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Meu Bairro – Ipe Moraes

O empresário fez do Jardim Paulistano o seu microcosmo. É no bairro que ele abriu a maioria de seus restaurantes e onde também reside há duas décadas.

por Artur Tavares 23 Mai 2017 10:19

Luis Felipe de Moraes é um dos restaurateurs mais inventivos de São Paulo. Conhecido como Ipe Moraes, ele caminha tranquilo pelas ruas do Jardim Paulistano, charmoso bairro da zona oeste da capital, mãos nos bolsos, peito estufado. Cumprimenta com alegria os vizinhos que cruzam seu caminho. Quando não está a pé, conduz uma bicicleta. Só usa o carro para ir até a unidade de um de seus restaurantes no Shopping Cidade Jardim, ou para viajar até o litoral norte de São Paulo, onde gosta de passar os fins de semana com a família. Proprietário da Adega Santiago e da Taberna 474, especializados em culinária ibérica, e da Casa Europa, que se envereda pela cozinha italiana moderna, Ipe mora na região há mais de 20 anos com a esposa Vera Cortez e as três filhas.

O Jardim Paulistano é um pequeno bairro residencial delimitado pelas avenidas Rebouças, Brigadeiro Faria Lima e Brasil e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva. Ipe descobriu há mais de duas décadas o charme da região, onde quase não há imóveis comerciais, em caminhadas nas horas de lazer com Vera. “Depois que casei, fui morar em Pinheiros. Vínhamos muito andar desse lado, trazíamos o cachorro para passear. Pinheiros era mais bagunçado na época, já faz 25 anos. Havia muitos bares, era muito sujo”, conta. Foi só depois da mudança que suas filhas nasceram, e seus restaurantes também. A primeira Adega Santiago está na Sampaio Vidal; a Casa Europa, na Gabriel Monteiro da Silva; a Taberna 474, na Maria Carolina.

No bairro, parte do Plano Diretor de 1972 não pegou. O programa de zoneamento determinava novos comércios em regiões residenciais, mas os moradores fizeram resistência e pressão. Venceram. Ipe foi conseguindo montar seus negócios nos poucos pontos comerciais que já existiam antes do ano de sanção da lei. “Essa é a maior diferença daqui para outros bairros nobres da cidade. Foi preciso muita força dos moradores para impedir a entrada dos comércios. Outros locais, como os Jardins, tinham essa característica, e de repente ficaram lotados de bares. É um caminho sem volta”, diz Ipe. Ele explica outra peculiaridade da área: “O Plano Diretor da década de 1970 também proibiu prédios altos, é por isso que eles não estão aqui até hoje.”

Ipe Moraes cursou Economia na PUC e fez carreira no mercado financeiro. Era habitué da noite paulistana no início dos anos 1990. Ele conta que, em 1992, deu uma festa no bar Café Arouche, no Centro. A farra foi tão boa que o dono do local, Pingo Saraiva, o convidou a se juntar à sociedade de um novo bar no Itaim, o Flamingo (hoje Espírito Santo). Em 1998, ele se desligou de seu trabalho e tornou-se empresário do ramo gastronômico. No ano seguinte, abriu o já extinto Farmácia, que servia comida orgânica. Confira, a seguir, os cantos de Ipe no seu bairro predileto:

Artur Tavares

Sob o signo de câncer, nasceu de oito meses. Desde este infortúnio, mostrou-se impaciente. Soube aproveitar esta peculiaridade e transformá-la em curiosidade. Odeia rejeitar convites para restaurantes, está sempre com um livro e adora passar os finais de semana em meio à natureza, com suas companhias favoritas e o melhor da música eletrônica.