para apresentar a websérie The Beats Show, focada no eletrônico. Daí foi um pulo para a MTV, na qual apresentou o programa Móv3l.

Ativista do Parque Minhocão, Michi sonha com uma São Paulo mais verde, integrada ao espaço público e, sobretudo, mais silenciosa. “Eu morava na Rua Avanhandava, no Centro, mas achava muito barulhento para escrever.

Logo que descobri que iam subir dois prédios ao lado não quis investir em uma janela antirruído em um apartamento que não era meu”, diz ela. “Já havia morado em Pinheiros, onde tenho muitos amigos. Acho parecido com cidade pequena – dá para fazer tudo a pé. Por eu ser do interior, sentia saudade dessa coisa meio bairrista. Conheço todo mundo nas três padarias que frequento. Minha melhor amiga mora aqui. Tento fazer o máximo de coisas no bairro, comprar na vendinha da chinesa em vez de ir ao Pão de Açúcar. Agora estão abrindo umas quitandas orgânicas. Dá para pegar a ciclovia que passa em frente de casa. Eu não sei dirigir e ando muito de bicicleta.”

O primeiro endereço dela em Pinheiros foi em um apartamento na Rua Cristiano Viana, onde foi morar com uma amiga, mas também achou que ali fazia muito barulho. “As escolas de música da Rua Teodoro Sampaio me incomodavam com as aulas de bateria e de outros instrumentos – e batia muito sol.” Mudou-se em janeiro deste ano para o Edifício Tabafer, um edifício na Rua João Moura projetado por Vilanova Artigas, um dos arquitetos brasileiros mais importantes do século 20. “É um prédio escondido, com apartamentos com espaços amplos e janelas grandes que não ficam viradas para a rua. Passei várias vezes na porta e vi a placa de aluga-se, mas não me chamou a atenção. Foi preciso uma amiga me dizer que tinha um apartamento para alugar em um prédio do Artigas para eu me interessar”, conta ela, que, enfim, achou um lugar silencioso para dar prosseguimento ao seu projeto de vida, um livro de fantasia. “A grande história que tenho na minha cabeça é meio fantástica, como As Crônicas de Nárnia.”

PP E  INSECTA
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Descendo a Rua Artur de Azevedo, chega-se a um espaço cheio de estilo: o ateliê da PP, especializada em peças exclusivas de couro, e da Insecta Shoes, que vende sapatos ecológicos e veganos. As marcas dividem a mesma loja, cada qual em uma metade do cômodo. “O preço é bom, e tudo é reaproveitado. Todas as peças da PP são únicas. Fiz um vídeo para eles e conheci a Insecta, que transforma diversos tecidos e estampas de modelos abandonados em botas, oxfords, sandálias e slippers, sem nenhum uso de matéria-prima de origem animal”, conta Michi.

FEIRA LIVRE BENEDITO CALIXTO
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Toda terça-feira, das 7h30 às 13h30, acontece a feira livre da Praça Benedito Calixto, que nada tem a ver com a famosa feira de objetos vintage que torna o local intransitável aos sábados. “Venho comprar pequenos itens, como temperos e hortaliças.”

PRÉDIO SANTO ANTÔNIO
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Construído nas primeiras décadas do século 20, o Prédio Santo Antônio fica no número 1.156 da Rua João Moura. Até pouco tempo atrás, estava muito deteriorado, mas foi totalmente restaurado e voltou a chamar a atenção de quem passa por ali. “Eu sempre quis morar em uma casa de vila, e esse prédio tem essa cara. Os azulejos são originais. O tradicional piso de caquinhos vermelhos está impecável nos dois pisos externos. Não parece que está em São Paulo, parece o Alentejo.”

RESTRÔ
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“O restaurante é da Marcelia Freesz, minha amiga modelo, casada com Jardel Turgante, que era meu booker na Way Model e agora é chef (o terceiro sócio se chama Danilo Fascina). Recomendo muito o risoto de caipirinha (risoto integral de limão-siciliano com linguiça artesanal flambado na cachaça e cebola caramelizada) e a panna cota de camaru com caldas de frutas amarelas.”

SOL QUADRADO MOLDURAS
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“O Marcelo Rosenbaum, que era meu vizinho na Cristiano Viana e ficou muito meu amigo, indicou esse lugar especializado em molduras. Eu ainda não tive tempo de enquadrar nada, mas estou cheia de gravuras esperando para ser penduradas”.

MISTER SHAWARMA
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Sírios e israelenses não se entendem desde que entraram em guerra pelas Colinas de Golã, em 1967. Mas, em São Paulo, o árabe Kasem Bakr e o judeu Ilan Edery viraram sócios e abriram um pequeno espaço com um balcão voltado para a Rua Teodoro Sampaio, de frente para a Praça Benedito Calixto. O local vende shawarmas, sanduíche de finas tiras de carne, frango ou faláfel, enroladas em pão sírio com legumes e temperos especificamente sírios. “É muito bom! E eles também fazem esfihas, quibe e porções de homus e coalhada seca.”

THE LITTLE COFFEE SHOP
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Não fosse pela aglomeração que se forma na calçada da Rua Lisboa, quase na esquina com a Artur de Azevedo, seria difícil imaginar que ali fica a menor cafeteria do mundo especializada em café especial. “Gosto do carioca ou do espresso, mas ela também serve cappuccino, macchiato, pingado e o babyccino, uma versão do cappuccino que leva leite cremoso e confeitos decorativos por cima.”

Texto originalmente publicado na revista Carbono Uomo n° 2

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